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Manter a esperança, sempre!

Diante das adversidades por causa da atual pandemia, a Igreja mantém a atenção aos fiéis em diferentes situações de vulnerabilidade

“Nesta noite, conquistamos um direito fundamental, que não nos será tirado: o direito à esperança. É uma esperança nova, viva, que vem de Deus. Não é mero otimismo, não é uma palmadinha nas costas nem um encorajamento de circunstância, com o aflorar de um sorriso. Não. É um dom do céu, que não podíamos obter por nós mesmos.”

A esperança cristã, recordada pelo Papa Francisco na homilia da Vigília Pascal, em abril deste ano, continua a animar a humanidade em meio à pandemia do novo coronavírus, sendo este anúncio fundamental àqueles que mais precisam de amparo neste momento: os afetados pela pobreza material, bem como os empobrecidos pela solidão, abandono e outras fragilidades espirituais e sociais.

CHEGAR AO CORAÇÃO E ÀS CASAS

Manter a esperança, sempre!
Pascom Paróquia Santa Paulina

Dados da Prefeitura de São Paulo, do mês de junho, mostram que o número de casos de COVID-19 é maior nas regiões periféricas, locais onde a Igreja também está presente e atua para a propagação da fé, esperança e caridade.

A Paróquia Santa Paulina, localizada na maior favela de São Paulo, em Heliópolis, na zona Sul, passou a atender 120 famílias em situação de vulnerabilidade social, além de pessoas em situação de rua, com a distribuição de alimentos, agasalhos e cobertores.

“Procuro também telefonar e me fazer próximo dos idosos principalmente, além dos jovens e famílias da nossa comunidade. É um trabalho de ir ao encontro das pessoas, tentando de alguma forma chegar ao coração e às casas de cada um”, disse ao O SÃO PAULO o Padre Israel Mendes Pereira, Pároco.

Segundo o Sacerdote, a grande maioria da população de Heliópolis é solidária e confiante, e, com a impossibilidade de as pessoas irem até a igreja, é missão da comunidade ir até o povo, pois, apenas pelo fato de as pessoas saberem que a Igreja está presente e preocupada com elas, já gera uma renovação de esperança.

 “Nós temos um povo cheio de esperança, e percebo uma fé muito viva, mesmo neste tempo de distanciamento e isolamento social. Um povo que sempre aprendeu nas dificuldades. Na periferia tem um povo que não desiste, um povo lutador e que vive de uma forma muito digna”, concluiu.

A ESPERANÇA NÃO DECEPCIONA

Manter a esperança, sempre!
Pascom Paróquia São José

O Padre Luciano Borges Basílio é Pároco da Paróquia São José, da Diocese de Campo Limpo, no bairro de Paraisópolis, na zona Sul da capital paulista. Ele relatou à reportagem que o trabalho pastoral na comunidade se intensificou principalmente mediante a arrecadação de alimentos para os mais pobres e o atendimento espiritual por meio das confissões, amparo aos doentes e a seus familiares.

“Esperança é uma das palavras que mais ouço do povo. Nunca faltou a confiança de que esta ‘peste’ irá passar e retornaremos à nossa vida normal, com o auxílio e a graça de Deus. Durante todo este tempo desafiador, temos celebrado missas, transmitidas pelas redes sociais, e estou a todo o tempo afirmando que a esperança não decepciona, e precisamos ter coragem, pois sabemos em quem acreditamos”, disse o Padre.

 Segundo o Sacerdote, que trabalha há 14 anos no bairro, a retomada das missas com a presença gradual do povo vem renovando a esperança dos fiéis. Ele reiterou que essa esperança nunca se foi, pois ali vive um “povo fervoroso e trabalhador”.

ACOLHER OS IDOSOS

Integrantes do grupo de risco, os idosos são os mais atingidos pela COVID-19. Em São Paulo, a Pastoral da Pessoa Idosa (PPI), que costuma realizar visitas domiciliares às pessoas com 60 anos ou mais, encontrou uma outra forma de estar presente. “Em função da suspensão das visitas, temos orientado que nossos agentes liguem para os idosos, para que eles não se sintam abandonados e solitários”, disse Conceição Aparecida de Carvalho, coordenadora arquidiocesana da PPI.

Segundo Conceição, os agentes se uniram em uma grande corrente de solidariedade e estão gravando vídeos, pelos quais transmitem palavras de afeto e carinho aos idosos. Ela enfatizou que, se por um lado os idosos têm relatado a vontade de sair de casa e reencontrar os familiares, por outro, passaram a acompanhar as missas pela televisão e a dedicar tempo ao artesanato, crochê e leitura.

 “Ações estão sendo feitas pela Pastoral, como telefonemas, transmissão de vídeos, carreata virtual etc. Tudo é com o objetivo de despertar um sentimento de esperança cristã em todas as pessoas, sobretudo nos idosos mais fragilizados, para que se sintam valorizados e com dignidade, aumentando sua fé”, concluiu.

FAMÍLIAS MAIS UNIDAS

Na Região Episcopal Sé, a Pastoral Familiar tem realizado encontros on-line e lives nas redes sociais com temas que possam renovar a esperança das famílias. Segundo o Padre Alessandro Enrico de Borbón, Assessor Eclesiástico para a Pastoral Familiar da Região Sé, a convivência pode estar sendo um período difícil para algumas famílias, mas para a grande maioria é um tempo de aprendizado.

“Temos um grande ganho em famílias que efetivamente conseguiram conviver e retomar os vínculos familiares. Os pais interagem mais com os filhos, esposo e esposa voltaram a ter um novo encanto um pelo outro e cada um passou a dedicar um tempo maior a si mesmo. Essa convivência mais intensa foi muito profícua para a maioria das famílias”, afirmou à reportagem.

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