A Solenidade da Imaculada Conceição

Dogma foi proclamado solenemente pelo Papa Pio IX, em 8 de dezembro de 1854, com a bula Ineffabilis Deus, a partir da verdade de fé de que Nossa Senhora, desde o primeiro instante de sua concepção, não teve a mancha do pecado original

A Solenidade da Imaculada Conceição

Em 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX publicou a bula Ineffabilis Deus, em que define solenemente o dogma da Imaculada Conceição, que ensina que Nossa Senhora, desde o primeiro momento de sua concepção, foi livre da mancha do pecado original.

O Papa, ao proclamar o dogma, não pretendeu criar uma nova doutrina; ao contrário, esmerou-se, por meio daquela bula, em demonstrar em detalhes como essa verdade está contida na Revelação deixada por Cristo e como ela sempre foi crida pela Igreja. A proclamação de um dogma tem como objetivo esclarecer alguma verdade de fé mal compreendida ou, mesmo, esquecida. 

A comemoração litúrgica da Imaculada Conceição, em 8 de dezembro, foi instituída pela primeira vez pelo Papa Sisto IV, em 1477. Entretanto, a verdade de fé de que Nossa Senhora foi preservada do pecado original se fundamenta, antes de tudo, nas Sagradas Escrituras e no testemunho dos Padres da Igreja, que foram os teólogos e mestres cristãos do começo do Cristianismo, cujos escritos são essenciais para se estabelecer o que sempre foi crido pela Igreja.

Pio IX menciona na bula algumas imagens do Antigo Testamento que se referem a Nossa Senhora e já antecipavam o grande milagre de sua Imaculada Conceição. A primeira imagem é a da Arca de Noé, que ficou incólume do dilúvio que atingiu toda a humanidade. Se o dilúvio é a imagem do pecado, sob o qual toda a humanidade ficou presa, a Arca é a imagem de Nossa Senhora, que se salvou do naufrágio do pecado. Outra prefiguração de Maria do Antigo Testamento é a Escada de Jacó, que ligava o céu e a terra e em cujo topo estava o Senhor; ou, mesmo, a Sarça Ardente, que ardia, “por todos os lados, em chamas crepitantes, contudo não se consumia nem sofria dano algum, mas continuava a ser bem verde e florida”.

O testemunho mais claro acerca do dogma da Imaculada Conceição no Antigo Testamento, entretanto, é encontrado logo no início da história da Salvação, quando Deus amaldiçoa a serpente que havia induzido Adão e Eva ao pecado, dizendo: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar” (Gn 3,15). A descendência da mulher que salvou a humanidade do pecado é Jesus. Portanto, a mulher a que se refere a passagem é Maria, que terá “inimizade”, isto é, nenhuma semelhança com a serpente, o Diabo.

Se há uma total inimizade entre a serpente, autora do pecado, e a Mulher, Nossa Senhora, não poderia ter tido, nem que por um brevíssimo segundo, o pecado original, já que ele nos tende ao mal e a uma amizade com o Diabo. Essa realidade foi expressa também pelo anjo Gabriel na Anunciação, quando chamou Maria de “cheia de graça”. Com essa saudação, o anjo afirmava que em Maria havia uma plenitude da graça de Deus. Onde há luz, não há trevas; e onde há a graça, não há pecado. Os homens nascidos com o pecado original, por mais que se santifiquem e vivam na graça, não podem ser chamados de “cheios de graça”, porque a santidade é uma luta constante contra o pecado, na qual haverá quedas. Apenas no céu os santos estarão totalmente livres de qualquer tendência para o mal. Se Maria foi chamada de “cheia de graça”, é porque, já nesta vida, viveu plenamente na graça.

No Magnificat, Nossa Senhora expressou a singularidade de sua missão e da graça que Deus lhe dera: “O Poderoso fez em mim maravilhas e Santo é o seu nome”. Com isso, segundo Pio IX, Maria demonstrava a singular missão que recebeu de Deus.

Santo Irineu, padre da Igreja do século II, chamou Maria de a Nova Eva. Como Eva, Maria era virgem. E, como Eva, Maria foi criada sem nenhuma mancha do pecado original. Eva, porém, ao dar ouvidos à serpente, um anjo caído, e desobedecer a Deus, foi a causa do afastamento da humanidade de seu Criador. Maria, entretanto, ao dar ouvidos ao anjo Gabriel, obedeceu a Deus e permitiu que o Salvador viesse salvar o gênero humano. “Da mesma forma, o nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria, e o que Eva tinha amarrado pela sua incredulidade Maria soltou pela sua fé”, escreveu Santo Irineu.

Afirmar, porém, que Nossa Senhora, desde o primeiro instante de sua concepção, não teve a mancha do pecado original não significa afirmar que ela não precisou ser salva por Jesus, como o resto dos homens, que são salvos quando os méritos atingidos por Cristo são aplicados a cada um em particular. Maria foi também salva por Jesus, mas antecipadamente. Deus, Senhor do tempo, aplicou os méritos futuros que Cristo obteria a Nossa Senhora, não deixando que ela se sujasse na lama do pecado. Quando somos batizados, Deus nos lava de toda sujeira que o pecado deixou em nós. No caso de Maria, Deus não permitiu, antecipadamente, que ela se sujasse.

Deus realizou esse importante milagre em Maria em virtude de sua grande vocação, que era ser Mãe de Deus e porta de entrada do Salvador a este mundo. Todas as vezes que Deus nos pede alguma coisa ou nos dá certa vocação, Ele também nos concede os meios para sermos fiéis a elas. Quanto mais difícil e importante a missão, mais graças Ele concederá. Se Maria recebeu a maior e mais importante vocação entre todas, a de ser a Mãe de Deus, mais dons e privilégios deveria receber para corresponder ao seu chamado. No momento da Anunciação, Deus deixou nas mãos de Maria o destino de toda a humanidade. Apenas após ela ter dito seu “sim” é que Jesus Se fez homem.

Dessa forma, em 8 de dezembro comemoramos esse grande privilégio concedido a Nossa Senhora, e pedimos a sua intercessão para que vençamos o pecado e busquemos, com afinco redobrado, permanecer e crescer na graça de Deus.

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