Na clausura, Irmãs Visitandinas rezam pelo fim da pandemia

Para as moradoras do número 208 da Rua Dona Inácia Uchoa, na Vila Mariana, na zona Sul de São Paulo, as atuais recomendações de isolamento social praticamente não provocaram mudanças na rotina. Afinal, este é o endereço do Mosteiro de Nossa Senhora da Visitação, da Ordem da Visitação de Santa Maria, as Irmãs Visitandinas, que, na clausura, levam uma vida contemplativa, com a missão de amar e fazer amar o Sagrado Coração de Jesus.

Na clausura, Irmãs Visitandinas rezam pelo fim da pandemia
Atualmente, 8 irmãs estão no mosteiro localizado na Vila Mariana, zona Sul

Atualmente, sete monjas e uma noviça vivem no centenário mosteiro na Vila Mariana,  inaugurado em agosto de 1915. A comunidade tem, ainda, duas noviças que estão em outra casa da Ordem, em Maracajá (SC). As Visitandinas mantêm também um mosteiro em Barbacena (MG). A Ordem da Visitação de Santa Maria foi fundada por São Francisco de Sales e Santa Joana Francisca de Chantal, em 1610, na França.

“O chamado isolamento social é parte da nossa vida, não como isolamento, mas como clausura. Tenho muita pena das pessoas que estão habituadas a todos os dias sair de casa, seja para o trabalho, seja para o estudo ou outras atividades, e agora estão impedidas disso. Tenho rezado por todas essas pessoas”, disse ao O SÃO PAULO a Irmã Maria Lúcia Soares de Jesus, que está no mosteiro desde 1997, após participar por 24 anos de uma congregação missionária.

Oração contínua

O dia a dia das irmãs é fortemente marcado pela oração, desde quando acordam, às 5h, até a hora de dormir, quase sempre após as 21h, seja em momentos específicos – Angelus, Laudes, Ofício das Leituras, Hora Média, Ofício das Vésperas, Oração das Completas, Santo Terço e a participação na Santa Missa –, seja ao longo de outras tarefas relacionadas à manutenção do mosteiro (leia detalhes ao final do texto).

“Nós temos a vida contemplativa, e o trabalho que fazemos é em meio ao silêncio. A nossa vida é de oração contínua. Trabalhamos com as mãos, mas o coração é orante, está sempre unido a Deus”, detalhou a Madre Maria José Conceição Silva, Superiora do mosteiro. Ela foi eleita para a função no capítulo da Ordem da Visitação, realizado no dia 2, com a participação do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo.

Precaução à COVID-19

Madre Maria José contou que as irmãs têm buscado se informar sobre o novo coronavírus – “é um meio de nos unirmos a todo o povo que está sofrendo” – e redobraram os cuidados quando é indispensável a realização de alguma atividade externa, como a ida à feira, ao supermercado, à farmácia ou ao banco.

“Evitamos que outras irmãs saiam para que não haja contaminação. Saímos uma funcionária e eu. Tomamos todos os cuidados: não encostamos em nada, usamos máscaras e, quando voltamos pra casa, tiramos nossas roupas e sapatos para não contaminar ninguém”, detalhou.

Nenhuma das irmãs é da cidade de São Paulo. Por isso, há o contato regular com os familiares, uma vez por mês, por telefone ou via WhatsApp, em período determinado. “As famílias também têm todos os nossos contatos e podem nos ligar ou nos repassar informações”, detalhou a Superiora.

Proximidade de Deus

Madre Maria José considera que, neste momento da humanidade, “a oração é primordial e deve ser intensificada ainda mais por todos” e que um aspecto positivo pode ser a maior aproximação das pessoas com Deus.

“A pandemia não é castigo de Deus. Muitos dos males que existem é o próprio homem que vai gerando, mas essas situações também nos permitem estar mais próximos de Deus e nos levam a saber que Ele é o dono da nossa vida. Nós não somos nada. Este é o momento de se voltar para Deus e pedir a sua misericórdia”, afirmou.

Assim também pensa a Irmã Tatiana Sjasins. “Deus está procurando fazer com que as pessoas se voltem mais para Ele. A própria Igreja coloca muitas atividades religiosas e celebrações pela internet para que as pessoas se aproximem de Deus”, comentou a religiosa nascida na Alemanha e que desde a infância percebeu o chamado para a vida contemplativa, mas somente pôde segui-lo, em 1988, após a morte dos pais.

A capela do mosteiro tem permanecido fechada, mas as irmãs não estão distantes dos que lhes pedem orações. “Pessoas amigas têm nos ligado querendo saber como estamos, saber se estamos doentes, se precisamos de algo material. Buscam notícias nossas e, ao mesmo tempo, querem partilhar dificuldades. Também pedem que rezemos por elas e é isso que temos feito”, disse a Irmã Maria Lúcia. “Não podemos nos desesperar, nem desanimar. Temos que segurar na mão de Deus, pedir forças e continuar a nossa caminhada, pois o amanhã será diferente”, afirmou.

Na clausura, Irmãs Visitandinas rezam pelo fim da pandemia
Mosteiro de Nossa Senhora da Visitação, das Irmãs Visitandinas, foi inaugurado em agosto de 1915

O DIA A DIA DAS IRMÃS VISITANDINAS

1) Despertar, às 5h;

2) Oração do Angelus, às 5h45, seguida do ofício das Laudes e participação na Santa Missa;

3) Café da manhã;

4) Aulas para as noviças e realização de tarefas cotidianas para as demais irmãs;

5) Ofício de Leituras, a partir das 10h55;

6) Leitura individual, às 11h30;

7) Oração do Angelus, seguida do almoço, às 12h;

8) Recreio, incluindo trabalhos manuais e de lazer, até às 13h45;

9) Reza da Hora Média, às 14h;

10) Descanso de aproximadamente 30 minutos, antes da retomada de afazeres e das aulas para as noviças;

11) Reza do Santo Terço, às 17h;

12) Ofício das Vésperas, às 17h30;

13) Oração do Angelus, às 18h, seguida de oração individual;

14) Jantar, às 18h45, seguido por recreio e outros trabalhos manuais;

15) Preparação da Liturgia do dia seguinte e canto, às 20h15;

16) Oração das Completas, às 20h30;

17) Repouso, iniciado entre 21h e 22h.

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Comentários

  1. Foi um grande presente de Deus para mim, chegar nessa página, até então desconhecido esse jornal para mim….mas se cheguei à esta matéria e que amo muitíssimo a Visitação sendo essa Comunidade a primeira que vivenciei e continua mesmo meu corpo estando fora, mas a minha alma ficou presa lá dentro, meu coração continua Visitandino, e se um dia, elas me aceitassem de volta, irei na mesma hora, sem pensar um único momento… aquela cruz que elas carregam no peito, espera por mim… eu confio..!!!

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