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Não flexibilize a prevenção contra a COVID-19

Não flexibilize a prevenção contra a COVID-19
Luciney Martins / O SÃO PAULO

O estado de São Paulo vivencia, desde o início de junho, uma quarentena mais flexível, permitindo que alguns setores da economia reiniciem o funcionamento de forma gradual. Ao longo dos últimos 30 dias, tem sido permitida a retomada do comércio e outros serviços
não essenciais, conforme a fase de flexibilização alcançada por uma região, tendo por base os indicadores de saúde a respeito do controle da pandemia de COVID-19.

Com a flexibilização do isolamento social, mais do que nunca é necessário manter – e até ampliar – os cuidados preventivos contra a contaminação pelo coronavírus, como o distanciamento social, uso de máscaras, lavagem das mãos com água e sabão e higienização com álcool em gel, nos mais diversos ambientes: centros comerciais, transporte público, local de trabalho e até mesmo em casa.

PELOS BAIRROS DA CAPITAL
Aline Santos Chagas é analista de Departamento Pessoal Generalista. No condomínio em que reside, na Vila Sônia, zona Oeste da capital, os moradores têm cumprido as regras impostas, como o limite de duas pessoas por uso do elevador (exceto quando da mesma família), restrição de visitantes por apartamento e nas dependências comuns aos domingos e feriados e uso da máscara. Entretanto, fora dele, a analista já presenciou festas e pessoas andando pelas ruas sem máscara.


Na Vila Formosa, zona Leste, onde mora Rita de Cássia Aparecida Francisco, a situação é semelhante. Mãe de Rafaela, 5, e Apolo, 1, ela leva os filhospara caminhar por 15 minutos, uma vez por semana, na calçada do condomínio onde mora. Costuma seguir os devidos cuidados, e diz testemunhar crianças nas ruas brincando sem proteção, pessoas circulando sem máscara ou fazendo uso incorreto do artefato, além de uma constante aglomeração de jovens em uma praça nas proximidades de sua residência, bem como um grande fluxo de entrada e saída dos condôminos. Isso tudo resulta em mercados cheios e filas sem o distanciamento indicado.

Letícia Dias, moradora da zona Noroeste, relatou que, na Avenida Edgar Facó, houve um aumento de pessoas praticando exercícios físicos, a maioria usando máscaras. Ela lamentou, porém, que tem havido aglomerações na entrada de estabelecimentos após a reabertura do comércio local. Enfermeira no Instituto do Coração (InCor), na região central, ela relatou que nos deslocamentos por transporte público,
as pessoas utilizam máscara, mas o distanciamento social é dificultado devido ao grande fluxo de passageiros.

Denise Morgado, editora, reside na Rua Augusta, próximo à Avenida Paulista, e contou que no início da quarentena, em março, o isolamento social foi respeitado. Nas últimas duas semanas, no entanto, o movimento de pessoas tem aumentado, sobretudo para a prática de exercícios físicos, em alguns casos sem máscara, mudança que ela atribui à reabertura do comércio.

SEM CUIDADO, RETROCESSO
A cidade de Belo Horizonte (MG) interrompeu o processo de flexibilização iniciado em maio, após bater recorde de mortes e crescente taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Desde a segunda–feira, 29 de junho, apenas serviços essenciais estão funcionando, e o uso de máscara tornou-se obrigatório na capital mineira.

A Prefeitura de Curitiba (PR) também recuou na flexibilização do comércio, após ver o número de casos triplicar na cidade. Em 1º de junho, havia 1.129 pacientes; já no dia 23, foram registrados 3.298 casos e 116 mortes. Outras capitais do Sul, como Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC), também tiveram que dar um passo atrás.

Blumenau (SC) registrava, em 13 de abril, quando o comércio e os shoppings foram autorizados a reabrir, 68 casos da doença. Dois meses depois, segundo os últimos dados do governo catarinense, a cidade tem 951 infectados pela COVID-19 e seis mortos. Medidas mais duras de isolamento passaram a ser adotadas na semana passada.

No Nordeste, cidades no estado da Bahia e a capital de Alagoas, Maceió, também precisaram retroceder nas medidas de flexibilização. No Ceará, cinco cidades iniciaram o lockdown, bloqueio total das atividades não essenciais, após os casos dispararem com a reabertura do comércio

PROTEÇÃO E CONFORTO

A máscara se tornou o item de proteção obrigatório e fundamental durante a quarentena, mas algumas pessoas afirmam sentir desconforto
ao utilizá-la.

Fabrizio Ricci Romano é médico otorrinolaringologista, presidente da Academia Brasileira de Rinologia (ABR) e diretor da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF). Ele aponta que, com o aumento da produção de máscaras de tecido, foram ampliadas as possibilidades de escolhas por modelos mais confortáveis, e lembra que é fundamental que a boca e o nariz
permaneçam completamente cobertos e que não haja vãos nas laterais. Além disso, a troca da máscara deve ser feita em, no máximo, duas horas, conforme orienta a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O médico também recomenda que as pessoas que sofrem de rinite alérgica ou outras causas de obstrução nasal consultem um otorrinolaringologista para obter orientações acerca do uso correto das máscaras.

Romano também indicou alguns cuidados quanto à sua correta utilização:
Evite tocar na parte de tecido da máscara, manuseando sempre pelas tiras.
Faça a higienização das mãos com água e sabão ou álcool em gel, com frequência, especialmente antes de colocar a máscara e depois de retirá-la.
Após o uso, deixe-a de molho por cerca de 20 minutos em uma solução com 10ml de água sanitária e meio litro de água; depois, lave-a individualmente com água e sabão. Não misture a máscara com as demais peças de roupa.

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