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Objetos que contam mais que histórias

Fotografias, moedas, medalhas e imagens fazem parte de um acervo que ajuda a manter vivas a memória e a fé

Objetos que contam mais que histórias

Manoel Joaquim Ribeiro do Valle nasceu no ano de 1946 e, assim como o pai, Marcos Ribeiro do Valle, formou-se médico radiologista. Viúvo, Kim, como é conhecido, tem quatro filhos e uma coleção de objetos, fotografias, livros, medalhas, moedas e outros itens (veja acima) que ajudam a contar e a manter viva a memória de sua história.

Kim é Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão na Paróquia Nossa Senhora do Brasil, comunidade da qual participa juntamente com seus filhos. “Meus pais me comunicaram um grande legado, sem impor nada, mas somente pelo exemplo, de valores religiosos que mantemos e queremos passar para nossos filhos e netos”, disse Kim à reportagem do O SÃO PAULO.

O altar caseiro, que fica localizado na sala de jantar da família, é um local de oração e partilha. Ali, imagens do século XVIII compõem com imagens modernas, como a de São Tiago, que Kim trouxe para casa após fazer, por 29 dias, o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. “Foi um itinerário de fé e de espiritualidade”, afirma o médico, que tem em seu acervo um Cristo que é atribuído à escola do mestre Aleijadinho ou pode até mesmo ter sido esculpido por ele.

“Além disso, tenho uma imagem do Divino Espírito Santo, do século XVIII, que pertencia à família da minha sogra, e imagens de diferentes lugares do mundo, que foram sendo adquiridas ou recebi de presente ao longo dos anos”, explicou Kim, que é membro remido da Sociedade Numismática Brasileira (SNB).

A SNB foi fundada em 19 de janeiro de 1924 e sua história teve início com as reuniões realizadas em uma sala emprestada do consultório de um dos sócios, o médico Raul Whitaker, na Rua São Bento, região central da capital paulista.

Muito mais que imagens

Objetos que contam mais que histórias
(Álbum de família de Manoel Joaquim Ribeiro do Valle – crédito: arquivo pessoal)


Na parede do escritório de Kim, as fotografias o recordam de todos os valores vividos pelos membros de sua família, sobretudo aqueles que o ajudam a manter vivas a fé e a esperança numa história que não termina aqui, mas continua na eternidade.

Sua família, que remonta ao Brigadeiro Luís Antônio – o qual nomeia uma importante avenida de São Paulo –, é composta por barões, como o Barão de Souza Queiroz e o Barão de Guaxupé, o qual tinha o mesmo nome que o menino nascido em 1946: Manuel Joaquim Ribeiro do Valle, e de quem Kim guarda um cartão de visitas.

Os avós de Kim, por sua vez, eram vizinhos de Dom José Gaspar e moravam no sítio que hoje abriga a Biblioteca Mu- nicipal, na Rua da Consolação.

“Minha mãe brincava naqueles jardins e meu avô foi membro da comissão que participou das obras de construção da Catedral Metropolitana da Sé”, informou.

Entre documentos, fotografias e memórias, Kim mantém uma coleção de medalhas e pensa, um dia, em expor to- das elas, sobretudo as que contêm imagens de santos.

“Tenho moedas de muitos papas e de santos que são pouco conhecidos, como, por exemplo, Santo Alessandro ou Nossa Senhora de Caacupé, Padroeira do Paraguai.

Entre os objetos mais antigos do acervo particular de Kim está uma moeda da república romana, que remonta ao ano 360 a.C., e o Dictionnarie Morale Conciona, de 1758.

“Além disso, tenho um livro que, em 1827, já falava sobre a questão da água no mundo – o ‘Tratado Prático e Compen- diário das Águas’, publicado em Lisboa”, explica Kim, que é um dos únicos membros de sua família a manter esses objetos antigos.

“Talvez um netinho meu, que parece ter gosto por essas ‘relíquias de família’, dê continuidade à nossa coleção”, disse o médico, ao garantir que, muito mais do que o valor material, os objetos o ajudam a se manter ligado a seus antepassados, que deixaram um grande legado não somente para a família, mas para toda a sociedade.

DICA DE LEITURA

Publicado pela editora SESI-SP, “Catálogo de Perdas”, com texto de João Anzamello Carrascoza e fotografias de Juliana Monteiro Carrascoza, é um livro inspirado no acervo do Museum of Broken Relationships (de Zagreb, capital da Croácia), que reúne, em exposições temporárias, relatos e objetos enviados por pessoas do mundo inteiro. Em ordem alfabética, a obra contém textos, fotografias de objetos e montagens que ajudam a falar sobre pequenas perdas, perdas definitivas, jamais esquecidas, e a difícil perda de pessoas queridas.

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