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‘Os pobres nos ajudam a acolher a companhia de Cristo’

Em mensagem para a Jornada Mundial deste ano, Papa Francisco propõe ‘estender a mão’ aos mais necessitados

‘Os pobres nos ajudam a acolher a companhia de Cristo’
Tenda montada pelo Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras) para distribuição de alimentos aos mais pobres (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Oração e serviço se completam e orientam a vida da Igreja. Em mensagem para a Jornada Mundial dos Pobres deste ano, o Papa Francisco propõe “estender a mão” aos mais necessitados. “Os pobres estão e sempre estarão conosco, para nos ajudar a acolher a companhia de Cristo na existência do dia a dia”, diz ele, em texto destinado à comemoração da data, criada pelo Pontífice, que este ano será em 15 de novembro.

O tema vem do Antigo Testamento (Eclo 7,32), no qual a pobreza é uma mazela muito presente, mas também um convite à plena confiança em Deus. O texto bíblico também recorda que a pobreza pode assumir “rostos diversos, que pedem atenção a cada condição especial”. Em todas as situações de pobreza, porém, “podemos encontrar o Senhor Jesus, que revelou estar presente nos seus irmãos mais frágeis”, diz a mensagem do Papa.

Oração e serviço

Por isso, é parte essencial da missão da Igreja, e de todo cristão, prestar serviço aos pobres. Nas palavras do Papa, contudo, não basta simplesmente a ajuda material.

“A oração a Deus e a solidariedade com os pobres e os sofredores são inseparáveis”, resume. É preciso celebrar, mas também reconhecer a Deus concretamente nas pessoas “mais indigentes e desprezadas”, que carregam em si “a imagem de Deus”.

E, por outro lado, “o tempo a dedicar à oração não pode jamais se tornar um álibi para se descuidar do próximo em dificuldade”, afirma o Papa Francisco. “É verdade o contrário: a bênção do Senhor desce sobre nós e a oração alcança o seu objetivo, quando são acompanhadas do serviço aos pobres”.

Mais que soluções, presença

Não é função da Igreja apresentar soluções permanentes para a pobreza, mas sim ser sinal de solidariedade, indo ao encontro dos pobres – diz o Papa. “Com a graça de Cristo, a Igreja oferece o seu testemunho e gestos de partilha”.

Ouvir e falar pelos pobres também é parte do caminho da Igreja. Ela “se sente obrigada a apresentar os pedidos dos que não têm o necessário para viver”, ou seja, “lembrar a todos o grande valor do bem comum é, para o povo cristão, um compromisso vital, que se concretiza na tentativa de não esquecer nenhum daqueles cuja humanidade é violada nas suas necessidades fundamentais”.

O clássico ensinamento do livro do Eclesiástico, portanto, é mais do que atual, na visão do Pontífice. “A generosidade que apoia o vulnerável, consola o aflito, mitiga os sofrimentos, devolve dignidade a quem dela está privado é condição para uma vida plenamente humana”, acrescenta Francisco. “A opção de prestar atenção aos pobres, às suas muitas e variadas carências, não pode ser condicionada pelo tempo disponível ou por interesses privados, nem por projetos pastorais ou sociais desencarnados”, diz.

Viver a pobreza evangélica

Outro aspecto importante, especialmente para o testemunho, é a coerência de vida: viver a chamada “pobreza evangélica” (que vem do Evangelho), isto é, além de acolher o pobre com simplicidade, viver de forma simples e respeitosa para os que têm pouco – afirma o texto.

Trata-se de “manter o olhar voltado para o pobre” e “imprimir a justa direção à nossa vida pessoal e social”. Deixar de “colocar sempre a si mesmo em primeiro lugar” e olhar mais para o mundo que está à nossa volta. Deixar de condicionar a solidariedade ao “tempo disponível” e prestar atenção aos ataques contra a vida humana.

“Não podemos nos sentir tranquilos quando um membro da família humana é relegado para a retaguarda, reduzindo- -se a uma sombra”, lamenta o Santo Padre. “O clamor silencioso de tantos pobres deve encontrar o povo de Deus na vanguarda, sempre e em toda parte, para lhes dar voz, defendê-los e solidarizar-se com eles”, acrescenta.

Indiferença e cinismo

Enquanto alguns lucram com a especulação financeira, o comércio de armas e o tráfico de pessoas, inclusive de crianças, “semeando a pobreza”, outros lutam contra essa “globalização da indiferença”, diz.

“Estender a mão ao pobre” é a resposta imediata. Significa agir concretamente, rompendo com dinâmicas que isolam os mais pobres e os impedem até mesmo de se sentirem parte da sociedade – reflete o Papa.

Muitos “conservam as mãos nos bolsos e não se deixam comover pela pobreza, da qual frequentemente são cúmplices”. São alimentados pela “indiferença e o cinismo”. A reação necessária contra isso é a generosidade.

“Quase sem nos dar conta, tornamo-nos incapazes de nos compadecer ao ouvir os clamores alheios, já não choramos à vista do drama dos outros, nem nos interessamos por cuidar deles, como se tudo fosse uma responsabilidade de outrem, que não nos incumbe”, critica ele.

As mesmas mãos que semeiam morte podem se transformar em “instrumentos de justiça e paz para o mundo inteiro.” E complementa Francisco: “O objetivo de cada ação nossa só pode ser o amor: tal é o objetivo para onde caminhamos, e nada deve nos distrair dele”.

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