Papa Francisco declara mártir a Irmã Maria Laura Mainetti

JOÃO FOUTO (ESPECIAL PARA O SÃO PAULO)

Religiosa foi morta no ano 2000 enquanto rezava por suas assassinas

Papa Francisco declara mártir a Irmã Maria Laura Mainetti
(Crédito: Vatican News)

Na sexta-feira, 19, o Papa Francisco autorizou a promulgação pela Congregação para a Causa dos Santos do decreto que reconhece o martírio da serva de Deus Maria Laura Mainetti, pertencente à Congregação das Filhas da Cruz.

Irmã Maria Laura nasceu em Colico, pequena vila da Lombardia, Itália, em 1939, com o nome de Teresina Mainetti, e foi assassinada no dia 6 de junho de 2000. Mais nova de dez filhos, com 18 anos ela entrou para a Congregação das Filhas da Cruz, que tem por modelo o Coração de Jesus crucificado e se dedica ao cuidado dos pobres.

Teresina, quando adolescente, já intuía a beleza de uma vida doada no amor, e aos poucos percebia que a estrada e a fonte dessa vida eram Jesus Crucificado. O convite feito por um sacerdote durante uma confissão foi decisivo: “da tua vida, deves fazer uma coisa bela para os outros”. Teresina o acolheu.

Em agosto de 1959, professou seus primeiros votos como Irmã Maria Laura e em 1960 fez os votos perpétuos. Em 1984, foi enviada para Chiavenna, também na Lombardia, onde se tornou superiora da comunidade.

“Era incansável: sempre atenta e leve, serena, como se impulsionada por uma força invisível e invencível. Sempre pronta a acolher, a arregaçar as mangas para servir, a desacomodar-se para levar ajuda e conforto onde era pedido e onde descobria uma situação de sofrimento, de pobreza, de privação de qualquer tipo. Amava todos, mas os seus ‘prediletos’ eram os últimos. Neles via o Cristo que sofre. ‘É o meu Jesus’”, testemunharam sobre ela as irmãs da comunidade.

Assassinato

No dia 6 de junho de 2000, com então 60 anos, a irmã foi esfaqueada até a morte por três adolescentes em um estacionamento de Chiavenna.

Maria Laura fora catequista das jovens, que a atraíram para o local dizendo que uma delas precisava conversar porque fora estuprada. Lá a fizeram ajoelhar-se. A irmã foi golpeada com um tijolo, debochada e esfaqueada 19 vezes. As três adolescentes, condenadas e presas, inicialmente disseram que se tratava de um jogo, mas depois admitiram que o assassinato fora parte de um ritual satânico.

As próprias assassinas admitiram que, enquanto morria, a Irmã dizia: “Aqui estou! Senhor, perdoa-as!”

Uma das irmãs, em testemunho escrito no site da Congregação, diz: “sobre a porta da capela a escrita: “entre para rezar, saia para amar” diz o sentido do seu empenho”,referindo-se à Irmã Mainetti.

De fato, sem a oração diária e silenciosa, a graça não vinga na alma de um cristão e ninguém encontra forças para viver a caridade. É necessária, portanto, alternar as obras com momentos dedicados à oração. Todavia, o martírio da Irmã Maria Laura ilustra uma verdade mais profunda: a oração e o amor estão destinados a se tornar uma só coisa. Ambos brotam de um coração enamorado por Cristo, ou melhor, transformado em Cristo. São como faces de uma mesma moeda. Maria Laura, no mesmo instante em que entregava a vida, rezava por seus algozes.

(Com informações da Agenzia Fides, National Catholic Register e site da Congregação das Filhas da Cruz)

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