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Diferentes entre si, Pedro e Paulo se unem pela fé em Cristo

NA SOLENIDADE DOS SANTOS QUE SÃO AS ‘COLUNAS’ DA IGREJA, PAPA FRANCISCO DEFENDE A ORAÇÃO COMO MAIOR INSTRUMENTO DE UNIDADE

Diferentes entre si, Pedro e Paulo se unem pela fé em Cristo
Papa Francisco preside missa na Solenidade de São Pedro e São Paulo, no Vaticano, no dia 29
Foto: Vatican Media

Apesar de suas diferenças, os santos Pedro e Paulo foram, juntos, os principais responsáveis por organizar e difundir a Igreja nos primeiros anos de sua existência. Na homilia da solenidade celebrada na segunda-feira, 29 de junho, o Papa Francisco destacou que, mesmo após “discussões animadas” sobre os rumos da comunidade cristã primitiva, São Pedro e São Paulo se uniram em torno do principal: a fé em Jesus Cristo, manifestada por meio da oração.

DIFERENÇA E UNIDADE

O relato sobre as divergências entre Pedro e Paulo está na Bíblia, como na Carta de São Paulo aos Gálatas (capítulo 2). Nela, São Paulo conta como seu ministério era diferente daquele dos outros apóstolos, porque ele anunciava a mensagem de Cristo aos pagãos (chamados de “gentios”, ou seja, os povos que não eram israelitas), e não somente aos judeus da época (os “circuncisos”, como Jesus). Já Pedro estava focado nos judeus e defendia que alguns costumes dos judeus fossem preservados entre os cristãos.

Paulo conta, então, que enfrentou Pedro “face a face”, e diante de todos, questionou-o por essa ênfase no povo judeu. Por fim, no entanto, chegaram a um acordo “mediante a fé em Jesus Cristo”, e Paulo teve seu ministério reconhecido por Pedro.

O Papa Francisco comentou este relato: Pedro e Paulo “eram duas pessoas entre as mais diferentes, mas se sentiam irmãos”, disse ele. O que os unia era a fé em Cristo.

A ORAÇÃO COMO VÍNCULO

Esse vínculo que os mantinha unidos ficou evidente mais adiante, quando, no fim de sua vida, Pedro foi preso por causa da fé, e a comunidade cristã “parecia decapitada” sem o seu líder. A Igreja, porém, “rezava incessantemente a Deus por ele”, lembra o Papa. Já o apóstolo Tiago havia sofrido o martírio.

“Até nesse momento trágico, ninguém fugiu, ninguém pensava em salvar a própria pele, ninguém abandona o outro, mas todos rezam juntos. Da oração, alcançam coragem, da oração vem uma unidade mais forte do que qualquer ameaça”, afirma. “A unidade é um princípio que se ativa com a oração, porque a oração permite ao Espírito Santo intervir, abrir à esperança, encurtar as distâncias, manter-nos juntos nas dificuldades.”

CHEGA DE QUEIXAS

Mais do que reclamar de tudo o que está errado no mundo à sua volta, o cristão deve rezar, exortou o Papa. Somente assim será possível “fazer profecia” e testemunhar o Evangelho no cotidiano.

“É inútil, e até chato, que os cristãos percam tempo reclamando do mundo, da sociedade, daquilo que não está bem. Essas pequenas queixas não mudam nada”, disse, notando que até quando os primeiros cristãos eram perseguidos, não se fechavam em reclamações dramáticas sobre o mal.

Nas palavras do Papa, essas queixas vazias fecham a ação do Espírito Santo, assim como o narcisismo e o pessimismo. “Aqueles cristãos não culpavam os outros, mas rezavam. Naquela comunidade ninguém dizia ‘se Pedro fosse mais cuidadoso, não estaríamos nessa situação’. Ninguém”, recorda. “Não falavam de Pedro pelas costas, mas falavam com Deus. E nós, hoje, podemos nos perguntar: Cuidamos da nossa unidade com a oração, da nossa unidade da Igreja?” O Santo Padre completou que é característica marcante dos cristãos rezar pelos outros, mesmo quando não há concordância de ideias, e rezar, inclusive, pelas autoridades.

“Os governantes precisam da oração. É um dever que o Senhor nos confia. Nós o fazemos? Ou falamos, insultamos e basta?”, alertou. “Só a oração rompe as correntes, como com Pedro. Só a oração abre caminho para a unidade.”

BÊNÇÃO DOS PÁLIOS

É tradição que na Solenidade de São Pedro e São Paulo, padroeiros de Roma, o Papa abençoe e distribua os pálios aos novos arcebispos metropolitanos. Os pálios são uma faixa de lã que os arcebispos usam nos ombros, simbolizando o Cristo Bom Pastor e o seu vínculo direto com o Bispo de Roma, isto é, o Papa.

Neste ano, por causa da atual pandemia, os pálios serão enviados aos arcebispos nomeados ao longo do último ano e lhes serão impostos em suas dioceses. Entre os brasileiros que os receberão estão o Cardeal Sérgio da Rocha (Salvador, BA), Dom Josafá Menezes da Silva (Vitória da Conquista, BA), Dom Irineu Roman (Santarém, PA) e Dom Leonardo Ulrich Steiner (Manaus, AM). Durante a missa, o Papa entregou e impôs, de forma representativa, o pálio apenas sobre o novo Decano do colégio cardinalício, o Cardeal Giovanni Battista Re.

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