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Gesto concreto da CF, Coleta Nacional da Solidariedade será realizada no dia 29

Gesto concreto da CF, Coleta Nacional da Solidariedade será realizada no dia 29 - Jornal O São Paulo

Católicos em todo o Brasil têm um compromisso no final deste mês: participar da Coleta Nacional da Solidariedade, no Domingo de Ramos, dia 29, em todas as paróquias e comunidades. Trata-se de um dos gestos concretos de conversão quaresmal proposto pela Campanha da Fraternidade (CF), que este ano tem como tema “Fraternidade e Moradia”. 

Na cerimônia de lançamento da CF 2026, em fevereiro, o Padre Jean Poul Hansen, Secretário-Executivo das Campanhas da CNBB, destacou que a CF propõe aos fiéis cinco ações fundamentais: assumi-la nas comunidades; intensificar a oração pelos que sofrem com a falta de moradia; praticar o jejum que se converta em solidariedade; fortalecer a ação sociopolítica; e participar da Coleta Nacional da Solidariedade. 

“Sejamos generosos. Convertamos o nosso jejum em uma esmola que pode fazer a diferença. Talvez do seu jejum quaresmal você possa contribuir com R$ 50, por exemplo. Este valor, somado aos outros R$ 20, R$ 30, R$ 40, R$ 50 oferecidos em todo o Brasil na Coleta Nacional da Solidariedade, fará uma grande diferença para quem sofre”, enfatizou o Padre Jean Poul. 

COMO SÃO DISTRIBUÍDOS OS VALORES COLETADOS? 

Toda paróquia deverá repassar à sua diocese a íntegra do que arrecadar na Coleta Nacional da Solidariedade nas missas do Domingo de Ramos e nas celebrações vespertinas de 28 de março. Na sequência, caberá à diocese/arquidiocese destinar 40% deste total ao Fundo Nacional de Solidariedade (FNS). Os 60% restantes nela permanecem para compor o Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS). 

O FNS foi criado em 1998, durante a 36° Assembleia Geral da CNBB, e é gerido por um conselho gestor para ser aplicado em ações e projetos sociais nos âmbitos nacional, regional e local, com o acompanhamento do Departamento Social da CNBB. Já o FDS é de responsabilidade de cada diocese. 

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Projeto “Luz que Acolhe” que recebeu recursos do Fundo Nacional de Solidariedade em 2025

QUAIS OS CRITÉRIOS DE SELEÇÃO DOS PROJETOS DO FNS? 

Encerrado o período da Campanha da Fraternidade, a CNBB publica o Edital do FNS, especificando as normas para que as instituições possam inscrever projetos. 

Conforme detalha o texto-base da CF 2026, “são priorizados os projetos que estão em sintonia com os objetivos gerais e específicos da Campanha da Fraternidade, de cunho essencialmente social, de defesa incondicional da vida e dos princípios cristãos”. A aplicação dos recursos leva em conta aspectos técnicos, administrativos e jurídicos, e se exige das instituições “o acompanhamento das realidades sociais e humanitárias, da lelegislação brasileira e das orientações doutrinais da Igreja Católica no Brasil”. 

Podem inscrever projetos no FNS entidades sociais sem fins lucrativos, confessionais ou não, com sua situação fiscal regular e que estejam habilitadas a trabalhar com a temática proposta pela CF, no caso deste ano, “Fraternidade e Moradia”. 

SOLIDARIEDADE DE NORTE A SUL 

Conforme dados do Departamento Social da CNBB, em 2025 foram cadastradas 779 iniciativas no Fundo Nacional de Solidariedade, sendo 280 consideradas aptas. Destas, 234 tiveram aprovação para receber recursos do FNS. O montante destinado foi de R$ 7.236.241,90, beneficiando diretamente mais de 201 mil pessoas, e de forma indireta outras 717,5 mil pessoas. 

Alinhados ao tema da CF 2025 – “Fraternidade e Ecologia Integral” – os projetos contemplados se inseriram nos eixos temáticos “Apoio a vítimas de catástrofes, crimes ambientais e ações de restauração ambiental”; “Economia alternativa e transição energética” e “Formação para uma ecologia integral”. 

No site da CNBB (www.cnbb.org.br) há algumas reportagens a respeito das iniciativas contempladas com o FNS em 2025. Em Lucélia (SP), por exemplo, o Lar São Vicente de Paulo, que se dedica ao acolhimento e cuidado de pessoas idosas, recebeu apoio para o projeto “Luz que Vem do Alto”, a fim de ampliar seu sistema de energia solar fotovoltaica. 

Na Diocese de Cametá (PA), a Paróquia São José das Ilhas obteve recursos do FNS para o projeto “Hidrovia Araguaia-Tocantins: Um Projeto de Morte”, que por meio de atividades formativas e missionárias, entre as quais círculos bíblicos, buscou conscientizar a população sobre possíveis impactos que a construção da hidrovia pode causar ao meio ambiente local. 

Outro projeto contemplado foi o da Associação de Voluntários Patrulha Ecológica, de Brasília (DF), uma organização sem fins lucrativos e apartidária, que atua na conservação do bioma Cerrado. Com o recurso que recebeu do FNS, a entidade formou voluntários da comunidade e de entidades parceiras para ações de preservação e de sensibilização a respeito de queimadas e demais cuidados com o meio ambiente. 

No texto-base da CF 2026 há detalhamentos sobre o FNS em 2024: dos cerca de R$ 8,268 milhões obtidos por meio da Coleta Nacional da Solidariedade naquele ano, R$ 6,335 milhões (cerca de 76%) foram investidos em 227 projetos sociais que beneficiaram 89 mil pessoas de modo direto e 222 mil de modo indireto; R$ 516,78 mil foram utilizados para a manutenção do Departamento Social da CNBB (6,25%) e R$ 480 mil (5,8%) para a produção e distribuição dos envelopes da CF 2025. 

Em relação ao envio e distribuição de verbas do FNS em 2024, o Regional Norte 1 da CNBB, que engloba as dioceses nos estados de Manaus e Roraima, foi o que mais recebeu recursos, R$ 418,714,05; já o Regional que mais contribuiu com o Fundo foi o Sul 1, composto pelas dioceses do estado de São Paulo, com R$ 2.045.749,21 (24,74% do total). 

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Projeto apoiado pelo Fundo Nacional de Solidariedade leva energia solar ao Santuário da Penha, em João Pessoa

ERRADICAÇÃO DA VULNERABILIDADE E DO RISCO SOCIAL 

Em entrevista ao site da CNBB, o Padre Jean Poul ressaltou que “é importante mostrar às pessoas onde os recursos do Fundo Nacional de Solidariedade são investidos por uma questão de transparência e de prestação de contas. A Igreja, que é fermento do Evangelho na sociedade, deve dar o exemplo”. 

No site de Campanhas da CNBB – https://campanhas.cnbb.org.br – a conferência episcopal destaca que os Fundos de Solidariedade “tem por objetivo promover a erradicação de vulnerabilidade e risco social, ao atenderem projetos com dificuldade de obterem financiamento, não obstante os grandes benefícios que propiciam às populações carentes. A metodologia adotada na concessão de recursos dos Fundos intenta o desenvolvimento local/comunitário, econômico e social, sobretudo das regiões mais necessitadas, mediante o fortalecimento das organizações comunitárias, de processos de formação cidadã e geradores de renda”. 

A consulta dos projetos contemplados no FNS pode ser feita em https://fns.cnbb.org.br

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