
A partir de portaria publicada pela Presidência do IBGE, foi lançado o site do Grupo de Trabalho Memória e História (GTMH/IBGE), que terá como missão a sistematização e a disseminação de conhecimentos relativos à Documentação Histórica do Instituto — tendo como meta inicial o recorte histórico do período do Regime Militar (1964-1985).
De caráter permanente, o grupo é constituído por quatro membros titulares, com representantes da Presidência do IBGE, do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI), da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) e de uma instituição de ensino superior. Na portaria que institui o GTMH, foram nomeados os seguintes membros: Denis Maracci Gimenez, assessor da Presidência do IBGE; Jose Daniel Castro da Silva, coordenador-geral do CDDI; Jorge Abrahão de Castro, coordenador-geral da ENCE; e Adair Leonardo Rocha, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Segundo o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, o Grupo de Memória e História vai desempenhar papel estratégico na preservação, organização e difusão da história institucional do Instituto. “Assegura que o conhecimento acumulado ao longo de décadas de produção estatística e geográfica não se perca com o tempo. Ao fortalecer a identidade institucional, promove a transparência pública e qualifica a reflexão crítica sobre a evolução das políticas de informação no país, permitindo que o passado não esteja isolado das decisões presentes e futuras na construção de estatísticas oficiais e geociências de interesse nacional em plena Era Digital”, ressaltou.
O primeiro objeto de trabalho do GT, definido também em portaria, consiste na sistematização e a disseminação de conhecimentos relativos à Documentação Histórica do IBGE durante o período do Regime Militar (1964-1985), tratando de temas como a Reforma Administrativa de 1967 e o alinhamento à tecnoburocracia do regime; o papel do IBGE no planejamento desenvolvimentista e a realização dos Censos de 1970 e 1980; o conflito entre a autonomia técnica e a interferência política, com destaque para o caso do Estudo Nacional de Despesa Familiar – ENDEF; o impacto do clima de repressão e da Doutrina de Segurança Nacional no corpo técnico e nos servidores do Instituto; e ainda, a identificação de eventuais servidores e familiares alvos de arbitrariedades e perseguições durante o regime.
O professor Adair Leonardo Rocha, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), destacou a importância da iniciativa. “A memória sela, certamente, o compromisso com a história. Nesse sentido, uma Instituição que se encarrega de juntar e sistematizar os dados que refletem a vida e o seu cotidiano, é reveladora da potência e dos conflitos presentes no processo histórico. O que aconteceu nos anos de ditadura no Brasil e sua interferência sobre as Instituições e pessoas, exigem do IBGE essa quase reparação traduzida em Memória Viva”.
Site reúne informações históricas

O site lançado pelo IBGE reunirá informações referentes à memória institucional e às pesquisas em desenvolvimento. A plataforma disponibilizará notícias, documentos, relatos enviados pelo público, além dos eixos temáticos que estruturarão o trabalho do GTMH. O ambiente é organizado em cinco menus:
Início
Notícias
Envie seu Relato
Temas (onde ficam os eixos temáticos do projeto)
Documentos
Com base em documentos do próprio IBGE — como relatórios, publicações, atas e depoimentos — e em fontes acadêmicas, o site também abre espaço para o envio de informações, registros e documentos relacionados à atuação do Instituto no período do regime militar. As contribuições podem ser feitas por servidores, ex-servidores, aposentados e pela sociedade em geral, por meio de formulário no site que pode ser acessado pelo link https://www.ibge.gov.br/memoria-historia/.
Participação da sociedade
A participação do público no envio de relatos é essencial para ampliar o entendimento sobre a atuação do IBGE durante o período da ditadura militar. Criado por meio da Portaria IBGE n.º 1717, de 11 de dezembro de 2025, o Grupo de Trabalho Memória e História (GTMH/IBGE) considera essas contribuições fundamentais para preencher lacunas documentais, oferecer novas perspectivas e recuperar experiências que não aparecem nos registros formais. Esse material qualificará a pesquisa histórica conduzida pelo grupo, fortalecerá a preservação da memória institucional e garantirá que diferentes vozes integrem o processo de reconstrução desse capítulo da história brasileira.





