No Domingo de Ramos, católicos participam da Coleta Nacional da Solidariedade

Divulgação

No final de semana do Domin­go de Ramos, dias 12 e 13 de abril, os católicos de todo o Brasil são convidados a participar da Coleta Nacional da Solidariedade. Essa iniciativa representa o gesto con­creto da Campanha da Fraternida­de, que, em 2025, tem como tema “Fraternidade e Ecologia Integral”.

A coleta tem um propósito claro: transformar a solidarieda­de em ações concretas em prol dos mais necessitados. Do total arrecadado, 60% permanecem na diocese local, compondo o Fun­do Diocesano de Solidariedade (FDS), enquanto 40% são desti­nados ao Fundo Nacional de So­lidariedade (FNS), administrado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ambos os fundos têm o compromisso de financiar projetos que buscam erradicar situações de vulnera­bilidade e fomentar o desenvol­vimento econômico e social das comunidades.

Criado em 1998, durante a 36ª Assembleia Geral da Conferên­cia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o FNS é gerido por um conselho gestor e pelo Departa­mento Social da CNBB, enquanto o FDS é administrado diretamen­te pelas dioceses. Essas estruturas garantem que os recursos sejam aplicados em projetos que, muitas vezes, não conseguem obter finan­ciamento tradicional, mas que ge­raram grandes benefícios para as popula­ções em situação de risco social.

O Cardeal Jaime Spengler, Arcebis­po de Porto Alegre (RS) e Presidente da CNBB, destaca que a coleta é uma ma­nifestação concreta da fé cristã: “O povo brasileiro é generoso e acredita naquilo que o Evangelho nos pede: cuidar e pro­mover a vida, afinal somos todos irmãos”.

COMO FUNCIONA?

A CNBB, responsável pela Campa­nha da Fraternidade e pela Coleta Na­cional da Solidariedade, também admi­nistra os recursos do FNS. O processo de recebimento, análise e acompanhamento dos projetos é conduzido pelo Departa­mento Social da CNBB em conjunto com o Conselho Gestor do FNS.

Desde 2018, o FNS disponibiliza um site em que é possível acompanhar e saber como anda a evolução da presta­ção de contas dos projetos, por meio do Portal da Transparência. O acesso pode ser feito pelo site: www.fns.cnbb.org.br. Nele, há uma relação completa dos pro­jetos aprovados.

A CNBB também presta contas ao Ministérios da Cidadania e Justiça, Mi­nistério Público e ao Conselho de Assis­tência Social (CAS).

Para pleitear recursos, as instituições interessadas devem se cadastrar no sis­tema disponível no site do FNS e pre­encher eletronicamente todos os dados solicitados. O projeto enviado passa por uma análise criteriosa e só será avaliado se possuir a carta de anuência do bispo diocesano e atender às normas estabele­cidas no edital do FNS, publicado após o encerramento do período da Campanha da Fraternidade de cada ano.

Podem participar desse processo qualquer (arqui)diocese, paróquia, co­munidade, pastoral, fundação, associa­ção ou organização não governamental com finalidade humanitária e social, ali­nhada aos valores da defesa da vida e dos princípios cristãos. As entidades também precisam estar regularmente inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ) e com situação fiscal em dia.

Projetos apoiados em anos anteriores só podem concorrer novamente caso a prestação de contas dos recursos recebi­dos tenha sido aprovada. Do contrário, ficam impedidos de apresentar novas propostas por cinco anos.

REDE DE CARIDADE

Fazenda da Esperança

Segundo o Padre Jean Poul Hansen, Assessor do Setor de Campanhas da CNBB, o processo de avaliação dos pro­jetos inscritos é uma oportunidade de conhecer as obras de caridade e solida­riedade realizadas pela Igreja no Brasil por todos os cantos do País.

“É muito bonito ver, por meio dos óculos do FNS, essa Igreja em ação na solidariedade”, afirmou. Padre Jean Poul destacou que, por meio do FNS, a CNBB colabora com o apoio a esses serviços e ao trabalho das entidades que atuam ar­duamente na promoção da caridade da Igreja.

Em 25 anos de existência, o FNS já apoiou mais de 5 mil projetos em todo o País. Somente em 2024, foram cadas­tradas 677 iniciativas para concorrer aos recursos, das quais 238 foram apro­vadas, totalizando um repasse de R$ 6.551.121,54.

Os projetos selecionados pelo FNS em 2024 foram distribuídos em três ei­xos estratégicos, conforme os ob­jetivos da Campanha da Fraterni­dade daquele ano. O primeiro eixo abrangia 110 projetos que visavam à reconstrução do tecido social, promovendo comunhão, reconci­liação e fraternidade. O segundo destinava-se ao apoio e integração social de migrantes, refugiados e povos tradicionais, beneficiando 16 iniciativas. O terceiro eixo foi voltado para ações emergenciais, como promoção da geração de emprego e renda, atendendo a 112 projetos.

PROJETOS

Uma dessas iniciativas é o “Projeto de Integração local e so­cial de Migrantes e pessoas em situação de refúgio”, desenvolvido pelo Centro de Integração do Mi­grante (CIM), de São Paulo (SP), ligado às Irmãs Servas do Espíri­to Santo. A iniciativa oferta, no período de um ano, atendimento humanizado e escuta acolhedora a 350 migrantes e pessoas em si­tuação de refúgio que chegam à capital paulista, de modo a favore­cer a regularização migratória e o acesso a direitos. Outro projeto foi a Associação dos Deficientes Visuais, que ofe­rece atendimento gratuito a mais de 250 pessoas com deficiência visual de mais de 40 municípios, e indiretamente a 1.035 pessoas, numa atuação que vai de Ribeirão Preto (SP) ao Sul de Minas Gerais. O foco é a autonomia, atividades como alfabetização em braile, orientação, mobilidade e terapia ocupa­cional. O FNS apoiou o projeto com a compra de 100 jogos de mesa a fim de adequar melhor o espaço usado pelos educandos e com três computadores para a sala de informática com equipa­mentos compatíveis aos softwares que as pessoas com deficiência visual precisam.

Também foram beneficiados com valores da coleta de 2024 organizações como o Amparo Maternal, a Fazenda da Esperança e a Rede Rua, além das Pasto­rais do Menor e do Migrante.

Dom Ricardo Hoepers, Bispo Auxi­liar de Brasília (DF) e Secretário-geral da CNBB, enfatizou a amplitude do impac­to da Coleta da Solidariedade e sua im­portância para a organização de grupos em torno de projetos sociais alinhados ao tema da Campanha da Fraternidade. “É uma grande alegria. Para nós, isso mostra o quanto a Campanha da Fra­ternidade vem crescendo e o quanto a consciência do Fundo Nacional de So­lidariedade está trazendo para as comu­nidades, dioceses e regionais um maior envolvimento e compromisso com este grande projeto”, afirmou.

Deixe um comentário