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Seminaristas da Arquidiocese relatam experiência vocacional-missionária em Palmas (TO)

Seminaristas da Arquidiocese relatam experiência vocacional-missionária em Palmas (TO) - Jornal O São Paulo
Arquivo pessoal

Entre 12 e 24 de janeiro, aconte­ceu em Palmas (TO), a 2ª Experiên­cia Vocacional-Missionária Nacio­nal de Seminaristas “Pés a Caminho”, iniciativa que congregou 200 semi­naristas de todo o Brasil para uma missão nas dioceses do Regional Norte 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Promovida pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM) e pelo Conselho Missionário de Seminaristas (Comise), em parceria com a Arquidiocese de Palmas, a experiência consistiu em três fases principais.

Nos primeiros quatro dias, os participantes receberam, na cidade de Palmas, uma formação sobre a realidade eclesial e socioeconômica da região, além de refletirem sobre os fundamentos bíblico-teológicos da missão. A programação também contou com diversos momentos de convivência e partilha, que propiciaram um sadio intercâmbio entre seminaristas de todos os cantos do País.

Em seguida, entre os dias 15 e 22, eles foram enviados para os respectivos locais de missão: a Arquidiocese de Palmas e as Dioceses de Porto Nacional, Miracema e Cristalândia, no estado do Tocantins, além da Diocese de Santíssima Conceição do Araguaia (PA) e da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT). Chegando às dioceses de destino, os missionários foram divididos em equipes menores, tipicamente quartetos, para serem alocados em suas paróquias ou áreas de missão.

Finalmente, dos dias 22 a 24, os seminaristas, de retorno a Palmas, fizeram a avaliação da experiência, e encerraram a programação com um jantar festivo, reunindo culinária e música popular regional. Os seminaristas Gil Pierre Herck e Rafael Manente, do Seminário de Teologia Bom Pastor da Arquidiocese de São Paulo, relataram suas experiências de missão ao O SÃO PAULO (leia abaixo).

‘As comunidades rurais me marcaram muito, pois são o extremo da realidade da metrópole paulistana’

Seminaristas da Arquidiocese relatam experiência vocacional-missionária em Palmas (TO) - Jornal O São Paulo

A experiência missionária em To­cantins me ajudou a conhecer as diver­sas realidades de missão da Igreja no Brasil. Nunca havia viajado ao Norte do País e, muito menos, visitado locais tão distantes e pacatos quanto Lizarda, no Tocantins, uma cidade com ape­nas 3 mil habitantes próxima da divisa com o estado do Maranhão.

O primeiro contato foi de impres­sionar. Uma cidade tão pequena e si­lenciosa, na qual cada pessoa parece ter sua função a contribuir com aquela comunidade. Todos se conhecem e, caso haja alguma dúvida, facilmente se identificam com um “sou filho de fu­lano”. Assim, nesse ambiente, a Igreja Católica se faz presente com uma pa­róquia e cinco comunidades rurais sob os cuidados do Padre Evandro Gon­çalves.

A dedicação e desejo de servir deste recém-chegado Sacerdote me surpreenderam. Para chegar a cada comunidade, demorávamos, em mé­dia três horas de viagem em estrada de terra. Dormíamos na casa de algum paroquiano local e na manhã seguinte seguíamos viagem para a próxima comunidade. Mesmo assim, não conseguimos visitar todas elas. As comunidades rurais me marcaram muito, pois são o extremo da realidade da metrópole paulistana. Já não estávamos mais em pequenas cidades como Lizarda, mas em verdadeiros vilarejos com cerca de duzentos habitantes, localizados a seis horas do hospital mais próximo, contendo apenas uma pequena capelinha e uma escola. A visita do sacerdote e a missa era o evento da região. Muitas dessas comunidades já se encontravam com uma fé viva, e poder participar deste momento com eles foi um privilégio. Foi um grande e enriquecedor testemunho poder acompanhar o Padre Evandro em seu belo serviço sacerdotal aos fiéis de regiões tão longínquas e esquecidas.

Rafael Penteado Manente
Missão em Lizarda (TO)

‘Apesar das limitações, foi encorajador testemunhar a fé do povo e do sacerdote’

Seminaristas da Arquidiocese relatam experiência vocacional-missionária em Palmas (TO) - Jornal O São Paulo

Foi uma experiência muito rica! Um primeiro ponto muito positivo foi o convívio com a famí­lia que nos acolheu calorosamen­te, em Palmas, a mim e a mais sete seminaristas do interior de São Paulo, do Paraná e do Rio Grande do Sul. É uma família de gaúchos que migraram ainda no início dos anos 1990, entre os primeiros que vieram para construir a capital do estado criado em 1989.

Outro ponto que destacaria foram os dias que passei propria­mente em missão, na paróquia em Mateiros (TO). É impressio­nante como o dia a dia sacerdotal é diferente em relação ao que já conhecia de uma grande cidade como a nossa – começando pela dificuldade de acesso: são seis horas até a capital, com trechos de estrada de terra acidentada, em que só passam caminhonetes com tração.

A cidade de Mateiros em si não é grande. Também é muito pacata e praticamente todos se conhecem. O Padre Agnaldo Alves, Pároco, também atende capelas espalhadas na região: quilombolas, fazendas e até uma comunidade chamada Vila Panambi, já na divisa com a Bahia. Apesar das limitações, foi encorajador testemunhar a fé do povo e do sacerdote e fazer amizade com os demais seminaristas que estiveram em missão comigo, de Parintins (AM), Araguaína (TO) e Cuiabá (MT).

Gil Pierra de Toledo Herck
Missão em Mateiros (TO)

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