Semana passada, fomos chamados para falar para um grupo de pais sobre a educação dos filhos e as redes sociais.
O tema não é novo, mas não há consensos. A quantidade de vídeos alarmistas de “especialistas” sobre os infinitos perigos, em centenas de locais da internet, jogos e sites tem aumentado muito.
Mas vale lembrar que: “Nem sempre, quem avisa, amigo é!”. Muitas vezes, o próprio alarde é uma forma de conseguir curtidas e seguidores, sem qualquer compromisso ou interesse pelas crianças.
Com tudo isso, encontramos pais em pânico. É difícil entender o que está acontecendo, e impossível administrar e controlar tantas coisas, tantas brechas.
A partir da década de 1990, apreensivos com os “perigos do mundo”, os pais foram levados a uma decisão marcante e que afetou a história: “As crianças não podem mais brincar na rua nem se divertirem sem a supervisão de um adulto.” Praticamente todos os pais concordam com isso.
O temor dos pais, aos poucos, se tornou uma superproteção doentia. Com a conveniente chegada dos smartphones, aquele telefone que faz centenas de coisas, inclusive ligar para outra pessoa, o cenário estava montado. Os dispositivos se tornaram como que “chupetas virtuais” e “babás e eletrônicas”, e sem ressalvas foram entregues às crianças para que os pais pudessem ter alguma paz.
Como consequência, hoje cerca de 40% das crianças de 2 anos nos Estados Unidos possuem o seu próprio iPad.
As empresas de tecnologia, como seria de se esperar, não perderam tempo e aproveitaram o cenário para ganhar muito dinheiro enquanto os papais ficavam tranquilos.
Hoje, os jovens acumulam depressões, tristeza e casos de desejos de automutilação ou suicídio, e essa conta está voltando para a sociedade pagar. E nós estamos, de certa forma, atônitos e passivos diante dessa ameaça. Mas é preciso reagir, e rápido.
Apresentamos aos pais a nossa visão: as redes sociais não são o problema, o problema é como estamos educando os nossos filhos. Muitos deles passarão a infância sem subir em uma árvore, machucar o braço ou ralar os joelhos.
Tudo foi feito para que nada dê errado para as crianças. Olhemos os brinquedões que temos em nossos prédios: parecem um aparelho de reabilitação no qual não há riscos, não há medo de cair, não há como burlar o percurso.
Tornamo-nos superprotetores para as coisas reais e deixamos nossos filhos absolutamente soltos e sem controle na terra do inimigo digital.
Estamos agindo de forma equivocada para o veneno das redes sociais: não se trata de dosagem, mas de antídoto. O que estamos fazendo é controlar o quanto nossos filhos conseguem absorver sem serem infectados por completo.
O antídoto que nossos filhos mais precisam é a família, a atenção e o amor dos pais e a fé em Deus. Ah sim, sem Ele será impossível vencer essa luta desigual. E Ele nos ajudará.
Lembro da passagem de Marcos que diz “e eles beberão veneno, e isso não lhes fará mal”. Sei que o assunto ali era outro, mas me serve de consolo.
Que Deus nos ajude a sermos o que Ele espera, à sombra do Altíssimo e que, ao final, possamos ser contemplados com a coroa da vida eterna.





