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Alegria 

Alegria e felicidade são sinônimos, embora apresentem diferenças entre seus conceitos, tais como: a alegria é mais relacionada à emoção momentânea, passageira, que surge em situações específicas, geralmente associadas a boas notícias, momentos divertidos e ao entusiasmo de um acontecimento. Já a felicidade reporta um estado mais duradouro, marcado por sensação de plenitude. Ela não depende exclusivamente de acontecimentos externos, mas se fundamenta internamente em valores, virtudes, equilíbrio emocional e no sentido que cada um atribui à própria vida. 

Para os filósofos gregos, alegria e felicidade podiam significar tanto o atendimento das necessidades básicas quanto a vivência de uma vida pautada pela moderação e simplicidade. Para Sêneca, o filósofo romano, a verdadeira alegria – ou felicidade – é alcançada na virtude, de uma mente serena e do foco no presente, independentemente dos bens externos ou riquezas. 

A promessa de Jesus narrada por João (Jo 16,20) é: “…ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria”. O Sermão da Montanha (Mt 5,3-12), o mais belo sermão e que o Papa Francisco chamava de GPS do cristão diz: “…felizes os aflitos; os que têm fome e sede de justiça; os que forem perseguidos por causa da justiça; os que forem injuriados por causa de mim. Alegrais-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus.” 

Assim inicia o documento Gaudium et Spes – Alegria e Esperança – do Concílio Vaticano II: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração.” 

E há na Gaudium et Spes uma citação de São João XXIII que ainda é muito atual: “Isto exige, em primeiro lugar, que, reconhecendo toda a legítima diversidade, promovamos na própria Igreja a mútua estima, respeito e concórdia, em ordem a estabelecer entre todos os que formam o Povo de Deus, pastores ou fiéis, um diálogo cada vez mais fecundo. Porque o que une entre si os fiéis é bem mais forte do que o que os divide: haja unidade no necessário, liberdade no que é duvidoso, e em tudo caridade.” 

Não há alegria ou felicidade com o coração angustiado pelo acirramento de disputas de qualquer espécie; de divisões geradas por diversos modos de pensar; do sentimento de ódio estimulado pela polarização política ou de outra origem. 

No dia a dia, na cidade de São Paulo, caracterizada pelo corre-corre, longas distâncias entre a casa e o trabalho, nas conduções superlotadas e, às vezes, atrasadas, como ser alegre e feliz? 

Uma frase que se lê aqui e acolá: “Gentileza gera gentileza”, atribuída ao carioca José Datrino, nascida da necessidade de consolar e motivar um clima de cordialidade, pode ajudar na correria do dia a dia: um sorriso; um bom dia; uma escuta; um gesto de solidariedade. 

Podemos compreender essa mensagem no belo Hino ao Amor, do apóstolo São Paulo, que nos mostra que o amor caminha por si mesmo, movido pelo próprio amor. 

Na busca sincera pelo sentido da vida, encontramos a verdadeira alegria e a verdadeira felicidade – que marca profundamente o nosso ser: o Amor de Deus, um ideal que permanece para sempre, que não passa e que se reflete no amor ao próximo, na solidariedade. 

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