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Até 2033

O Ano Jubilar de 2025 foi concluído nas dioceses de todo o mundo no dia 28 de dezembro passado, festa da Sagrada Família. E na Solenidade da Epifania, fechando a Porta Santa da Basílica de São Pedro, o Papa Leão XIV presidiu a conclusão do Ano Santo para todo o mundo, contando com a presença da maioria dos membros do Colégio Cardinalício. Mas não vai demorar para abri-la novamente em 2033, com um Ano Santo extraordinário, quando a Igreja vai comemorar o 2º milênio da Redenção, lembrando a morte de Cristo pela humanidade.

O Ano Santo de 2025, promulgado e aberto pelo Papa Francisco, destacou que somos “peregrinos de esperança”, de uma esperança “que não decepciona” (Rm 5,5). Ele mesmo viveu essa esperança de maneira intensa na sua condição do Sucessor do Romano Pontífice, idoso e fragilizado pela enfermidade, assumida com exemplar paciência e esperança em Deus. Veio a falecer na segunda-feira de Páscoa, 21 de abril de 2025, ajudando-nos a compreender, mediante seu testemunho, que nossa grande esperança está em Deus e no Senhor Jesus morto na cruz por amor à humanidade e ressuscitado para a vida e a salvação de todos.

A esperança cristã, recebida como dom e virtude no Batismo, ilumina a vida humana. Junto com a fé e a caridade, ela dá qualidade própria à existência humana, frágil e limitada. Não existimos para “um pouco de vida”, mas para a plenitude da vida; nossa vida não é destinada a se acabar no pó do túmulo, mas Deus tem muita vida para nos dar, vida plena e feliz junto Dele. E como alcançaremos essa vida? Acolhendo, desde agora, já nesta vida, mediante a fé e o amor, o Deus que vem continuamente ao nosso encontro e mantendo-nos unidos a Ele. A esperança cristã não desilude, porque está baseada no amor infinito de Deus por nós: “Nisto conhecemos o amor de Deus: em ter-nos Ele enviado seu Filho, quando éramos ainda pecadores” (cf. Rm 5,8).

Foi bom, ao longo do Ano Santo de 2025, recordar o significado da esperança cristã. O ano também foi ocasião para a renovação da fé e da vida cristã, mediante a penitência, a conversão e a acolhida da misericórdia de Deus. Muitas pessoas reaproximaram-se da prática da fé e dos Sacramentos. Foram numerosas e bem variadas as peregrinações que se fizeram às 12 “igrejas jubilares” da Arquidiocese. Nas portas de todas as igrejas, esteve presente o convite a participar do Jubileu, e a “chama viva da esperança” não deixou de arder o tempo todo nas igrejas da nossa Arquidiocese.

Na Bula de promulgação do Ano Jubilar, o Papa Francisco pediu que durante este ano a Igreja desse ao mundo muitos “sinais de esperança”, ajudando o mundo a recobrar o sentido da esperança. Creio que foram destacados numerosos desses sinais de esperança em nossa Arquidiocese ao longo do Ano Jubilar: a atenção maior aos pobres e enfermos, mediante a dinamização do Vicariato Episcopal da Pastoral da Saúde e dos Enfermos e a organização do Vicariato Episcopal da Caridade Social, para dar melhor atenção aos pobres e necessitados de nossa cidade. Só Deus sabe quanto bem foi realizado por um sem-número de pessoas, pastorais e organizações das comunidades. Sinal de esperança também foi a atenção às pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade social, econômica e sanitária. A defesa da vida humana pelas organizações da Igreja, mesmo quando as causas parecem perdidas, é um sinal de esperança. A tomada de consciência da responsabilidade comum pela preservação e o cuidado da “casa comum” também é sinal de esperança. Deus seja louvado por tudo!

Nossa Arquidiocese, durante a celebração do Ano Jubilar, completou 280 anos de existência como diocese, tendo sido erigida pelo Papa Bento XIV em 6 de dezembro de 1745. Este aniversário, durante o Jubileu, também é significativo e nos recorda de que, enquanto Igreja Católica presente em São Paulo, somos testemunhas de Jesus Cristo e de seu Evangelho nesta Metrópole, para anunciar e testemunhar a todos que o Reino de Deus chegou e está presente entre nós. Por isso, cada comunidade da Arquidiocese, cada organização eclesial e pastoral, cada instituição está a serviço dessa missão da Igreja.

O Jubileu “da esperança” foi concluído, mas o tema que nos acompanhou durante todo esse ano não será deixado de lado. Continuamos a ser “peregrinos de esperança” e segue também nossa missão de testemunhas da esperança “que não desilude”. O Evangelho, cujo anúncio é nossa missão, é força de esperança para a vida do mundo. E nos preparamos para, logo mais, celebrar o Jubileu extraordinário da Redenção, lembrando os 2.000 anos da morte redentora de Jesus por nós. Será motivo de grande júbilo e renovadas graças de Deus, mas também de um renovado esforço em nossa missão de anunciadores da graça redentora da morte de Cristo na cruz em favor de todas as pessoas. Desde agora, preparemo-nos para vivermos mais um tempo muito marcante para a Igreja e sua missão em favor de toda a humanidade.

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