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Centenário do Apostolado do Mar

O Apostolado do Mar completou 100 anos. Nasceu no dia 4 de outubro de 1920, em Glasgow, Escócia. Há um século, um pequeno grupo de leigos do Apostolado da Oração resolveu estender sua solicitude pastoral e espiritual aos trabalhadores do mar. Desde então, os centros de acolhida e assistência aos marítimos e pescadores se multiplicam pelos portos e aldeias de pesca. Chega-se, assim, à rede internacional do Apostolado do Mar.

“A vida do marinheiro está protegida por uma série de convenções internacionais, mas o respeito a essas normas com frequência deixa a desejar, de modo particular para os marítimos desqualificados e paras os pescadores”, escreve o Padre Leonir Chierello, Superior Geral da Congregação dos Missionários de São Carlos, em carta aos religiosos scalabrinianos que atuam nesse campo. Cabe lembrar que mais de 90% das mercadorias globais são transportadas por meio do mar.

Os padres scalabrinianos estão presentes em alguns desses portos por meio dos chamados centros Stella Maris – tendo a figura de Maria como guia e intercessora, a Estrela do Mar. Além de Filipinas, Itália, Argentina, Uruguai, África do Sul e Taiwan, esses missionários atuam nos portos brasileiros de Santos e Rio de Janeiro. Os centros Stella Maris são casas de acolhida e prestação de serviços: assistência pessoal, social, jurídica, trabalhista e psicológica.

Espécie de “lar fora de casa”, onde os marítimos e pescadores – longe de casa, uns por dias e outros por meses – têm oportunidade de comunicar-se com a família. Para quem trabalha sobre as águas de mares e oceanos, semelhantes espaços constituem lugares de encontro e de mútuo intercâmbio. Seguindo os princípios da Doutrina Social da Igreja, tais centros ajudam os marítimos e pescadores na defesa de seus direitos, quando ignorados ou lesados.

A pandemia de COVID-19 se abateu sobre todo o planeta e apresentou uma face extremamente severa e nefasta sobre as pessoas ou categorias mais frágeis, indefesas e vulneráveis. Sobre os trabalhadores “invisíveis”, alertam muitos estudiosos. Foi o que aconteceu com aqueles que trabalham no mar.

Uma reportagem de Mia Jankowicz, publicada por Business Insider, em 6 de agosto de 2020, denunciava que “com aproximadamente 300.000 pessoas presas no mar durante a pandemia de coronavírus, as tripulações dos navios de carga estão à beira do desastre” (Portal Instituto Humanitas Unisinos, de 07/08/2020).

A matéria continua: “a situação está se tornando explosiva. Várias fontes puderam testemunhar ao Business Insider quais são as condições a bordo desses navios, onde alguns trabalhadores não tocam terra firme há mais de um ano. Em um relatório publicado em junho pela Federação Internacional de Trabalhadores em Transporte (ITF), os marinheiros falam de crescentes pensamentos suicidas e de uma ‘bomba-relógio’ pronta para explodir em relação aos acidentes a bordo”.

Resta confiar na intercessão da Estrela do Mar, no sentido de que esses trabalhadores encontrem nela um farol e uma bússola que os leve a um porto seguro.

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