Muitos de nós, no fim de um ano ou no início do ano seguinte, tiramos uns dias para descansar. Nada mais justo.
Aqui em casa, nos últimos anos, optamos por passar alguns dias na praia, tempo preferido de nossos filhos, sempre na mesma praia, sempre o mesmo apartamento emprestado. Interessante como a experiência que é sempre igual, acaba também diferente a cada ano.
Igual porque repetimos boa parte dos mesmos programas: ir àquela praia, fazer aquele passeio de barco, comer um certo lanche, tomar um tal sorvete. Mas é ao mesmo tempo diferente, porque estamos diferentes.
Nossos filhos cresceram um pouco mais, e nós tivemos um dos anos mais difíceis dos últimos tempos.
Ao olhar a foto do ano passado, aquela que os aplicativos nos fazem relembrar, tenho uma sensação estranha. Olho para mim mesmo e penso como o ano “daquele cara” (que sou eu mesmo) vai ser difícil, mas sei também que ele chegará bem em 2026.
Impossível não imaginar o que o meu eu de 2027 pensará ao ver as fotos que tirei hoje.
Como na foto de 2025, na de hoje também não sei ao certo como será o ano que se iniciou. É sempre um misto de esperança, vontade e algum medo do desconhecido. Mas há algo diferente aqui também, pois na foto do ano passado não pensei como hoje: “Independentemente do que vier, devemos chegar bem em 2027”.
Por que acho isso? Bem, por duas razões. A primeira, justamente por ter passado pelo vale tenebroso de 2025. Por ser capaz de olhar para aquela foto e ver o que vi. Como Deus não me preservou de navegar por aqueles mares, mas que sempre se manteve tranquilo deitado em meu barco.
A segunda, por querer manter este olhar assim para este ano. Explico.
Hoje, fizemos um passeio de barco. Uma jornada de cerca de 15 minutos até uma ilha próxima, como fizemos no outros anos. A paisagem é exatamente a mesma do ano passado, mas sempre fico admirado.
Em meu coração agradeci e louvei a Deus pela sua obra da criação. Quem poderia criar uma vista como aquela? Que artista seria capaz de, sem modelo anterior, combinar tão bem as cores e os seus tons?
No mar em tons diferentes de verde, as rochas e terras em tons de marrom, a Mata Atlântica com dezenas de tonalidades de verde, e o azul e branco das nuvens. Que pintura!
Lembrei-me de nossas aulas de catequese quando ensinamos sobre a criação do mundo e dizemos aos nossos alunos sobre o amor de Deus, que criou aquela cena de natureza maravilhosa esperando ansioso para que um dia eu, Luiz, pudesse estar ali, me admirar, e louvar por sua criação.
Em algum momento em seu amor, criou tudo aquilo e, por um segundo, pensou em mim, e visualizou o momento em que eu pudesse estar ali, e hoje se cumpriu esse plano.
Enquanto meu lado cristão louvava a Deus com ares de santidade, meu lado “colérico” elaborava pensamentos menos elevados: “Mãe natureza uma ova! Quem pode crer que a junção descoordenada e aleatória de coisas no decorrer de milhões de anos pudesse resultar em tanta ordem e harmonia? Como se pode fingir não haver um Criador?”
Enquanto pensava nessas coisas, ao meu redor vi aquele mundaréu de pessoas. Impossível não pensar: quantas delas teriam agradecido a Deus por aquele momento? Quantas sequer se lembraram da existência de Deus nestes dias?
Mas, como bom cristão, tentei não julgar. Pensei em tantas vezes em que não prestei a devida atenção às coisas que Deus permitiu ou propiciou em minha vida. Quantas vezes que Deus contemplou os acontecimentos de nossa vida com a ansiedade de quem dá um presente, sem que tivéssemos sequer lhe devolvido um olhar?
Penso que é isso que nós, cristãos, precisamos levar para este ano novo. A capacidade de olhar ao redor com uma visão sobrenatural de todas as coisas, das paisagens aos acontecimentos, e decidirmos de uma vez por todas se realmente cremos que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus. Feliz ano novo!.





