Logo do Jornal O São Paulo Logo do Jornal O São Paulo

Consistório: a missão da Igreja hoje

O Consistório extraordinário que o Papa Leão XIV reuniu nos dias 7 e 8 de janeiro, no Vaticano, representa um momento extraordinário na vida da Igreja atual. Mais de 170 cardeais estiveram reunidos com o Papa, provenientes de todas as partes do mundo, idosos e menos idosos, para responderem ao apelo do Santo Padre, que queria ouvi-los sobre algumas questões atuais mais marcantes para a vida e a missão da Igreja.

E esse mesmo é um dos papéis importantes do Colégio dos Cardeais, não apenas eleger o Papa, mas também prestar-lhe ajuda e conselho na sua missão de pastor universal da Igreja de Cristo. Os cardeais oferecemessa ajuda, quer no serviço de coordenação das responsabilidades da Cúria do Papa, quer como consultores e membros dos diversos dicastérios da Cúria, quer ainda como participantes dos consistórios ordinários e extraordinários que o Papa convoca.

Leão XIV queria ouvir os cardeais, desta vez, sobre a missão evangelizadora da Igreja em nossos dias, sobrea prática da sinodalidade na Igreja, depois das duas assembleias do Sínodo dos Bispos realizadas sobre esse tema e ainda sobre a liturgia à luz das diretrizes do Concílio Vaticano II e a aplicação efetiva da Constituição Praedicate Evangelium, do Papa Francisco, sobre a reforma da Cúria Romana, que também deveria se tornar uma referência para a organização dos serviços de cúria das dioceses do mundo inteiro.

Das reflexões do Consistório ficaram claras uma vez as diretrizes mestras que devem orientar a vida e a missão da Igreja em todos os tempos. Antes de tudo, a razão de ser e de existir da Igreja: Jesus quis a Igreja para anunciar, de muitos modos diversos, o Evangelho do Reino de Deus. Essa é a missão prioritária da Igreja e tudo o que nela existe, possui essa mesma finalidade: anunciar o Evangelho, para que as pessoas creiam, se convertam e tenham a vida eterna. O anúncio do Evangelho faz despertar a fé, mediante a ação do Espírito Santo. Sem anúncio constante e perseverante, a fé morre. Sem fé, não há comunhão com Deus.

O anúncio do Evangelho se faz pela pregação litúrgica, os retiros e encontros formativos, a catequese sistemática, o estudo bíblico, o testemunho de vida cristã e virtuosa, a liturgia e a prática sacramentária. A Evangelização é o processo perseverante de instrução e formação cristã, que leve a uma fé viva e ao testemunho da caridade.

A Igreja também existe para celebrar a sua fé, adorar e louvar a Deus e para acolher a ação de Deus na ação sacramentária. Sim, a Igreja não apenas anuncia as realidades da fé, para que se creia, mas ainda, ela se alegra em acolher desde já, mediante a ação do Espírito Santo, aquilo que ela anuncia e crê. As celebrações da liturgia passam do anúncio ao acolhimento dos mistérios da fé; a salvação de Deus, a sua misericórdia e perdão, a comunhão com Deus não são apenas anunciadas, mas também vividas no âmbito da fé. Quando a Igreja reza, ela não só fala de Deus, mas fala com Deus, escuta Deus, adora, contempla, se alegra, se fortalece, mesmo que essas ações ainda aconteçam envolvidas no véu da fé, e não da plena realidade.

A Igreja também existe para testemunhar a vida nova do Reino de Deus, já presente no mundo. O Reino de Deus transforma as pessoas e a vida social quando é acolhido com generosidade e fé, como a terra que acolhe a semente e a faz germinar e produzir; assim como o sal que transforma e dá sabor aos alimentos; ou ainda como a luz que se irradia no ambiente, quando é acesa na casa escura. Não é ainda o Reino de Deus em sua plenitude, mas sinal seguro de que o Reino de Deus é coisa boa para o homem e o mundo quando é acolhido.

O Reino de Deus é de amor e, por isso, onde ele é acolhido, a caridade, o amor fraterno, o respeito e a justiça social florescem. O Reino de Deus é da vida e, onde ela é acolhida, passa a vigorar o cuidado para com a pessoa fragilizada, o respeito pela vida humana e de todas as criaturas, o cuidado para com o ambiente da vida.

Enfim, a Igreja existe para anunciar e testemunhar a esperança e manter aberto o horizonte do futuro para uma plenitude do ser e do existir em Deus, que não é obra apenas do homem, mas sobretudo um maravilhoso dom de Deus.

Deixe um comentário