Diversidade – uma justa bandeira dos jovens

A promoção e valorização da diversidade é um fenômeno do nosso tempo. A busca pela inclusão gerou mudanças nas empresas, escolas, universidades, organizações sociais, publicidade, TV, cinema, e impactou políticas públicas. 

Os jovens são os grandes representantes dessa mentalidade, assumindo a defesa intransigente da diversidade em todos os setores da vida social. 

Muitos acreditam que essa mentalidade é tão somente fruto das pautas identitárias, em particular das ideologias de gênero e de raça, difundidas nas escolas e meios de comunicação, devendo, portanto, ser vigorosamente combatida. Mas é preciso considerar outros aspectos. 

Nossos jovens cresceram num contexto cultural em que as certezas deram lugar às dúvidas, convivem com diferentes narrativas e se concebem como sujeitos múltiplos, produtos culturais e históricos. A professora Marta Rodríguez (Ateneo Pontificio Regina Apostolorum) explica-nos a gênese deste processo e ressalta que uma das características desse contexto é a rejeição das novas gerações a tudo o que é considerado universal. 

Palavras como Verdade e Natureza, por exemplo (valores essenciais para os adultos), são termos que hoje soam impositivos, quase violentos, pois parecem negar a existência do particular, da pessoa em sua singularidade.

É cada vez maior o número de “jovens influencers”, que expõem nas redes sociais as dificuldades enfrentadas por serem portadores de características físicas ou psicológicas que fogem ao padrão dominante em nossa sociedade. São jovens que relatam a dor e o caminho percorrido para alcançar a aceitação pessoal e social, tornando-se referências para os que vivem situações idênticas, gerando maior compreensão e empatia por parte de todos. 

Para além da afirmação de ideologias, portanto, os jovens estão preocupados com seus pares, com pessoas reais, que sofrem, são humilhados e buscam o seu lugar no mundo, que pode ser muito cruel com aqueles que não se enquadram nos padrões sociais. 

A tentação dos adultos é cair na nostalgia, lamentar e rejeitar integralmente essa mentalidade, propondo a volta ao passado, período em que tudo parecia estar em seu devido lugar. Esta tentativa, porém, é infrutífera, pois os jovens vivem neste mundo, tal como o conhecemos agora, com infinitas possibilidades, repleto de beleza e desafios. 

Devemos reconhecer que jovens possuem uma sensibilidade própria do tempo em que vivem. Eles demonstram maior compaixão com o sofrimento humano, respeito e aceitação das diferenças, solidariedade aos mais frágeis e buscam estabelecer relações autênticas, não sendo determinados por papéis sociais. 

Isso não significa aceitar concepções tais como a ideologia de gênero, muito menos promovê-las, mas reconhecer o que há de verdadeiro em cada posição e ajudar os jovens a ir além das palavras de ordem para compreender a raiz de cada tese adotada. Dessa forma, podemos valorizar os aspectos positivos e evidenciar os limites das ideologias, que tendem a absolutizar alguns aspectos da natureza humana, como sentimentos, impulsos, anseio de liberdade, desejo de amar e ser amado, reduzindo e fragilizando o homem. 

Por meio de um acompanhamento pessoal, podemos, com simpatia, ajudá-los a descobrir as exigências profundas de seu coração e comparar com os valores que defendem indo em direção à verdadeira liberdade. 

É preciso caminhar e aprender com eles hoje. 

Marli Pirozelli N. Silva, historiadora com mestrado em Filosofia da Educação. É professora universitária de Doutrina Social da Igreja. 

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO

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