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Estive enfermo

No dia 11 de fevereiro, a Igreja comemora o Dia Mundial dos Enfermos, que coincide com a memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes. Em Lourdes aconteceram e acontecem muitas curas e para lá se dirigem multidões de peregrinos enfermos em busca da cura nas águas da fonte milagrosa junto à basílica das aparições. As curas que acontecem lá são um sinal da constante presença amorosa de Deus e da Virgem Maria junto aos enfermos.

Muito antes das aparições da Virgem Maria em Lourdes, Jesus já havia recomendado aos apóstolos, enviados em missão, o cuidado dos doentes como parte de sua missão: “Por onde andardes proclamai: O Reino de Deus está próximo. Curai os enfermos…” ( 10,7-8). Também no envio dos apóstolos, antes da sua ascensão ao céu, Jesus ordenou: “Proclamai o Evangelho a toda criatura (…). Quando impuserem as mãos sobre os enfermos, eles ficarão curados” (Mc 16,15.18). Jesus mesmo fez do cuidado dos doentes um sinal da chegada do Reino de Deus. É impressionante observar como nos Evangelhos, sobretudo de Marcos e Lucas, Jesus está constantemente em contato com doentes e dá atenção e conforto a todos (cf. Mc 1,32-34). “Dele saía uma força que curava a todos”, diziam as pessoas (cf. Lc 6,18-19).

A cada ano, o Papa emite uma bela mensagem à Igreja e ao mundo na ocasião do Dia Mundial dos Enfermos. A mensagem deste ano está baseada na atitude do Bom Samaritano, que se enche de compaixão pelo homem caído à beira do caminho, cuida de suas feridas e, em seguida, toma-o nos seus braços e o coloca sobre a sua montaria para o levar a uma estalagem. E não termina aí a sua compaixão: Ele recomenda ao estalajadeiro que cuide dele e paga a conta (cf. Lc 10,25-37). A passagem do Evangelho lembra de maneira comovente aquilo que, tantas vezes, acontece com os doentes em casa e nos hospitais. Ou deveria acontecer…

Os doentes, especialmente os mais gravemente enfermos ou idosos, necessitam literalmente de ser “tomados nos braços”, para os levantar e fazer sentar-se na cama ou na cadeira de rodas, para os alimentar, para os cuidados higiênicos e prestar a assistência médico-sanitária. Quantas vezes, os doentes estão sem forças e talvez até sem voz para falar de suas dores e incômodos. Alguém precisa inclinar-se sobre eles, como o Bom Samaritano, oferecer os cuidados necessários e dizer palavras de conforto. Vi, certa vez, na frente de um hospital, a imagem de São João de Deus, carregando nos braços um enfermo. Ele é o fundador da Ordem dos Irmãos Hospitaleiros, que tomam conta de muitos hospitais em vários países. Não esqueci mais essa imagem.

Em sua mensagem para este ano, o Papa Leão XIV recomenda que tenhamos os sentimentos e as atitudes do Bom Samaritano em relação aos enfermos. Que manifestemos a eles nossa proximidade e nosso cuidado solidário. Os enfermos são parte da nossa própria humanidade e membros de um mesmo corpo. Devemos amá-los com o amor com que Deus ama a todos, sem distinção. 

Neste Dia Mundial dos Enfermos, desejo incentivar a todos para o cuidado atento e carinhoso para com os doentes, quer nos serviços profissionais nas estruturas sanitárias, quer nas casas das famílias ou nos lugares de longa recuperação. É um dos serviços mais belos que podemos prestar ao próximo, pois trata-se do cuidado de sua pessoa em situação de fragilidade e de sua vida, muitas vezes, com risco extremo de morte. Nunca esqueçamos as palavras que o Supremo Juiz nos dirá no dia em formos chamados à sua presença para o grande julgamento: “Estive enfermo e me visitaste” (Mt 25,36). E a recompensa será a entrada na vida eterna. Jesus assume como feito a si o que fazemos aos enfermos. E seria terrível ter de ouvir: “estive enfermo e não me visitaste”, ou “não cuidaste de mim”. O que segue, é tremendo: “Ide para longe de mim, malditos, para o fogo eterno, porque (…) estive doente e não me visitaste” (cf. Mt 25,41-43).

Desejo agradecer também a todos os agentes da Pastoral da Saúde e dos Enfermos e ao Vicariato da Pastoral da Saúde e dos Enfermos pelo serviço importante prestado aos enfermos. Graças a Deus, há um grande número de leigos, sacerdotes, diáconos e religiosos que visitam os doentes, rezam com eles e oferecem conforto a eles e aos seus familiares. Que Deus os recompense! Ao mesmo tempo, recomendo a todas as paróquias que deem especial atenção ao serviço organizado de Pastoral da Saúde e dos Enfermos. É uma pastoral que não pode faltar em nenhuma paróquia. Os doentes, muitas vezes, não podem esperar e seria muito triste que alguém morresse sem ter recebido o conforto da visita e da oração da Igreja, e dos Sacramentos para aqueles que os desejam com fé.

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