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As associações católicas em vista do bem comum

O apostolado realizado pelas associações de fiéis tem como uma de suas finalidades as obras de caridade, que servem ao bem comum da sociedade na qual as mesmas associações de fiéis estão inseridas. Na verdade, toda ação evangelizadora tem uma consequência positiva sobre o bem comum, ou seja, o testemunho daqueles que professam a fé em Cristo é fundamental para a construção de uma sociedade que saiba apresentar um processo de inclusão de seus cidadãos. 

A riqueza produzida pela humanidade tem que ser destinada ao bem comum (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, CDSI 164-170). A razão de tal conceito é porque o bem comum é indivisível e porque somente juntos é possível alcançá-lo, aumentá-lo e conservá-lo, também em vista do futuro, para que continue sendo oferecido às gerações que virão. Nesse sentido, as exigências do bem comum estão ligadas ao respeito e com à promoção integral da pessoa e dos seus direitos fundamentais. Evidentemente que a responsabilidade de perseguir o bem comum compete não só às pessoas consideradas individualmente, mas também ao Estado; afinal o bem comum é a razão de ser da autoridade civil. Ninguém está dispensado de colaborar. 

Nessa perspectiva, a missionariedade da Igreja é testemunhada também no apostolado realizado pelas associações de fiéis que colaboram com o bem comum. A associação católica, com uma identidade claramente definida em seus estatutos, representa uma contribuição ao bem comum da sociedade e está em referência à obtenção dos fins últimos da pessoa e ao bem comum universal de toda a criação. 

Neste ponto, temos o encontro entre o bem comum da humanidade e a fé na Páscoa de Jesus como o caminho para o verdadeiro humanismo. Em outras palavras, o trabalho das associações católicas a serviço do bem comum é a prática da teologia da encarnação ou a encarnação da teologia no contexto em que se vive. A entrada do Verbo de Deus na história da humanidade e a Páscoa de Jesus elevaram essa mesma história ao plano de salvação, tornando-se história de salvação, e fazendo com que o bem comum fosse também causa do apostolado dos cristãos. Por isso, a oração pessoal e comunitária, a celebração dos sacramentos e o anúncio da Palavra de Deus interagem diretamente com o bem comum da humanidade. Daí a necessidade de assegurar sempre, como direito irrenunciável, a liberdade religiosa.

Para além desses motivos, a razão que justifica e exige o agregar-se dos fiéis em associação é de ordem teológica e assim reconheceu o Concílio Vaticano II, em seu Decreto Apostolicam Actuositatem (1965, AA), sobre o apostolado leigo, ao apontar o apostolado associado como um “sinal da comunhão e da unidade da Igreja em Cristo” (AA 18). O membro de uma associação católica necessita manter viva a consciência de ser um membro da Igreja Católica com uma autêntica maturidade eclesial, desempenhando um trabalho para o bem comum da sociedade na qual está inserido. 

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