Encerramento do Mês das Vocações

Encerrado o mês de agosto, dedicado às vocações, vale a pena chamar a atenção para quatro grandes figuras da Igreja no Brasil que passaram por nós como verdadeiros profetas, todas falecidas em agosto. Há poucas semanas, dia 8, tivemos a partida de Dom Pedro Casaldáliga. E no dia 27, embora em anos diferentes, partiram Dom Helder Câmara, Dom Luciano Mendes de Almeida e Dom José Maria Pires.

Difícil reunir em tão poucas linhas as palavras e os gestos, o testemunho e as obras dessas quatro personalidades, fortemente marcadas pelas feridas e cicatrizes da ditadura militar. Todos, por causa do Evangelho, porém de forma diferenciada, tropeçaram com as turbulências do regime de exceção. Em menor ou maior grau, tiveram suas vidas atribuladas e atropeladas, devido à opção preferencial pelos pobres.

No Rio de Janeiro e no Nordeste, em São Paulo e na região amazônica, nesses tempos sombrios, representam figuras que souberam usar o báculo de pastor não para ameaçar as próprias ovelhas, e sim para afugentar os lobos. Em termos precisos, no campo e na cidade, souberam defender os direitos humanos dos pobres e oprimidos; dos operários, desempregados e subempregados; dos migrantes, trabalhadores temporários e sem-terra; dos povos indígenas e camponeses; das comunidades ribeirinhas e quilombolas.

Mais importante que tudo, entretanto, foram capazes de traduzir a Boa-Nova de Jesus Cristo em ações concretas e sociopastorais, especialmente onde a vida se revelava mais frágil e ameaçada. Suas trajetórias mostraram um radicalismo evangélico, sem extremos de intolerância; uma espiritualidade mística, mas encarnada no sofrimento do povo; uma firmeza no combate à opressão, sempre revestida de misericórdia.

No episcopado latino-americano e caribenho, de um lado, e no episcopado brasileiro, de outro, são lembrados como estrelas vivas que iluminaram com grande brilho, e continuam a iluminar a noite escura da exploração, da perseguição e da morte. Pastores sempre sintonizados com as diretrizes do Concílio Vaticano II, como também com as linhas gerais dos documentos produzidos pelas assembleias dos bispos deste subcontinente: Rio de Janeiro, Medellín, Puebla, Santo Domingo e Aparecida.

Hoje, podemos celebrar a memória e a herança de cada um deles em particular, mas igualmente a lembrança de outros que também já nos deixaram. E podemos, ao mesmo tempo, resgatar sua coragem profética e sua presença em meio à população mais indefesa, excluída e necessitada. De alguma forma, não será exagero afirmar que a força e o vigor evangélico do próprio Papa Francisco têm suas raízes mergulhadas nesse terreno fértil de um profetismo engajado e libertador.

Continuam vistos como expoentes proféticos de tempos difíceis, quando os países do Cone Sul atravessaram, uns mais cedo, outros mais tarde, um túnel escuro. Daí seu fiel compromisso com o contexto das questões sociais e, contemporaneamente, com os princípios básicos da Doutrina Social da Igreja. Junto com a população organizada, ajudaram a levantar as bases do processo democrático.

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