“Vivemos em um ambiente educacional complexo, fragmentado e digitalizado.” Essa frase revela o cuidado do Papa Leão XIV com as necessidades atuais da Educação. Ela foi citada na carta apostólica Desenhar novos mapas de esperança, publicada em outubro passado por ocasião do 60º aniversário do documento conciliar Gravissimum educationis. Por meio desta carta, a Igreja e os educadores recebem o convite para (re)imaginarem a missão educativa no mundo atual. O Pontífice enfatiza que a Educação é essencial à evangelização e deve responder com criatividade às crises como desigualdade, guerras, tecnologia e perda de sentido.
E por falar em guerra, será que é possível educar para acabar com a guerra? Guerra civil, guerra entre professores e estudantes, guerra entre colegas de trabalho, guerra entre marido e mulher, e tantas outras. Ao consultar o dicionário Michaelis, temos a seguinte definição para o termo guerra: “Qualquer luta ou combate com ou sem armas; combate, conflito, disputa”. Assim, fica evidente que desde a sua origem germânica ‘werra’, a discordância é a grande raiz desse mal.
E se houvesse uma possibilidade de a escola ensinar paz e não fomentar a guerra? E se educar fosse um trabalho de amor que se passa de geração em geração? A educação católica vem ao encontro dessas premissas. No documento, o Papa destaca e prioriza a necessidade de “ensinar línguas não violentas, reconciliação, construir pontes e não muros”. Como podemos corresponder a essa solicitação para atender a uma das prioridades elencadas por Leão XIV que consiste em atingirmos “a paz desarmada e desarmante” para nos transformarmos em bem-aventurados pacificadores?
Parte dessa resposta pode estar na Comunicação Não Violenta (CNV), criada por Marshall Rosenberg, que elaborou uma abordagem para melhorar as relações humanas por meio da empatia, da expressão clara de sentimentos e necessidades e do diálogo respeitoso. Para desenvolver essa comunicação, faz-se necessário compreender que ela está alicerçada em quatro pilares fundamentais, a saber: observação sem julgamento, que consiste em descrever fatos de forma neutra, sem críticas ou rótulos; sentimento, isto é, explicar como você se sente em relação ao fato; necessidade, que significa reconhecer as necessidades humanas por trás dos sentimentos; e pedido claro, que equivale a pedir ações concretas, possíveis, sem exigências nem ameaças.
A CNV como ferramenta vai além da empatia, ela mobiliza a compaixão, resultando em uma espécie de empatia em ação. Trata-se de um recurso que reduz conflitos, mal-entendidos e violências verbais; cria um clima seguro, favorecendo pertencimento, respeito e colaboração; melhora a convivência entre estudantes, professores e famílias; promove, além da empatia, a escuta ativa e relações mais humanas; e ainda apoia práticas inclusivas.
Acentuamos que não somente as escolas precisam abraçar esse compromisso de ‘ensinar línguas não violentas, reconciliação, construir pontes e não muros’, já que os educadores, como destaca Leão XIV, são chamados a uma responsabilidade que vai além do contrato de trabalho: seu testemunho tem o mesmo valor que suas aulas. E todos nós – pais, mães, filhos e toda a família – devemos nos unir para materializar a educação cristã, que é um esforço coletivo: ninguém educa sozinho.
A todos que trabalham na Educação, fica o convite do Papa, para que “inaugurem uma temporada que fale ao coração das novas gerações, reconstituindo conhecimento e significado, competência e responsabilidade, fé e vida”. E a todos nós fica a missão de educarmos para a paz e não para a guerra, acolhendo o mandato Daquele que ao ressuscitar pronunciou estas palavras: “A paz esteja convosco!” (Jo 20,19).





