Paráfrase do Evangelho para o tempo do Natal

“Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta” (Mt 5,23-24). 

O tempo das eleições passou! Não me lembro de ter visto tanta hostilidade numa disputa eleitoral. A religião foi envolvida. Divisões foram criadas. 

Seguramente, não podemos ver nisso nenhuma ação do Espírito de Deus. Afinal, o Espírito Santo é exatamente o agente que dá unidade a todo o Corpo de Cristo. Outros âmbitos de nossa vida também foram afetados. Amizades desfeitas, famílias dispersas e condenadas à indiferença e ao isolamento das pessoas. Não precisamos nem falar das ofensas e da violência que se tornaram marca desse tempo. Quase parece uma loucura ter acreditado que as coisas iriam melhorar a partir da desunião e desentendimento daqueles que realmente importam mais do que as discussões políticas: “o povo”. Não faz sentido acreditar que uma só pessoa poderia oferecer a satisfação de todas as necessidades e expectativas de toda uma nação. 

Mas, como disse, o tempo das eleições já passou. E, agora, estamos para viver um tempo dos mais importantes para a nossa fé cristã: o Natal. Nele, celebramos, mais do que o nascimento de Jesus (que é um aspecto do mistério), recordamos a Encarnação do Verbo de Deus. Um clima diferente de fim de ano costuma contagiar as pessoas neste tempo, de modo a conferir ao Natal um caráter universal. Não é estranho para nós que até quem não é cristão celebre também o Natal. Para muitos, tudo gira em torno de uma festa de confraternização dos amigos e das famílias. De fato, isso não deixa de ser um aspecto do grande acontecimento que celebramos. Mas, não se pode celebrar aquilo que não existe! Por isso, é preciso reconstruir esse elemento de fraternidade. 

Recordo sempre uma ocasião em que, em família, estávamos preparando uma Ceia de Natal. Naquele dia, curiosamente, a gente se desentendia por qualquer coisa. Tudo girava em torno da preparação da Ceia e das tarefas de cada um para prepará-la: alguém não fez o que foi combinado... outro nem estava ali ainda... alguém fez alguma coisa diferente do que tinha sido combinado... etc... De improviso, alguém chamou a atenção de todos: “Será que vamos brigar o dia inteiro para poder organizar uma confraternização para a noite? Seria preferível não fazer nenhuma comemoração e a família passar um dia em harmonia e paz”. Talvez estejamos nesse ponto! Por isso, proponho uma paráfrase do Evangelho de Mateus: 

“Se estás, portanto, para celebrar o Natal e te lembrares de que houve muita divisão, ofensa e desentendimento por causa da polarização política eleitoral, deixa a celebração do Natal e vai primeiro reconciliar-te com teus irmãos; só então, vem celebrar o grande mistério do amor de Deus ao enviar seu Filho ao mundo para nos salvar. Ele que é chamado ‘Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da Paz’ (Is 9,5)”. 

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