Paz, anseio de todos! O caminho para a paz se inicia no Gênesis: “Façamos o ser humano à nossa imagem e segundo nossa semelhança…” Essa a profunda realidade de cada um de nós, realidade insondável. O caminho existe. Precisamos entrar nesse raio que conduz a uma convivência condizente com a nossa natureza.
Um documento que marca de forma significativa a trilha a ser seguida, a Rerum Novarum, de Leão XIII, de 1891, enfatiza a solidariedade, a justiça social e a dignidade humana como alicerces da paz.
Em 1963, assim São João XXIII iniciava a encíclica Pacem in terris: “A paz na terra, anseio profundo de todos os homens de todos os tempos, não se pode estabelecer nem consolidar senão no pleno respeito da ordem instituída por Deus.”
Já São Paulo VI atribui um novo nome à paz na encíclica Populorum progressio, de 1967, ao afirmar: “O desenvolvimento dos povos, especialmente daqueles que se esforçam por afastar a fome, a miséria, as doenças endêmicas, a ignorância; que procuram uma participação mais ampla nos frutos da civilização, uma valorização mais ativa das suas qualidades humanas; que se orientam com decisão para o seu pleno desenvolvimento, é seguido com atenção pela Igreja.”
Sempre atual é a exortação de 2007, do Documento de Aparecida, conclamando à unidade do povo latino-americano e caribenho: “Urge educar para a paz, dar seriedade e credibilidade à continuidade de nossas instituições civis, defender e promover os direitos humanos, proteger em especial a liberdade religiosa e cooperar para despertar os maiores consensos nacionais”.
Grandes líderes, ícones da sociedade atual, colocam o amor e a compreensão como elementos da paz. Para Mahatma Gandhi, a paz não é destino a ser alcançado, mas um caminho a percorrer. Pare ele, o amor e a não violência são as grandes armas para a transformação social.
Martin Luther King Júnior acreditava na construção da paz por meio da busca pacífica da justiça social. Mantinha vivo o sonho de um mundo no qual o perdão tem a força capaz de transformar inimigos em amigos.
Nelson Mandela, pela própria experiência, tinha a convicção de que a não violência é a mais poderosa das armas; de que a educação para a paz pode transformar o mundo; e de que é preciso fazer as pazes com o inimigo, trabalhar com ele, para que se torne seu parceiro.
No nosso tempo, como em todos os tempos, a paz requer perdão, escuta, educação para vencer o desequilíbrio social provocado pela meritocracia; requer estímulo a uma cultura de paz e atenção ao próximo nos pequenos gestos do cotidiano.
Em um vídeo gravado a um movimento de jovens, em janeiro de 2025, o Papa Francisco destacou a fundamental importância de um destes gestos – aquele de saber escutar: “Querido jovem e querida jovem, uma das coisas mais importantes na vida é escutar, aprender a escutar. Quando uma pessoa fala com você, espere até que ela termine, a fim de entendê-la bem e, depois, se quiser, diga alguma coisa. Mas o importante é escutar (…) olhem atentamente as pessoas, elas não escutam. No meio de uma explicação, elas respondem e isso não contribui para a paz. Escutem, escutem bastante”…
Que 2026 seja um ano de escuta! Que 2026 seja um ano de paz!





