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Quaresma: mergulho no Mistério Pascal, reavivamento da graça batismal e Ressurreição com Cristo

O tempo da Quaresma é uma oportunidade para reavivar em nós a graça batismal (cf. Rm 6,1-11), por meio dos exercícios do jejum, da esmola e da oração (cf. 1Cor 9,24-27; Lc 15,18), para alimentar a chama da fé, esperança e caridade, e despertar a solidariedade fraterna, como propõe a Campanha da Fraternidade. Enfim, é mergulhar no Mistério Pascal de Cristo (cf. Rm 8,17), em um constante processo de conversão, vivido na alegria pascal da vitória sobre o mal e a morte. Os evangelhos dos domingos desta Quaresma nos ajudam a trilhar esse caminho de renovação espiritual. 

No primeiro domingo, temos Mt 4,1-11 (as tentações de Jesus). Também estamos sujeitos às tentações, que se resumem naquelas pelas quais Jesus passou: a do poder, a da fama e a da ganância. Estamos sempre diante de duas opções: a vida (a superação da tentação, tendo em vista a vontade soberana de Deus que é caminho de liberdade) ou a morte (a confiança na própria força e nos próprios méritos, julgando-se o senhor da verdade e aquele que define o que é bem e o que é mal). É necessário, portanto, vigilância em relação a nós mesmos, lançando mão dos remédios da graça: a oração, os sacramentos, especialmente a Confissão e a Eucaristia, a Palavra de Deus, o jejum e a caridade fraterna, para escapar ao tentador. 

No segundo domingo é anunciado Mt 17,1-9 (a transfiguração de Jesus). No Batismo, fomos configurados a Cristo, mortos para o pecado e nascidos para Deus, para participar de Sua natureza divina. Ele iniciou em nós um processo de divinização (transfiguração) que terá sua plenitude na Ressurreição. Devemos deixarmo-nos transfigurar por Cristo, por meio do Espírito, escutando a Sua voz (Evangelho) e sendo abraçados pela ternura de Deus que nos envolve (a nuvem). É grande a nossa dignidade de filhos de Deus! Somos chamados para o alto! Uma vez transfigurados, devemos ser instrumentos de transfiguração do mundo em função do Reino de Deus: é preciso descer do monte para a missão! 

O terceiro domingo traz Jo 4,5-42 (a Samaritana). No Batismo, fomos lavados pela água salutar que jorra de uma única fonte: Cristo e seu mistério redentor. Ele é a água viva: “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba quem crê em mim” (Jo 7,37). Jesus, não se importando com preconceitos e padrões sociais, vai ao encontro da samaritana para anunciar-lhe a salvação. No diálogo, leva-a a desejar a água viva que mata toda a sede de Deus presente no coração humano. Como Ela, pedimos: “Senhor, dá-me dessa água!”. 

No quarto domingo, o Evangelho é de Jo 9,1-41 (o cego de nascença), para proclamar Cristo como Luz do mundo. Ninguém mais precisa caminhar às escuras, pois em Cristo está a verdade plena sobre Deus, sobre a história e sobre nós mesmos. Seguir a Cristo é deixar-se iluminar por Ele, ser curados de nossas cegueiras. O batizado é um iluminado. Deixemo-nos, portanto, iluminar por Cristo! O Evangelho é o nosso candeeiro, e nos faz candeeiros para o mundo: “Vós sois a luz do mundo!” (Mt 5,14). 

No quinto domingo, por sua vez, temos Jo 11,1-45 (a Ressurreição de Lázaro), pois aquele que foi batizado foi também sepultado na morte com Cristo e ressuscitou com Ele para uma vida nova (cf. Rm 6,1-11; Cl 2,12)! Eis a condição desejada por Deus para nós: uma vida de ressuscitados! Isto implica morrer para o pecado e nascer para Deus, abandonar o homem velho e revestir-se do homem novo (cf. Ef 4,17-24). O processo de divinização e configuração a Cristo culmina na ressurreição, mas desde já estamos “vivos para Deus”, chamados – já, aqui e agora – a uma vida mais plena! 

Que a celebração e vivência da Quaresma nos ajude a respondermos ao Senhor que nos chama, no amor, a segui-Lo na cruz para, com Ele, ressuscitarmos para uma vida nova! 

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