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Luzes para o caminho educativo 

Retomando os princípios do Pacto Educativo Global, em Desenhar novos mapas de esperança Leão XIV oferece uma guia para estes novos tempos, em que a tecnologia parce sobrepor-se à humanidade dentro do processo educativo e da vida. 

Luzes para o caminho educativo  - Jornal O São Paulo
Vatican Media

Gravissimum educationis inaugurou uma nova era de confiança, incentivando a atualização de métodos e linguagens. Hoje, essa confiança é testada em relação ao ambiente digital. As tecnologias devem servir à pessoa, não a substituir; devem enriquecer o processo de aprendizagem, não empobrecer os relacionamentos e as comunidades. Uma universidade e uma escola católica sem visão correm o risco de cair na “eficiência” sem alma, na padronização do conhecimento, que se transforma em empobrecimento espiritual.

Para habitar esses espaços, é necessária criatividade pastoral: fortalecer a formação de professores na esfera digital; valorizar a aprendizagem ativa; promover a aprendizagem-serviço e a cidadania responsável; evitar toda tecnofobia. Nossa atitude em relação à tecnologia nunca pode ser hostil, porque “o progresso tecnológico faz parte do plano de Deus para a criação”. Mas isso exige discernimento no planejamento, na avaliação, nas plataformas, na proteção de dados e no acesso equitativo. Algoritmo algum pode substituir o que torna a educação humana: poesia, ironia, amor, arte, imaginação, a alegria da descoberta e até mesmo aprender com os erros. O ponto crucial não é a tecnologia em si, mas como a utilizamos. A inteligência artificial e os ambientes digitais devem ser orientados para a proteção da dignidade, da justiça e do trabalho; devem ser regidos por critérios de ética pública e participação; e devem ser acompanhados por um nível correspondente de reflexão teológica e filosófica […].

Entre as luzes orientadoras está o Pacto Educativo Global. Acolho com gratidão este legado profético que nos foi confiado pelo Papa Francisco. É um convite a formar uma aliança e uma rede para a educação em fraternidade universal. Os seus sete princípios continuam a ser o nosso fundamento: (1) colocar a pessoa no centro; (2) ouvir as crianças e os jovens; (3) promover a dignidade e a plena participação das mulheres; (4) reconhecer a família como a principal educadora; (5) abraçar o acolhimento e a inclusão; (6) renovar a economia e a política ao serviço da humanidade; (7) cuidar da nossa casa comum […].

Aos sete caminhos, acrescento três prioridades. A primeira diz respeito à vida interior: os jovens anseiam por profundidade; precisam de espaços para o silêncio, o discernimento e o diálogo com a sua consciência e com Deus. A segunda diz respeito ao domínio humano digital: eduquemo-los no uso sábio das tecnologias e da IA, colocando a pessoa acima do algoritmo e harmonizando as inteligências técnica, emocional, social, espiritual e ecológica. A terceira diz respeito ao desarmamento e à promoção da paz: eduquemo-los em uma linguagem não violenta, na reconciliação, na construção de pontes e não de muros; “Bem-aventurados os pacificadores” (Mt 5,9) torna-se simultaneamente o método e o conteúdo da aprendizagem. 

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