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Sing Sing

Uma história real, para constatarmos como a Arte realmente pode mudar a vida.

Sing Sing - Jornal O São Paulo

SING SING

Direção: Greg Kwedar
Roteiro: Clint Bentley e Greg Kwedar 
Elenco: Colman Domingo. Clarence Maclin. Sean San José.
Produção: Black Bear Pictures, Edith Productions e Marquee Films (EUA, 2023).
Duração: 1 hora e 45 minutos. 
Disponibilidade: Prime Video, Apple TV, Max e Google TV

O nome de Sing Sing, pelo menos para uma geração mais antiga, está unido a uma das prisões de segurança máxima mais conhecidas dos Estados Unidos, no estado de Nova York. O seu nome vem da tribo nativa Sintsink e está ativa desde o século XIX.

O filme que pode ser assistido na plataforma da Amazon Prime é, no mínimo, surpreendente e original. Parte de um Programa que foi realizado na prisão, Rehabilitation Through the Arts (em português, Reabilitação Através das Artes), contando com a participação de detentos envolvidos na criação, ensaios e encenação de peças teatrais. O mais surpreendente do filme seja, talvez, as cenas finais, que aparecem junto com os créditos. Não quero dar spoiler, e por isso convido quem assistir a ficar mesmo até o fim.

É fácil escrever textos ou dar palestras sobre o poder transformador da Arte e, principalmente da Literatura e do Teatro. Eu mesmo costumo fazer isso com frequência, mas é muito assombroso ver que, de fato, é assim mesmo e que aconteceu e acontece em um dos presídios de segurança máxima mais famosos do mundo.

Há momentos emocionantes, assim como diálogos surpreendentes, quando um dos detentos reivindica que é precisamente nesses momentos de ensaios e de encenação que eles podem sentir-se verdadeiramente livres e recobrar a sua dignidade.

Chegar ao fim do filme produz uma catarse e uma metanoia, nos liberta das tensões do cotidiano e nos provoca a uma conversão. A mesma que aquelas pessoas tiveram nas suas vidas. Renasce em nós a esperança na Humanidade e no poder da beleza como despertador do que há de melhor em cada um dos seres humanos. Há momentos de tensão, momentos de descontração, rivalidades, ciúmes e vontade de impor o domínio pessoal sobre os outros. E há momentos de amizade, de verdadeira empatia, de ajuda sincera. E o que é mais surpreendente é que tudo isto aconteceu. Realmente o filme imitou a vida. E a vida se fez filme.

É uma ótima dica para essas férias.

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