As dores e as alegrias no coração maternal de Maria

“Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1,28). À saudação do anjo Gabriel a Maria, seguiu-se o anúncio de que ela seria a Mãe do Salvador e a jovem aceitou a missão que lhe fora confiada: “Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1,38).

“Maria acreditou! Acreditou nas palavras do Senhor, transmitidas pelo anjo Gabriel; o seu coração puríssimo, já completamente consagrado a Deus desde a infância, dilatou-se na Anunciação, no fiat generoso, incondicionado, com que Ela aceitou se tornar a Mãe do Messias e Filho de Deus: desde aquele momento, inserindo-se Ela ainda mais profundamente no plano de Deus, far-se-á conduzir pela mão da misteriosa Providência e, durante toda a vida, radicada na fé, seguirá espiritualmente o seu Filho”, afirmou São João Paulo II, em uma homilia em 31 de maio de 1979.

Adoração dos reis magos ao Menino Jesus

Misto de sentimentos

A partir do sim a Deus, Maria carregou em seu coração uma autêntica alegria que “coincide com a presença de Jesus na sua vida: Jesus concebido e levado no seu ventre, depois menino confiado aos seus cuidados maternos, e enfim adolescente, jovem e homem maduro; Jesus visto partir de casa, seguido a distância com fé, até a Cruz e a Ressurreição: Jesus é a alegria de Maria, a alegria da Igreja e de todos nós”, afirmou o Papa Bento XVI em 8 de dezembro de 2012 no ato de veneração à Imaculada Conceição.

Em contrapartida, a Virgem passaria por um itinerário de dores diante das situações sofridas por Jesus: “Hoje nos fará bem parar um pouco e pensar na dor e nos sofrimentos de Nossa Senhora. Ela é a nossa Mãe. E como os carregou, como os suportou bem, com força, com choro: não era um choro falso, era precisamente o seu coração destruído pela dor”, ressaltou o Papa Francisco em uma homilia em 3 de abril de 2020.

Os padecimentos e alegrias de Maria foram recolhidos na piedade popular, especialmente por meio das Sete Dores e Sete Alegrias de Nossa Senhora.

As Sete Alegrias

A anunciação do Anjo a Maria

A devoção às Sete Alegrias de Nossa Senhora teve início em 1442, na Itália, quando se difundiu a notícia de uma aparição da Virgem a um noviço franciscano, que tinha por hábito oferecer à Mãe de Deus uma coroa de rosas. Por esse motivo, este momento de oração também é conhecido como Rosário Franciscano, Coroa Franciscana, Coroa Seráfica ou Coroa das Sete Alegrias de Nossa Senhora.

“Ó piedosíssima Virgem Maria, purificai nossos lábios e nossos corações, para que possamos, dignamente, recitar a coroa de vossas alegrias. Nós vo-la oferecemos, para gloriar-vos, para implorar vosso auxílio, pelas necessidades da Igreja e de nosso País para satisfazer, em tudo, a justiça divina. Nós nos unimos a todas as intenções do Sagrado Coração de Jesus e do vosso Coração Imaculado”, lê-se no oferecimento que antecede a leitura das sete alegrias, entre as quais é rezado um Pai-Nosso, dez Ave-Marias e um Glória ao Pai.

1a – Anunciação pelo anjo Gabriel: recorda a alegria de Nossa Senhora quando ouviu do arcanjo que fora escolhida por Deus para ser Mãe do Salvador, e o seu sim em colocar-se à disposição do projeto de Deus.

2a – Visita a sua prima Isabel: considera a alegria compartilhada entre a Virgem e sua prima Isabel, ocasião em que Nossa Senhora é saudada pela primeira vez como a Mãe de Deus. “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” (Lc 1,42); e essa alegria é confirmada por Maria no Magnificat (cf. Lc 1,46-55).

Maria visita a prima Isabel, que daria à luz a João Batista

3a  – Nascimento de Jesus em Belém: destaca a alegria de Nossa Senhora quando seu Filho divino nasceu. “Com os anjos e pastores digamos: ‘Glória a Deus nas alturas e na terra paz aos homens de boa vontade’”, consta na oração.

4a – A Adoração dos Reis Magos: comtempla a alegria de Maria diante da chegada dos três magos que foram adorar o Menino e oferecer-lhe ouro, incenso e mirra, como homenagem e reconhecimento ao Rei, ao Deus e ao homem.

Maria e José diante do Cristo recém-nascido

5a – Maria e José encontram Jesus no templo: retrata a alegria de Maria ao encontrar o Menino três dias após ele ter desaparecido. “Que alegria sentimos contigo ao encontrar Jesus e poder abraçá-lo, como vós o encontraste no Templo!”.

6a – Maria vê a Jesus Ressuscitado: destaca o júbilo de Nossa Senhora ao perceber, na manhã de Páscoa, que seu Filho divino está ressuscitado e glorioso: “Contigo, Maria, nos alegramos por Cristo ressuscitado, luz ‘que ilumina a todo homem que vem a este mundo’”.

7a – A Assunção de Maria e sua Coroação no Céu:  ressalta a maior de todas as alegrias de Nossa Senhora, a assunção aos céus, em corpo e alma. “Que alegria sentimos contigo, Maria, porque elevada ao céu estás junto a vosso filho amado, sois corredentora, intercessora e auxiliadora nossa.”

As Sete Dores

O Terço das Sete Dores de Nossa Senhora é bem mais conhecido que a devoção às Sete Alegrias, sendo muito comum que se realize durante a Semana Santa. Também chamado de Coroa das Sete Dores ou Rosário das Sete Dores, teve origem na Itália, em 1617, por iniciativa da Ordem dos Servos de Maria.

A Coroa das Sete Dores de Nossa Senhora recorda as principais dores que a Virgem Maria sofreu em sua vida terrena. Entre a lembrança de cada uma delas, reza-se um Pai-Nosso e sete Ave-Marias. Abaixo, as sete dores, ora com trechos das orações, ora com meditações sobre estes mistérios.

A profecia de Simeão

1a – A profecia de Simeão: o coração da Mãe de Deus é transpassado quando o profeta Simeão profetiza: “Eis que este menino está destinado a ser ocasião de queda e elevação de muitos em Israel e sinal de contradição. Quanto a ti, uma espada te transpassará a alma” (Lc 2,34-35).

2ª – A fuga para o Egito: avisados por um anjo que Herodes queria matar o Menino, a Sagrada Família de Nazaré foge para o Egito (cf. Mt 2,13-14), uma situação marcada por medo, incertezas e necessidades, mas na qual Maria e José testemunham a plena confiança no Senhor.

3ª – A perda de Jesus no templo: o Menino Jesus permanece em Jerusalém sem que seus pais percebam. Quando se dão conta, voltam à cidade para procurá-lo. Este mistério lembra o quanto Maria sofreu distante do filho.

Maria encontra Jesus a caminho do calvário

4ª – O doloroso encontro no caminho do Calvário: a caminho do Calvário, carregando uma cruz pesada e condenado como um criminoso, Jesus depara-se com sua mãe. “Não nos apiedaremos de Maria, que vai seguindo o Cordeiro Imaculado, levado ao suplício? Participemos, pois, de sua dor; com ela acompanharemos seu Divino Filho, levando pacientemente as cruzes que nos manda o Senhor”, escreveu a respeito Santo Afonso Maria de Ligório.

5ª – Ao pé da cruz: Maria continua a acompanhar todo o sofrimento de Jesus e, apesar da imensa dor, aceita a vontade de Deus: “Vendo a Mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse Jesus para a mãe: Mulher, eis aí o teu filho! Depois disse para o discípulo: Eis aí a tua Mãe!” (Jo 19,15-27a).

6ª. – Maria recebe nos braços o Corpo de Jesus deposto da cruz: aqui se recorda que o Senhor morto é descido da cruz e colocado nos braços de sua mãe, que o recebe com ternura maternal. “No meio da dor pela morte sangrenta de Jesus, a fé e a esperança de Maria se mantiveram firmes”, escreveu o Papa Bento XVI a respeito.

7ª – Jesus é sepultado: Maria leva ao sepulcro o Corpo de Jesus à espera da ressurreição. “Compreenderemos melhor esta última dor da Senhora, se subirmos ao Calvário e aí contemplarmos a desolada Mãe, ainda abraçada com o Filho morto”, escreveu Santo Afonso Maria de Ligório.

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