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Atentado na Catedral de Manágua destrói capela e danifica crucifixo de 382 anos

Papa Francisco lamentou o fato e expressou sua proximidade aos cristãos na Nicarágua

Atentado na Catedral de Manágua destrói capela e danifica crucifixo de 382 anos

Um incêndio destruiu a capela da Catedral Metropolitana de Manágua, na Nicarágua, na sexta-feira, 31 de julho, e danificou gravemente o famoso crucifixo de madeira chamado Sangue de Cristo, que conta com 382 anos e fora venerado por São João Paulo II por ocasião de sua visita ao País, em 1996. Além disso, a capela contava com uma exposição permanente do Santíssimo Sacramento, que podia ser vista dentro do tabernáculo – as espécies consagradas ali presentes também foram atingidas pelo incêndio.

Testemunhas disseram ter visto um homem encapuzado entrar na capela e lançar uma garrafa incendiária após gritar “venho ao Sangue de Cristo”.

O Cardeal Leopoldo Brenes, Arcebispo de Manágua, qualificou o ato como um atentado terrorista, “planejado com muita calma”. Segundo ele, está relacionado com outro atentado ocorrido no dia 20 de julho, quando um homem que guiava um furgão destruiu as portas da Catedral. Justamente o lugar atingido serviu como rota de fuga para os autores do atentado da sexta-feira.

“Eles calcularam tudo, por onde entrar, como fazer o atentado e depois como e por onde fugir. Era perfeitamente planificado”, disse o Cardeal.

Terrorismo incendiário com finalidade destrutiva

Após o atentado, a Arquidiocese emitiu um comunicado dizendo: “é um ato de sacrilégio e profanação, pelo qual devemos permanecer em constante oração, para pedir que as forças do mal sejam derrotadas”.

Rosário Murillo, vice-presidente do País e esposa de Daniel Ortega, presidente, afirmou que o incêndio foi fruto de um incidente provocado pelos fiéis: “Aquele fogo iniciou pelas velas dos fiéis, assim pegaram fogo as cortinas e as flores”. Tal versão foi refutada pelo Cardeal Brenes:  “não há velas, nem temos cortinas, portanto, não podemos pensar que o fogo possa ser o resultado da queda de uma vela. Foi um ato de terrorismo incendiário perpetrado com finalidade destrutiva”.

As relações da Igreja com o governo do presidente Daniel Ortega foram interrompidas quando sacerdotes e religiosos se posicionaram em defesa dos manifestantes que em 2018 protestaram contra o governo. Naquela ocasião, centenas de manifestantes foram mortos, desapareceram ou foram presos, e mais de 100 mil pessoas fugiram do país. Muitos sacerdotes e bispos arriscaram suas vidas para defender os manifestantes, e foram acusados de golpistas pelo Presidente.

Perseguição permanente

O ataque contra a Catedral não foi um evento isolado. Com ele, somam-se 24 ataques contra a Igreja Católica nos últimos 20 meses, segundo um informe publicado pelo Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh), que acusa o presidente Daniel Ortega de ser o responsável. Os ataques foram de vários tipos: uma mulher que jogou ácido no rosto de um sacerdote, o corte da água e luz de uma paróquia pela polícia, o sequestro de mulheres que se encontravam na Catedral e o roubo e decapitação de imagens sagradas.

O Cenidh declarou que “o regime de Ortega Murillo fere o direito à liberdade de consciência, de pensamento e de religião, estabelecidos na Constituição da Nicarágua e na Declaração Universal de Direitos Humanos”, e que “persiste a impunidade nestes atos terroristas nos templos católicos, devido ao fato de serem perpetrados por aliados do regime, que cumprem suas ordens. Não existe castigo para eles. As autoridades (polícia e outras entidades) corrompem informação para assim ocultar a verdade”.

A Conferência Episcopal da Nicarágua publicou uma nota condenando o incêndio criminoso da Catedral: “a Igreja será sempre rejeitada por aqueles que não aceitam a Verdade que ela prega… fazer uso da violência para calar a voz profética da Igreja não significa que devemos deixar de encorajar o nosso povo a viver a missão evangelizadora que o próprio Cristo nos confiou”.

Papa Francisco: ‘estou próximo de vós e rezo por vós’

Também o Santo Padre, ontem após a oração do Angelus, no domingo, 2, falou sobre o ocorrido: “penso no povo da Nicarágua que sofre pelo atentado à Catedral de Manágua, onde foi danificada, quase destruída, a imagem tão venerada de Cristo, que acompanhou e sustentou durante séculos a vida do povo fiel. Caros amigos nicaraguenses, estou próximo de vós e rezo por vós”.

O Pontífice também escreve ao Arcebispo de Manágua: “Querido irmão, o acompanho na dor por este ato de vandalismo e estou próximo a você e a seu povo. Rezo por todos vocês”.

O Bispo uxiliar de Manágua, Silvio Báez, exilado desde 2019 após receber ameaças de morte, afirmou que atos terroristas não intimidam a Igreja de Cristo, e deixou a seguinte reflexão: “a imagem do Sangue de Cristo destruída por um ato terrorista na Catedral de Manágua é para o país uma recordação viva e comovente de um Deus que não somente carregou os nossos sofrimentos sobre a cruz, mas continua a sofrer no nosso povo oprimido, até ressuscitá-lo com liberdade e justiça”.

Fontes: Agência Fides, Vatican News e Religión en Libertad

Por João Fouto

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