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Cardeal Parolin está otimista quanto à renovação do acordo com a China

Tratativa deve permitir ao Vaticano indicar novos bispos; nos últimos dois anos, foram nomeados apenas cinco; cerca de 50 dioceses chineses estão com sede vacante

Cardeal Parolin está otimista quanto à renovação do acordo com a China
Cardeal Pietro Parolin

Ao longo da última semana, membros do governo chinês e do Vaticano deram indicações de que o acordo assinado entre as partes há dois anos será renovado. O Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, confirmou em conversa com jornalistas que o acordo provisório entre a Santa Sé e a China espirará em outubro e será provavelmente renovado.

Poucos dias antes da declaração do Cardeal Parolin, o porta-voz do Ministro das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, também havia manifestado otimismo com a renovação do acordo. Segundo ele, graças aos esforços de ambas as partes “o acordo provisório quando à indicação dos bispos entre a China e o Vaticano foi implementado com sucesso desde que foi assinado quase dois anos atrás”. E acrescentou: “desde o início deste ano, os dois lados deram apoio um ao outro em meio à pandemia de COVID-19, permaneceram comprometidos em manter a segurança da saúde pública global, e acumularam maior confiança mútua e consensos por meio de uma série de interações positivas”. Em vista disso, Lijian disse que ambas as partes “irão continuar a manter uma íntima comunicação e consulta para melhorar as relações bilaterais”.

O conteúdo do acordo não é público, mas se sabe que ele permite ao Vaticano indicar novos bispos. Nos últimos dois anos – isto é, desde que o primeiro acordo foi feito – foram nomeados apenas cinco novos bispos chineses em comunhão com o Papa, apesar de haver cerca de 50 dioceses com sede vacante.

Desde o início de seu pontificado, o Papa Francisco tem tentado melhorar as relações com o governo chinês. O acordo é considerado de grande importância, uma vez que o Vaticano não manteve relações diplomáticas com o governo chinês desde que Mao Tsé-Tung chegou ao poder, em 1950, e começou a perseguir todas as religiões.

Críticos do acordo argumentam que ele permitirá ao governo chinês perpetuar suas repressões sem que haja oposição, aumentando assim seu controle sobre a Igreja no País. O Cardeal Parolin respondeu, em conferência no primeiro semestre deste ano, que o objetivo da Santa Sé era de “ajudar a levar adiante a liberdade religiosa, obter normalização para a comunidade católica lá [na China]”.

Segundo o Frei Bernardo Cervellera, jornalista a serviço da Agência Fides e missionário do Pontifício Instituto das Missões Exteriores, membros conservadores do Partido Comunista Chinês não querem dar continuidade ao acordo, pois temem que resultará em maior pressão pelo aumento da liberdade religiosa, algo que não estão dispostos a aceitar.

Informações de: Rome Reports e Crux Catholic Media

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