Cardeal Scherer ordena 7 diáconos para servir à Igreja

Quatro dos ordenados são seminaristas da Arquidiocese, um é frade agostiniano e dois receberam o diaconato permanente

Cardeal Scherer ordena 7 diáconos para servir à Igreja, Jornal O São Paulo
Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Pela imposição das mãos do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, foram ordenados no sábado, 10, na Catedral da Sé, sete diáconos para servir à Igreja e ao povo de Deus.

Receberam o primeiro grau do sacramento da Ordem os seminaristas Alysson Antunes Carvalho, Romulo Freire Barroso, Miguel Lisboa Aguiar Marcondes e Yago Barbosa Ferreira, além do frade agostiniano Jeferson Dias da Silva, e os senhores Luiz Angelo Fortuna e Walmir Cardoso dos Santos, estes últimos como diáconos permanentes. 

Na assembleia de fiéis estavam amigos e familiares dos ordenandos, bem como paroquianos das igrejas por onde eles passaram durante seu processo de formação. Concelebraram dezenas de padres e os sete bispos auxiliares da Arquidiocese. 

Ministros da caridade

Dom Odilo, na homilia, recordou que os diáconos – assim como os padres e bispos – agem em nome da Igreja, que os prepara e os acompanha em um detalhado processo formativo. Fazendo alusão ao Ano Vocacional do Brasil, recordou que essas ordenações diaconais são fruto de um trabalho vocacional iniciado anteriormente, e ressaltou que a Igreja precisa dos ministros ordenados para prosseguir com sua missão.

“Anúncio, caridade e oração” são as três palavras que resumem a missão dos diáconos, conforme explicou Dom Odilo, destacando, ainda, que os diáconos “são os ministros da caridade na comunidade eclesial”.

O Arcebispo detalhou que compete aos diáconos “servir no anúncio da Palavra de Deus”; realizarem diretamente o serviço da caridade, “mediante a assistência aos pobres, aos doentes, aos aflitos e aos necessitados de toda a forma”; e serem homens de oração, pois é isso que os diferenciará de um agente social. “Vocês farão muita caridade social, mas como diáconos, como homens de Deus, devem aparecer o seu espírito de fé, de oração e de serviço agregado aos irmãos”, ressaltou. 

O rito de ordenação

O rito de ordenação começou após a proclamação do Evangelho, com a apresentação dos candidatos ao diaconato, sendo chamados nominalmente para confirmar diante do Arcebispo a disposição de se colocar a serviço do Reino de Deus.

Após a homilia, cada um dos candidatos ao diaconato assumiu publicamente as exigências desse ministério: ser consagrado ao serviço da Igreja; desempenhar, com humildade e amor, o ministério diaconal como colaborador da ordem sacerdotal; guardar o mistério da fé e proclamá-la por palavras e atos; guardar para sempre o celibato (o que não se aplica aos diáconos permanentes); perseverar e progredir no espírito de oração; e imitar o exemplo de Cristo. Depois, eles se ajoelharam diante de Dom Odilo e individualmente prometeram respeito e obediência ao Arcebispo e a seus sucessores. 

Cardeal Scherer ordena 7 diáconos para servir à Igreja, Jornal O São Paulo

Na sequência, foi entoada a Ladainha de Todos os Santos, após a qual ocorreu o momento central: a imposição das mãos do Arcebispo sobre a cabeça de cada um dos eleitos, comunicando-lhes o Espírito Santo; e prece de ordenação. 

Depois, estando de frente à assembleia de fiéis, cada um dos novos diáconos foi revestido com a estola e a dalmática, vestes que indicam o serviço desse ministério. Já de volta ao presbitério, eles receberam do Arcebispo o livro dos Evangelhos. A conclusão do rito foi com o abraço da paz aos neodiáconos, primeiro de Dom Odilo e depois dos demais bispos e padres concelebrantes. 

Gratidão e disposição em servir

Após a comunhão, foram lidas mensagens de agradecimento pelos recém-ordenados. Em nome dos novos diáconos permanentes, Luiz Angelo manifestou a gratidão a Deus, aos familiares, aos professores da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção e aos formadores da Escola Diaconal São José, onde os candidatos ao diaconato permanente realizam seu processo formativo. Também agradeceu à Missão Belém e à Capelania da Santa Casa de Misericórdia, onde eles realizaram um período de vivência pastoral. “Rezem por nós, para que possamos servir onde quer que o nosso ministério nos levar”, disse.

Pelos novos diáconos seminaristas falou Alysson Carvalho. Ele agradeceu aos familiares de todos, aos padres formadores do Seminário Arquidiocesano Imaculada Conceição, aos sacerdotes que os receberam nas paróquias para os períodos de vivência pastoral, aos bispos auxiliares e ao Arcebispo Metropolitano: “Recordamos que os diáconos estão intimamente ligados ao bispo, por meio dos serviços da caridade e do altar. Somos gratos pelo senhor, Dom Odilo, em nós confiar para essa missão”.

Cardeal Scherer ordena 7 diáconos para servir à Igreja, Jornal O São Paulo

Antes da bênção final, o Padre José Adeildo Pereira Machado, Reitor do Seminário de Teologia Bom Pastor, fez a leitura do uso de ordens e provisão dos novos diáconos seminaristas da Arquidiocese – Alysson Antunes (Região Ipiranga); Miguel Lisboa (Brasilândia), Romulo Freire (Santana) e Yago Barbosa (Belém) – bem como dos diáconos permanentes – Luiz Angelo (Sé) e Walmir Cardoso (Ipiranga). Já o Diácono Frei Jeferson Dias da Silva exercerá seu ministério junto à Ordem de Santo Agostinho (agostinianos). 

Em entrevista ao O SÃO PAULO, o Padre José Adeildo detalhou como será o exercício do ministério pelos novos diáconos seminaristas. “Uma vez designados para as regiões episcopais, serão encaminhados para as atividades pelo vigário episcopal. Também vão conhecer outros organismos da Arquidiocese. Eles estão às portas da ordenação presbiteral e, com essa vivência, terão em mãos aquilo que é próprio do ser padre, a realidade de uma paróquia, e, assim, vão se aprofundando, descobrindo o que significa fazer parte de um presbitério, e estarão mais próximos da missão que o bispo lhes pedir”, concluiu. 

Cardeal Scherer ordena 7 diáconos para servir à Igreja, Jornal O São Paulo

LEMAS DE ORDENAÇÃO DIACONAL

Alysson Antunes Carvalho
“Amamos, porque Deus nos amou primeiro” (1Jo 4,19)

Romulo Freire Barroso
“Seja a vossa bondade reconhecida por todos os homens. O Senhor está próximo” (Fl 4,5)

Miguel Lisboa Aguiar Marcondes 
“Para servir” (Mc 10,45)

Yago Barbosa Ferreira
“O Espírito do Senhor está sobre mim” (Lc 4,18)

Frei Jeferson Dias da Silva, OSA
“Eu estou no meio de vós como aquele que serve” (Lc 22,27)

Luiz Angelo Fortuna
“Inclina, Senhor, o teu ouvido e atende-me, pois eu sou pobre e indigente” (Sl 86,1)

Walmir Cardoso dos Santos
“Sou agradecido para com Aquele que me deu forças. Cristo Jesus, Nosso Senhor, que me julgou fiel, tomando-me para o seu serviço…” (1Tm 1,12a)


‘Me chamastes para caminhar na vida contigo’

Ordenados no sábado, 10, na Catedral da Sé, pelo Cardeal Scherer (leia detalhes na página ao lado), os sete novos diáconos da Igreja contaram ao O SÃO PAULO sobre o despertar da vocação ao ministério ordenado e a disposição em servir a Igreja.

Cardeal Scherer ordena 7 diáconos para servir à Igreja, Jornal O São Paulo

Yago Barbosa: ‘O Senhor me chamava para mais perto Dele’

A forma com que a avó, Luiza Maria da Conceição Barbosa, já falecida, falava sobre as coisas da Igreja fez com que desde a infância Yago Barbosa Ferreira, 26, tivesse um olhar mais atencioso para a vida sacerdotal. Ele também se encantou pelos detalhes da Liturgia, “de maneira particular o incenso, que, aos meus olhos de criança, realmente dava o sentido do Sagrado”. 

Sua vida de fé começou na Paróquia Nossa Senhora das Graças, na Diocese de Santo Amaro. O ingresso no Seminário Propedêutico da Arquidiocese de São Paulo ocorreu em 2015, tendo como inspiração o Padre Marcelo Rossi, que ele via com frequência pela tevê. Com o decorrer dos anos, buscou compreender melhor o que é o sacerdócio, “até chegar ao ponto de decidir abraçar essa missão, reconhecendo que de fato o Senhor me chamava por esse caminho, para mais perto Dele”.

O novo diácono seminarista diz que viverá seu ministério “em profunda comunhão com o nosso arcebispo, sobretudo neste tempo em que encerramos nosso sínodo arquidiocesano”. 


Miguel Lisboa: vocacionado a zelar pela vida do próximo 

Na Paróquia Santo Antônio de Pádua, na Região Lapa, Miguel Lisboa Aguiar Marcondes, 25, foi coroinha, catequista e participou do ministério de música, vivências que sempre o fizeram pensar em ser padre. Em 2014, porém, ele foi aprovado no vestibular de Medicina na USP. Era, então, chegada a hora de se decidir: “O testemunho de vida do padre que me enviou ao seminário e o discernimento que fizemos juntos me fez perceber que o Senhor me chamava para cuidar da vida das pessoas, mas da vida espiritual das mesmas”, recordou. 

Miguel ingressou no Seminário Propedêutico em 2015 e diz que ao longo do processo formativo, com as aprovações para o estudo da Filosofia e da Teologia, teve cada vez mais certeza do “sim” dado a Deus: “Percebi, também, passos firmes da minha vocação no realizar do dia a dia na vida pastoral, acadêmica, comunitária e espiritual”.

O novo diácono espera exercer este ministério “fortalecido pelo dom do Espírito Santo, ajudando o bispo e o seu presbitério no serviço da Palavra, do altar e da caridade”. 

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Alysson Antunes: ‘proporcionar às pessoas o encontro com o amor de Deus’

Alysson Antunes Carvalho, 26, tem formação técnica em design de interiores e é pós-graduado em Arte e Arquitetura Sacra. Ingressou no seminário propedêutico em 2015, e, como os demais diáconos seminaristas, se graduou em Filosofia e Teologia. 

Oriundo da Paróquia Nossa Senhora da Esperança, na Região Belém, ele recorda que sentiu o chamado ao sacerdócio ao participar da Catequese na Paróquia Santa Bernadette na mesma região episcopal. Certo dia, ao participar de um encontro vocacional da Arquidiocese, “percebi que talvez o sacerdócio fosse minha vocação e que valeria a pena me dedicar a esse propósito”. 

Alysson conta que, ao longo das etapas formativas, sentiu a confirmação da vocação ao vivenciar as diferentes realidades da Arquidiocese, seja nas comunidades paroquiais, seja nas visitas às famílias e aos enfermos. Agora, como diácono, ele acredita que terá “uma oportunidade muito rica de proporcionar às pessoas o encontro com o amor de Deus”. 


Romulo Freire: ‘Fui conduzido pelo coração, crendo na inspiração divina’

Romulo Freire Barroso, 45, chegou a pensar seriamente sobre a vocação sacerdotal quando era missionário em uma comunidade religiosa, mas depois desistiu da ideia. Um dia, ao participar de uma missa em sua Paróquia de origem, a Santa Cruz, na Região Belém, Dom Edmar Peron, então Bispo Auxiliar da Arquidiocese, disse que o ajudaria nesse discernimento.

“Eu não queria outra experiência vocacional, mas depois isso se transformou em uma crise interior. Nada mais fazia sentido, e, assim, fui conduzido pelo coração, crendo na inspiração divina a deixar tudo e iniciar o processo formativo pela Arquidiocese”, comentou. 

Romulo ingressou no Propedêutico em 2014 e, ao longo do processo formativo, disse ter fortalecido o “sim” a Deus por meio das experiências de oração com os movimentos da Igreja e nos trabalhos pastorais e missionários. 

Agora ordenado, ele diz que procurará se manter no compromisso com a oração, “que é a base para servir bem. No contato com o Senhor, que é amor, Ele há de me colocar sempre disponível a dar o melhor na tríplice função do diácono”.

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Frei Jeferson Dias: ‘Uma só alma e um só coração orientados a Deus’ 

Nascido em família católica, Jeferson Dias da Silva, 33, era assíduo nas atividades da Capela Nossa Senhora da Conceição, na Diocese de Nazaré (PE): colaborava na Catequese, na Liturgia e nas festas. “Senti o forte chamado e desejo de avançar para águas mais profundas, ou seja, de fazer uma experiência vocacional.” 

Jeferson, então, foi para o seminário daquela diocese. Um ano depois, em 2014, iniciou a caminhada vocacional na Ordem de Santo Agostinho, tendo ingressado no postulantado em 2015, em Curitiba (PR). Em 2018, começou o noviciado em Lima, no Peru, e, depois, estudou Teologia em São Paulo, tendo professado os votos solenes em agosto deste ano. 

A primeira missão do novo diácono será na Paróquia Santo Antônio, em Campinas (SP): “Um dos pilares da vida e carisma agostiniano justamente é o serviço à Igreja a partir do nosso ideal de vida que é ‘Uma só alma e um só coração orientados a Deus’. É desta maneira que me vejo exercendo o diaconato em uma dinâmica de serviço, levando em consideração a dinâmica da comunidade e unidade que são tão caros a nós, agostinianos”. 


Luiz Angelo: ‘Servir à Igreja e ao povo de Deus onde se faça necessário’ 

O ano era 2013. Luiz Angelo Fortuna e a esposa, Elizabeth de los Santos Fortuna, eram catequistas e ministros extraordinários da Sagrada Comunhão na Paróquia São Vito Mártir, na Região Sé, quando ele recebeu o convite do Pároco para se preparar ao ministério do diaconato permanente. Após refletir a respeito, ingressou na Escola Diaconal São José no segundo semestre de 2014, quando a esposa já havia falecido. 

“Nossa família ainda se ressentia da falta da mãe e da esposa. Tive que conciliar meu papel de pai, com as atividades profissionais, as aulas na Faculdade de Teologia e a Escola Diaconal. Mas, com a graça de Deus e a compreensão e apoio de meus filhos, consegui chegar até aqui. Sou eternamente grato a eles pelo amor, suporte e compreensão”, diz o diácono permanente de 64 anos, que é pai de Bruno, 31, e de Giulio, 26.

O Diácono Luiz Angelo ressalta que irá “servir a Igreja em São Paulo e ao povo de Deus onde quer que se faça necessário”, e que, embora não lhe caiba escolher o que fará, “ficaria muito feliz em servir na formação dos leigos e na assistência espiritual aos doentes”.

Cardeal Scherer ordena 7 diáconos para servir à Igreja, Jornal O São Paulo


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Walmir Cardoso, desde a juventude, desejou ajudar os que mais precisam

Walmir Cardoso dos Santos, 42, é casado há 12 anos com Luciana Martins Cardoso, e pai de Davi Martins Cardoso, 11.

“O exemplo de minha mãe, meus irmãos e minha esposa foram e são fundamentais para o desenvolvimento e a manutenção da minha vocação. O exercício do meu diaconato só é possível graças ao auxílio da minha esposa e meu filho”, enfatizou.

Desde a juventude, Walmir sentia o chamado em ajudar os que mais precisam, razão pela qual, apoiado por frades agostinianos, inseriu-se nas atividades ligadas à caridade e à Catequese. Ao iniciar os estudos em Teologia, conheceu outros candidatos ao diaconato permanente e, convidado por um deles, ingressou na escola diaconal. 

Walmir, que é paroquiano da Paróquia São João Clímaco, na Região Ipiranga, também é graduado em Filosofia e tem pós-graduações em Filosofia antiga, Ensino Religioso Escolar e Metodologia do Ensino de Filosofia. Ele exercerá seu ministério junto à comunidade paroquial, à Missão Belém e à capelania da Santa Casa de Misericórdia. 

 

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