CorUnum amplia ações para atenção integral às pessoas em situação de vulnerabilidade

Associação foi criada em 2020, em meio à pandemia de COVID-19, na Paróquia Nossa Senhora do Brasil. Detalhes podem ser vistos pelo Instagram (@corunum_nsb)

Há pouco mais de um ano, diante do avanço da pandemia de COVID-19 e do crescente aumento da fome entre as pessoas mais vulneráveis da sociedade, a Paróquia Nossa Senhora do Brasil, na Região Sé, se mobilizou para arrecadar alimentos, roupas e itens de higiene a serem doados.

Surgia, assim, a associação CorUnum, nome que sintetiza a união de todos os paroquianos em um só coração para ajudar os irmãos. Apenas nos três primeiros meses de atividades, em 2020, foram arrecadadas 35 toneladas de alimentos e distribuídos 11 mil sanduíches, 4 mil marmitas e 5 mil peças de roupas.

Frentes de ação

Nos meses seguintes, mais pessoas e empresas passaram a colaborar com as iniciativas, fazendo com que fosse preciso organizar o CorUnum em frentes de atuação – ou braços, como chamam os organizadores –, todas mantidas por meio de trabalho voluntário e doações, com o objetivo comum de assegurar a dignidade integral daqueles que são ajudados e não apenas de lhes dar uma assistência pontual.

A arrecadação de alimentos não perecíveis, itens de higiene, produtos de limpeza, roupas e cobertores continua a ser feita e está sob a responsabilidade do braço Doações e Logística.

Outro braço da iniciativa é o Kitchen Cor, pelo qual são produzidas marmitas de segunda a quinta-feira em uma cozinha industrial, bem como nas casas de paroquianos e outros voluntários do CorUnum.

Ainda referente à alimentação, no SanduCor famílias se organizam para, em suas casas, montar sanduíches com pão, queijo e uma proteína (mortadela, peito de peru, presunto ou apresuntado), que são entregues a quem mais precisa. A cada dois domingos, o grupo de jovens da Paróquia também participa da montagem dos sanduíches, que são doados à Aliança de Misericórdia e à Missão Belém. Os jovens ainda atuam no braço de Distribuição das doações.

A atenção ao próximo, porém, vai além das obras de misericórdia de dar de comer a quem tem fome; de beber a quem tem sede e de vestir a quem tem frio.

Por meio do Saúde Cor, cerca de 80 profissionais – entre médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, cuidadores – doam seu tempo para atender em projetos que acolhem pessoas em situação de vulnerabilidade, como é o caso da Missão Belém. “Para nós, é tão importante aquele que doa uma hora de seu tempo a esses trabalhos como quem doa um ou dois dias de sua agenda aos atendimentos”, comenta uma das articuladoras do CorUnum, que, assim como os demais participantes, pede que não seja identificada, uma vez que fala em nome de todo o grupo.

Há, ainda, o Kits Cor, que regularmente viabiliza a doação à Capelania Católica do Instituto de Infectologia Emílio Ribas de kits de higiene pessoal e chinelos para pessoas internadas.

Outra ação é o Juris Cor, no qual 20 voluntários têm auxiliado as entidades apoiadas em questões jurídicas e ajudado refugiados no Brasil a regularizar a documentação para permanência no País.

Olhar integral

Um dos mais recentes braços do CorUnum é o de Mentoria/Finanças, pelo qual se procura dar uma atenção integral à pessoa que é atendida, a fim de que possa planejar novos rumos de vida, o que passa pela autonomia financeira.

A proposta está em prática por meio de uma parceria com o Espaço SEHR, mantido pelo renomado chef Rodney Caco, que tem ensinado imigrantes venezuelanas a fazer receitas simples e baratas da culinária brasileira e que podem ser facilmente comercializadas por elas, como brigadeiro, pão de mel e torta de frango. O primeiro grupo concluiu o curso este mês e cada uma das participantes terá uma mentoria para acompanhamento de seus passos na vida pessoal e financeira.

“Não queremos que o CorUnum seja só o fornecedor de cesta básica para essa pessoa que precisa, mas, sim, que ela possa contar conosco para questões de saúde e de espiritualidade também”, explica uma das participantes, destacando que partiu do Pároco, Padre Michelino Roberto, o pedido para que a associação entendesse melhor como ajudar os atendidos pelas instituições com as quais o projeto colabora.

Aprendizados que inspiram

Perguntados sobre o que explica o crescimento do projeto, os participantes são unânimes em afirmar que é a ação do Espírito Santo, e ressaltam que tudo tem sido possível graças ao apoio material da comunidade paroquial, bem como das orações em ação de graças por tudo que é recebido. Um dos braços do CorUnum inclusive é o Intercessão Cor, para orações por aqueles que estão nas ações e pelos que por elas são beneficiados.

Outros braços são o Eventos Cor e o Curadoria Cor, pelos quais se planejam parte das ações.

A experiência acumulada indica alguns caminhos do êxito do CorUnum. Um deles é a publicização das ações realizadas, sem que isso represente a exposição daqueles que são beneficiados. Desse modo, fotos, vídeos e cards com o balanço das ações podem ser encontrados no Instagram (@corunum_nsb).

Outro aspecto é que o doador sabe efetivamente que aquilo que doou chegará ao destino final. “Por exemplo, se a pessoa deposita em nossa conta um valor com os centavos finais 01, sabemos que é um recurso específico para cesta básica, se for final 02 é para marmitas. Então, o dinheiro só será usado para comprar aquilo que o doador desejou.”

Os organizadores também avaliam que o fato de as instituições beneficiadas pelas doações já terem um reconhecido trabalho na dimensão caritativa é fundamental para a credibilidade do projeto.

Por onde começar?

Embora o CorUnum não tenha surgido com um formato pronto e esteja sempre aberto a novas ideias, a partir da conversa com os organizadores é possível mapear algumas atitudes fundamentais para os que desejam fazer algo parecido nas paróquias onde estão:

1) Pode-se começar por um pequeno grupo de pessoas – de duas a três – com vontade e disponibilidade para a ação, ainda que não saibam bem sobre tudo a ser feito;

2) A primeira ação pode ser simples e direta, como uma mobilização para a doação de alimentos não perecíveis;

3) É indispensável que a iniciativa tenha o apoio do pároco, a fim de que ele motive toda a comunidade a participar;

4) A instituição a ser beneficiada com as doações precisa ser alguma já reconhecida por aquilo que faz em favor do próximo;

5) Desde o primeiro momento, deve-se registrar e organizar todas as doações recebidas, para que se possa prestar contas depois e, assim, manter a credibilidade da Paróquia e da iniciativa.

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