Dom Odilo: Nossa Senhora deseja que haja equidade, justiça e fraternidade no Brasil

Arcebispo presidiu missa no Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora Aparecida no dia da Padroeira do Brasil

Dom Odilo: Nossa Senhora deseja que haja equidade, justiça e fraternidade no Brasil, Jornal O São Paulo
Cardeal Scherer preside a missa das 10h no Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora Aparecida (fotos: Luciney Martins/ O SÃO PAULO)

O Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora Aparecida, no Ipiranga, recebe na quarta-feira, 12, milhares de fiéis para a solenidade da Padroeira do Brasil, com missas durante todo este dia. A primeira ocorreu às 5h30 e a última está prevista para as 19h30.  Às 17h, haverá a procissão com a imagem mariana pelas ruas do bairro.

Às 10h, os fiéis lotaram o templo para a missa presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, que destacou o papel central de Maria no mistério da fé cristã e o chamado da Padroeira do Brasil para que seus filhos vivam sempre em paz no País e atentos aos mais fragilizados.

“Somos todos irmãos, membros da mesma família. Nossa Senhora Aparecida, nossa Mãe, Padroeira do Brasil, é hoje venerada, com fé, por todos os brasileiros. A Ela, queremos confiar não só nossas intenções, pedidos, angústias, alegrias, mas também todo o Brasil, sem nos esquecermos dos doentes, dos pobres, das pessoas desorientadas, que mais necessitam de seu olhar materno”, afirmou o Arcebispo no começo da missa, que teve entre os concelebrantes o Padre Zacarias José de Carvalho Paiva, Pároco e Reitor do Santuário Arquidiocesano.

PAPEL CENTRAL NO MISTÉRIO DA FÉ

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Na homilia, Dom Odilo recordou o papel central da Virgem Maria para o mistério da fé cristã e para o bem de toda a humanidade, já que ela foi a escolhida por Deus para ser a Mãe do Salvador: “Maria disse seu sim, se colocou em sintonia plena com a vontade de Deus”.

Ao comentar o evangelho do dia (Jo 2,1-11), o Cardeal Scherer recordou que nas bodas de Caná Maria faz a apresentação pública de Jesus, que transforma a água em vinho, ou seja, é capaz de elevar, enriquecer e transformar a humanidade, segundo a graça da divindade.

“Maria está presente no centro do mistério da nossa fé, e por isso nós, na Igreja, temos essa devoção especial por ela, a Mãe do Filho de Deus, Mãe do Nosso Salvador. Por ela veio ao mundo a graça de Deus que se estendeu para todos nós. Maria está sempre junto de Jesus, que mostrou que onde Ele está com os discípulos, ela também está por perto”, enfatizou o Arcebispo.

OS PEDIDOS DA MÃE AO POVO BRASILEIRO

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Dom Odilo exortou que os fiéis presentes à missa no Santuário Arquidiocesano apresentassem, com confiança, seus pedidos a Nossa Senhora, e indagou-lhes sobre o que deseja a Padroeira do Brasil para o povo brasileiro e a nação, que tem vivido dias de intensa polarização e extremismos de motivação política.

“O que ela diria hoje, na sua festa, com os filhos se reunindo diante dela em sua casa? Ela nos diria, ‘meus filhos, procurem o bem melhor para todos, de todo o povo brasileiro. Não briguem!’. Vocês acham que a mãe gosta se os filhos brigam dentro da casa? A mãe não fica feliz quando os filhos estão divididos. Será que a mãe fica feliz vendo este espetáculo horroroso? Povo brasileiro, vamos procurar o melhor bem de todo o Brasil. No fim destas eleições, será que ainda vão poder viver juntos quem está se combatendo desta forma? Ou vamos ter de dividir o Brasil para os de cá e os de lá? Não é possível isso! Não dá! Nossa Senhora não ficaria feliz”, enfatizou Dom Odilo.

O Arcebispo Metropolitano ponderou que as diferenças políticas são legítimas e que a Igreja não impõe um pensamento político ao povo católico. “Os critérios para votar já estão dados, e abundantemente. Agora, cabe a cada um fazer a sua escolha, na sua consciência diante de Deus e da sua responsabilidade diante do povo”, apontou, destacando que independentemente de quem vença as eleições presidenciais deve ser mantido o direto de cada cidadão de lutar por aquilo que acredita e o dever de respeitar a quem pense diferente.

O Cardeal fez um apelo para que sempre haja atenção com os mais vulneráveis da sociedade. “Se queremos ser filhos que Nossa Senhora ama, olhemos para aqueles a quem ela mais tem preocupação: os que não têm alegria, os mais esmagados pela miséria, doença, pobreza, desatenção social, falta de oportunidades e pela corrupção. A preocupação principal de Nossa Senhora não é garantir que aqueles que já estão com a mesa farta tenham uma mesa ainda mais farta e que os que não têm nada continuem como estão ou fiquem pior ainda. Nossa Senhora olha para que haja equidade, justiça e fraternidade”.

Por fim, Dom Odilo ressaltou que a Virgem Maria repete sempre o que disse nas bodas de Caná: “‘Façam tudo o que Jesus mandar’. E o que Jesus mandou? ‘Irmãos, amem-se uns aos outros como eu vos amei’. Esta é a nossa regra, esta é a nossa lei, e não a de um partido, de uma ideologia, de quem quer que seja. A nossa opção religiosa vai além de um governante. Ela permanece, os governantes passam. Nossa regra é o Evangelho e disso não podemos nos esquecer também neste tempo eleitoral”.

Antes do término da missa, os fiéis rezaram a consagração a Nossa Senhora Aparecida e foram abençoados os objetos por eles levados para a missa.

Padre Zacarias agradeceu a participação dos fiéis, os trabalhos dos mais de 200 voluntários neste dia da festa da padroeira e rezou para que Nossa Senhora Aparecida sempre proteja e abençoe o Cardeal Scherer. O Arcebispo, por sua vez, desejou um feliz dia a todos e pediu que os católicos venerem Nossa Senhora Aparecida neste dia, em suas casas, nos espaços públicos e participando das missas.

80 ANOS DE HISTÓRIA

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A festa da padroeira deste ano é especial no Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora Aparecida, uma vez que chega a sua 80a edição.

A história da Paróquia está intimamente ligada ao IV Congresso Eucarístico Nacional, realizado em 1942, quando o então Arcebispo Metropolitano, Dom José Gaspar d’Afonseca e Silva, escolheu Nossa Senhora Aparecida como primeira peregrina do Congresso.

A Paróquia foi criada em fevereiro de 1942 para abrigar a imagem de Nossa Senhora Aparecida, tendo como primeiro Pároco o Padre Mário Marques e Serra. Para sua construção, membros da comunidade e moradores do bairro estiveram empenhados em campanhas como a do tijolo e a do livro, além de rifas e festas para angariar recursos financeiros.

A primeira missa, quando o prédio ainda estava sendo construído, aconteceu em outubro de 1949. Em 1955, deu-se a inauguração da nave central do templo. Em 1970, os sinos da torre começaram a ser içados, mas a obra foi concluída somente em 1991.

Em outubro de 2017, por ocasião das celebrações dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, e dos 75 anos de fundação da Paróquia, em outubro de 2017, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, elevou a igreja à categoria de santuário.

AQUI ESTÃO VOSSOS DEVOTOS!
 
“Alcancei muitas bênçãos e graças pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida. Certa vez, o carro em que eu estava capotou, deu perda total no veículo, mas eu não tive um arranhão sequer” – Hilda, ministra extraordinária da Sagrada Comunhão no Santuário
 
“Nossa Senhora, na minha fé, é tudo para minha família. Nossa Senhora sempre me ajuda. Com Nossa Senhora, ninguém é capaz de me derrubar” - Josefa, paroquiana, que depositou flores aos pés da imagem mariana.
 
“É uma alegria celebrar aqui no Santuário, uma bonita festa, e é muito bonito ver essa devoção tão especial. Maria nos leva a Jesus. Estando com Maria, nós permanecemos juntos com Jesus. Essa devoção tem um sentido muito bonito para todo o povo de Deus”- Dom Ângelo Ademir Mezzari, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Ipiranga.
 
“A movimentação está muito bonita. Nas missas com Dom Ângelo e Dom Odilo, a igreja estava tomada de fiéis, havia de 1.000 a 1.200 pessoas, em cada uma delas. É um momento de retomada de nossas atividades de maneira mais normal desde o início da pandemia” – Padre Zacarias Paiva, Pároco e Reitor do Santuário
 
(Relatos concedidos à jornalista Cleide Barbosa, da rádio 9 de Julho)

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