Episcopado brasileiro destaca experiência sinodal da Igreja à luz de Aparecida

Até sexta-feira, 29, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza a sua 59a Assembleia Geral (AG). Este ano, o evento que reúne mais de 300 bispos acontece em duas etapas. 

A pauta da primeira etapa, realizada na modalidade virtual, refere-se aos assuntos que exigem dos bispos reflexão e discernimento. A segunda etapa acontecerá entre os dias 29 de agosto e 2 de setembro, em Aparecida (SP), e marcará o reencontro do episcopado três anos após a última assembleia presencial, em 2019. Nela, serão priorizados os assuntos que o Estatuto da CNBB e o Direito Canônico exigem que as votações sejam presenciais. 

O tema central da AG é “Igreja Sinodal – Comunhão, Participação e Missão”, em referência ao caminho proposto pelo Papa Francisco para a Igreja no mundo inteiro, em vista da assembleia do Sínodo dos Bispos de 2023. O encontro do episcopado também acontece no contexto da comemoração dos 15 anos da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, realizada em 2007, em Aparecida, e dos 70 anos de fundação da CNBB. 

O encontro tem seis temas prioritários, entre eles o relatório anual do Presidente, o informe econômico e assuntos das Comissões Episcopais para a Liturgia, para a Tradução dos Textos Litúrgicos (CETEL) e para a Doutrina da Fé (CEPDF). 

Outros 30 temas estão na pauta do evento. São assuntos de estudo, comunicações, análises de conjuntura e temáticas que não exigem votações presenciais do episcopado. 

DIRETRIZES DA EVANGELIZAÇÃO 

“A nossa pauta da etapa virtual da 59a Assembleia Geral Ordinária da CNBB, portanto, já emoldura bem o caminho evangelizador que estamos percorrendo como Igreja, esperançosamente pascal, com riquezas grandes e um corajoso enfrentamento dos desafios vividos neste tempo e da complexa realidade contemporânea”, disse Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte (MG) e Presidente da CNBB. 

O Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro e Secretário-geral da CNBB, Dom Joel Portella Amado, explicou que o tema central da assembleia foi escolhido com o objetivo de alinhar e atualizar as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE 2019- 2023) da Igreja no Brasil à luz dos caminhos da Igreja que serão propostos pelo Sínodo de 2023. 

Quanto aos demais temas da AG, Dom Joel comentou que foram escolhidos a partir de uma escuta às dioceses e depois passaram pela aprovação do Conselho Permanente da CNBB. São considerados também temas com origem e desdobra- mentos de assembleias anteriores e que pre- cisam de aprovação e encaminhamentos. 

MISSAL ROMANO 

Sobre a liturgia, destaca-se a revisão da tradução brasileira do Missal Romano, livro que contém os textos litúrgicos da missa. 

O Bispo de Paranaguá (PR) e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB, Dom Edmar Peron, explicou que não se trata da elaboração de um novo Missal Romano, mas, sim, uma revisão da tradução da terceira edição do livro litúrgico. Ele destacou, ainda, que a revisão se faz necessária porque, desde a última edição, surgiram mudanças, novas orientações, inserções de novos santos no calendário de celebrações, entre outras mudanças. 

O Bispo também sublinhou que o trabalho de revisão da tradução foi pautado pela preocupação de garantir a fidelidade do texto original promulgado pela Santa Sé, em latim, e, ao mesmo tempo, levando em conta questões próprias da língua portuguesa no Brasil, que garantam a correta compreensão do rito celebrado. 

Após as devidas consultas e observações por parte dos bispos nesta primeira parte da assembleia, o texto será submetido à votação do episcopado na etapa presencial da assembleia e, em seguida, enviado à Santa Sé para que sua publicação seja autorizada. 

REVISÃO DO ESTATUTO 

A programação da primeira etapa da AG também dá continuidade ao processo de revisão do Estatuto da CNBB, iniciado em 2018. 

Os bispos sugeriram revisões em alguns artigos, especialmente quanto à questão dos bispos eméritos, do vínculo que a Conferência possui com alguns organismos, da regulamentação dos regionais, do acordo Brasil-Santa Sé, da estrutura da presidência e de algumas questões de padronização de termos. 

A redação final deve ser apresentada para votação na etapa presencial da AG. Após aprovação do episcopado, a revisão do Estatuto da CNBB será submetida à Santa Sé para a aprovação definitiva. 

COMUNHÃO COM O PAPA 

A abertura da assembleia contou com a participação do Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giambatistta Diquattro, que comunicou, inicialmente, a saudação do Papa Francisco, e destacou o compromisso do episcopado e de toda a Igreja no Brasil com a evangelização e com a renovação “seguindo o convite do Papa”. 

O representante do Papa no País também recordou os compromissos da sociedade brasileira neste ano como “motivos de atenção nacional e internacional”. Falou ainda da retomada das atividades eclesiais e comunitárias com a redução dos números da pandemia, destacando as visitas ad limina dos bispos à Santa Sé, o Congresso Eucarístico Nacional e o Ano Vocacional. 

ESCUTA E PARTILHA 

Durante o programa “Encontro com o Pastor”, na terça-feira, 26, na rádio 9 de Julho, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, definiu a Assembleia Geral como um momento muito rico de comunhão do episcopado brasileiro. “Existem amplos momentos de escuta, mas também de compartilhamento das nossas impressões e reflexões.” 

“Nós também refletimos sobre o momento em que vivemos no Brasil, seus problemas, perspectivas e como deve ser o engajamento de todos os cristãos, como cidadãos, participantes da vida pública do nosso País”, destacou Dom Odilo. 

Imprensa CNBB

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