Jogos Olímpicos: tempo de paz, superação e fé

A cerimônia de abertura da 32a edição dos Jogos Olímpicos de Verão acontece na sexta-feira, 23, mas o mundo já vivencia oficialmente o “espírito olímpico” desde o dia 16 com a Trégua Olímpica, que se estenderá até 12 de setembro.

Cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno de 2018 (foto: COI)

A Trégua Olímpica é uma resolução aprovada pelos países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) que propõe a paralisação de todos os conflitos no período entre sete dias antes da cerimônia de abertura da Olimpíada e sete dias após o encerramento da Paralimpíada.

De acordo com o Comitê Olímpico Internacional (COI), a Trégua Olímpica tem o “objetivo de proteger os interesses dos atletas e do esporte em geral, além de encorajar a busca por soluções pacíficas e diplomáticas para os conflitos pelo mundo”, e, ainda, mobilizar os jovens “para promover o ideal olímpico, usar o esporte para ajudar a construir pontes entre comunidades em conflito e, de maneira mais geral, criar uma janela de oportunidade para o diálogo e a reconciliação”.

Histórico

A Treguá Olímpica tem suas origens na Grécia Antiga, em meados do século VIII a.C., quando houve um acordo entre territórios em conflito para permitir que os atletas e suas famílias pudessem viajar em segurança para competir e assistir aos Jogos Olímpicos da Antiguidade, e, depois, regressar a seus locais de origem sem riscos de ataques.

Em 1992, o COI pediu à ONU para que se retomasse a prática da Trégua Olímpica, a fim de que atletas da extinta Iugoslávia, que estava em guerra civil, pudessem participar dos Jogos de Barcelona. A medida foi aceita pela maioria das nações. Em 1994, às vésperas dos Jogos Olímpicos de Inverno de Lillehammer, na Noruega, foi feita a primeira resolução da Trégua Olímpica.

A cada dois anos, por ocasião das edições olímpicas de verão e de inverno, a resolução é reescrita e aprovada pelos países-membros da ONU, mas mantém o título original: “Construindo um mundo pacífico e melhor por meio do esporte e do ideal olímpico”.

A Trégua Olímpica para os Jogos de Tóquio foi aprovada por unanimidade na assembleia geral da ONU em 2019.

Apelos atuais

Na quinta-feira, 15, o secretário-geral da ONU, António Guterres, em vídeo, destacou o valor da Trégua Olímpica: “Em poucos dias, atletas do mundo todo se reunirão no Japão para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Eles tiveram que superar enormes obstáculos para participar em meio à pandemia de COVID-19. Precisamos mostrar a mesma força e solidariedade em nossos esforços para trazer paz ao nosso mundo”.

Guterres lembrou, também, que “buscar a paz e a união em torno de objetivos comuns é ainda mais importante neste ano, enquanto nos esforçamos para acabar com a pandemia e construir uma recuperação global forte, sustentável e inclusiva”; e destacou que “pessoas e nações podem aproveitar esse descanso temporário para estabelecer cessar-fogo duradouro e encontrar caminhos para uma paz sustentável”.

No dia 9 deste mês, o presidente da assembleia-geral das Nações Unidas, Volkan Bozkir, ressaltou o papel do movimento olímpico para um futuro pacífico, por meio do valor educativo do esporte. “Os Jogos unirão atletas de todas as partes do mundo no maior dos eventos esportivos, como forma de promover a paz, o entendimento mútuo e a boa vontade entre nações e povos”, declarou.

Em 2020, quando a ONU poster- gou a adoção da Trégua Olímpica para 2021, o presidente do COI, Thomas Bach, afirmou que tal decisão era “um forte sinal de confiança de que esses Jogos Olímpicos serão a luz no fim do túnel escuro que a humanidade está passando atualmente”.

Até 8 de agosto, mais de 11 mil atletas participarão dos Jogos Olímpicos de Tóquio, muitos dos quais cristãos.

A seguir, apresentamos o perfil de duas dessas esportistas que competirão este ano e de uma que deu um testemunho público de fé em Londres 2012.

Grace McCallum (Estados Unidos)

Foto: Comitê Olímpico dos Estados Unidos

Aos 18 anos, a jovem norte-americana irá para a primeira olimpíada de sua carreira, com a equipe feminina de ginástica artística. Grace é filha de Sandy e Ed McCallum, e tem cinco irmãos. A família é engajada nas atividades da Paróquia Santa Elizabeth Ann Seton, na cidade de Isanti, mas também frequenta a Igreja de São Patrício, em Oak Grove. Em uma entrevista à revista Central Minnesota Catholic, em 2019, Grace disse que jamais viaja sem carregar seu Terço e uma cruz que ganhou de sua avó. Sandy contou que toda a família valoriza o poder da oração e acredita que ter uma vida orante ajuda que Grace seja uma pessoa concentrada em seus objetivos.

Érica Sena (Brasil)

Foto: CBAt

Ao cruzar a linha de chegada nos Jogos Rio 2016 na 7a posição na prova de 20km da Marcha Atlética, Érica Sena ajoelhou-se e fez o conhecido gesto de gratidão a Deus pelo desempenho em sua 1a participação olímpica. Em 2017, 2018 e 2019, foi 4a colocada em mundiais, além de medalhista de bronze no Pan de Lima 2019. Érica constantemente faz uso das redes sociais para agradecer a Deus: “Tudo faz sentido e se não tivesse acontecido tudo isso esse ano (#covid19), eu já teria competido em #tokyo mas o cara lá de cima falou que #não e eu fiquei muito chateada, mas muito mesmo. Mas aceitei, porque quem manda na minha vida é Ele e vai ser sempre assim. Agradecer pelas bênçãos que Ele me deu e pelas que eu não me deu também. Dele e para Ele são todas as coisas”, escreveu em agosto de 2020.

Aos 36 anos e recuperada de uma lesão que a deixou fora das competições por oito meses, Érica Sena é apontada como uma das favoritas ao pódio nos Jogos de Tóquio.

Meseret Defar (Etiópia)

Foto: Arquivo pessoal

Nos Jogos de Atenas 2004, Meseret Defar, com apenas 20 anos, surpreendeu ao conquistar a medalha de ouro na prova dos 5.000 metros do atletismo. Seu maior feito, porém, viria em Londres 2012, quando a etíope ultrapassou as adversárias nos 200 metros finais, tornando-se bicampeã olímpica. Assim que cruzou a linha de chegada, a cristã ortodoxa mostrou ao mundo uma flâmula com a imagem da Virgem Maria com o Menino Jesus e, em uma atitude de oração, emocionada, dedicou sua vitória à Mãe do Salvador. Meseret não obteve índice para a disputar os Jogos em Tóquio, mas continua a ser uma das referências do atletismo mundial. Ela também foi medalhista de bronze em Pequim 2008.

Você conhece a cruz olímpica?

Por ocasião da realização dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, a Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales idealizou a “Cruz Olímpica”. Ela foi estruturada pelo artista londrino Jon Cornwall, que utilizou 12 tipos de madeira, dos cinco continentes, representando os 12 apóstolos de Jesus. A cruz é sustentada por uma base com três madeiras, com palavras que remetem a três atitudes dos cristãos: fé, esperança e amor. Após os Jogos em Londres, a cruz foi enviada ao Brasil, e sob os cuidados da Arquidiocese do Rio de Janeiro, foi abençoada pelo Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude de 2013 e ficou em exposição durante os Jogos Rio 2016. A proposta era que a “Cruz Olímpica” e o “Ícone da Paz” que a acompanha – pintado no Mosteiro de São João do Deserto, próximo a Jerusalém, com representações das passagens bíblicas e de santos – também estivessem nos Jogos de Tóquio, mas em razão da atual pandemia isso não será feito.

Pelo fim dos conflitos

O apelo pela paz apresentado pela Trégua Olímpica pode fazer a diferença para muitas pessoas que vivem em áreas de conflito e sob permanente risco de vida.

Em 2020, conforme dados da Organização das Nações Unidas (ONU):

– 160 milhões de civis viviam em áreas de tensão;

– Mais de 99 milhões de pessoas, em 23 países em conflito, sofreram de insegurança alimentar extrema;

– 79,5 milhões de pessoas foram forçadas a migrar dos países onde viviam, a maioria, mulheres e crianças;

– Em 59 países e territórios, 48 milhões de pessoas foram forçadas a deslocar-se internamente devido ao conflito e à violência.

Fonte: ONU

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