Militantes do laicismo francês atacam proposta de atividade acadêmica em templo católico 

Diocese de Tarbes e Lourdes

David Castebrunet, secretário do sindicato dos professores do departamento de Altos Pireneus, considera um atentado gravíssimo contra o laicismo francês levar um grupo de estudantes do curso fundamental e médio de Lourdes para a gruta de Nossa Senhora de Lourdes e, entre outras atividades, cantar uma obra de Mozart. 

Para tanto, Castebrunet enviou uma carta ao reitor, ao diretor acadêmico, ao diretor do colégio em questão, à inspetoria da academia e à imprensa local, condenando a iniciativa. 

“O que é um problema para nós é o local, que é altamente emblemático”, diz ele, em referência à esplanada da Basílica de Notre-Dame. “É também a obra que será executada, o Ave verum corpus, uma composição de Mozart.” 

Esta peça para coro, cordas e órgão foi composta no final do século XVIII para a festa de Corpus Christi. A música, em sua versão latina, traz a oração pronunciada para a ocasião: “Ave, verdadeiro corpo nascido da Virgem Maria, que verdadeiramente sofreu e foi imolado na cruz pelo homem…” 

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA 

Na carta, ele mostra sua intolerância religiosa ao afirmar que é um grave atentado à neutralidade religiosa convocar os alunos para “participar de um concerto a ser realizado no dia 11 de julho, na gruta de Lourdes, em que os alunos cantarão, neste lugar símbolo do catolicismo, uma canção religiosa. O secularismo é o produto de uma longa história da França. A separação entre Igreja e Estado foi estabelecida pela lei de 1905. […] Os principais textos que proíbem o proselitismo e a propaganda religiosa nas escolas públicas têm mais de um século”. 

“A participação dos alunos é, obviamente, voluntária”, enfatiza Thierry Aumage, diretor acadêmico da associação das escolas de Altos Pireneus. “Os professores também tiveram autonomia para escolher se envolveriam ou não suas turmas nessa atividade, sem dizer que ela acontecerá fora do período letivo”, conclui. 

Como assinala David Fray, diretor do musical “L’Offrande”, um festival sem conotação religiosa que engloba a atividade proposta na gruta de Nossa Senhora de Lourdes, “a Igreja é, há séculos, uma das principais patrocinadoras das obras artísticas”. É ela quem deu origem a “seções inteiras do patrimônio musical, pictórico e arquitetônico da humanidade”, insiste. “Em cada uma dessas obras coexistem dois aspectos: um, o do culto, que se dirige aos crentes; o outro, o do patrimônio, que é dirigido a todos, sem exceção.” 

Parece que o sindicalista está contra um monumento que, além de ser um símbolo religioso, também faz parte da cultura europeia, querendo proibir os alunos das escolas públicas de ir à Gruta de Massabielle, e de cantar músicas de um grande compositor, Mozart. 

Fontes: Belgium Detail Zero e Gaudium Press 

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