Na ‘Semana Maior’, celebra-se o mistério central da fé cristã

Na ‘Semana Maior’, celebra-se o mistério central da fé cristã, Jornal O São Paulo
Angie Menes /Cathopic

No domingo, 10, com a celebração do Domingo de Ramos, os católicos iniciam a Semana Santa, também conhecida como a “Grande Semana” ou “Semana Maior”, por ser considerada a mais importante do ano pelos cristãos. Nela, celebra-se o mistério salvífico de Jesus, a partir do qual toda realidade humana adquire sentido pleno e para o qual converge todo o ano litúrgico.

Nessa primeira celebração, recordam-se dois momentos marcantes da vida de Jesus: sua entrada solene em Jerusalém e sua Paixão. A liturgia prevê a bênção dos ramos e uma procissão nas ruas ou no interior da igreja, enquanto o relato da Paixão segundo um dos evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) é proclamado durante a missa.

Há uma razão histórica para a proclamação desses dois relatos dos evangelhos. Nos primeiros séculos, não havia a celebração do Tríduo Pascal e, por isso, não era costume celebrar a Paixão do Senhor na sexta-feira antes da Páscoa. Por isso, no domingo anterior à Páscoa, recordava-se a morte de Cristo para, na semana seguinte, os fiéis celebrarem sua Ressurreição. Mesmo após a instituição do Tríduo Pascal, manteve-se essa tradição litúrgica, sobretudo para que os fiéis impossibilitados de celebrar o Tríduo – como em países de minoria cristã – possam vivenciar liturgicamente o mistério da Paixão. Além disso, a recordação desses dois momentos convida os fiéis a meditarem sobre o fato de que a multidão que aclama Jesus como o “Filho de Davi” é a mesma que grita “Crucifica-o” dias depois.

A liturgia dos demais dias da Semana Santa ressalta momentos que antecedem a Paixão do Senhor, como na segunda-feira, a cena da mulher que lava os pés de Jesus com perfume; quando Jesus anuncia sua morte, causando sofrimento aos discípulos, na terça-feira; e a traição de Judas, que se dirige aos chefes dos sacerdotes e se oferece para entregar Jesus, na quarta-feira.

MISSA DO CRISMA

Na manhã da Quinta-feira Santa, acontece a missa do Crisma, assim chamada porque nesta celebração são abençoados os óleos usados nos sacramentos do Batismo e Unção dos Enfermos e é consagrado o óleo do Crisma, usado nos sacramentos do Batismo, Confirmação, nas ordenações sacerdotais e episcopais, além das dedicações de altares e templos. Também nessa missa, os padres renovam suas promessas sacerdotais diante do bispo ou arcebispo, por ocasião da recordação da instituição do sacerdócio.

Em algumas dioceses, especialmente no interior, essa celebração acontece na quarta-feira à noite ou mesmo nos dias anteriores, para que os padres possam se deslocar à catedral e retornar às suas paróquias a tempo de celebrar o Tríduo Pascal.

TRÍDUO PASCAL

Desde o início do Cristianismo, todo domingo é dia privilegiado para a celebração da Páscoa da Ressurreição do Senhor. A partir do século II, os cristãos passaram a realizar uma celebração anual maior, inspirados na celebração judaica da Páscoa e, em torno disso, desenvolveu-se o Tríduo Pascal.

O Tríduo Pascal é como se fosse uma única celebração, em três dias, por meio da qual se torna presente a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Ele é aberto com a Missa da Ceia do Senhor, que recorda a Última Ceia, quando o Senhor instituiu a Eucaristia, deu aos apóstolos seu novo manda- mento – “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Nessa ocasião, Jesus também instituiu a ordem sacerdotal e deixou como exemplo a caridade e o serviço aos irmãos, simbolizados pelo rito do lava-pés, ação que é recordada durante essa missa.

Ao término da missa, é feita a transladação do Santíssimo Sacramento para um lugar preparado, a fim de serem adoradas e conservadas as partículas consagradas para a comunhão da Sexta-feira Santa. O altar é desnudado e todos os adornos do presbitério são retirados.

A Sexta-feira Santa é o dia dedicado à memória da Paixão e Morte do Senhor. O silêncio, o jejum e a oração marcam esse dia, o único do ano em que não é celebrada a missa, mas a Ação Litúrgica da Paixão do Senhor, na qual é proclamada a narrativa da Paixão segundo o Evangelho de São João. A liturgia é marcada pela Oração Universal (que contempla as intenções pela Igreja e pelo mundo), pela Adoração da Cruz e pela Comunhão (das espécies consagradas na noite anterior).

A manhã e a tarde do Sábado Santo são marcadas pelo silêncio e contemplação de Jesus morto e sepultado. Esse silêncio só é interrompido à noite, com a celebração da solene Vigília Pascal que anuncia a Ressurreição de Jesus Cristo.

Considerada a mãe de todas as vigílias, essa liturgia se divide em quatro partes: Lucernário, que compreende a bênção do fogo (simbolizando o Cristo ressuscitado, luz do mundo) e a proclamação da Páscoa (Precônio Pascal); a Liturgia da Palavra, com as nove leituras que resumem a História da Salvação (sete do Antigo Testamento e duas do Novo, sendo uma extraída das Cartas de Paulo e outra do Evangelho); a Liturgia Batismal, na qual aqueles que foram preparados para este sacramento são batizados e os demais fiéis renovam suas promessas batismais; e, por fim, a Liturgia Eucarística, ápice da Vigília, o próprio sacrifício pascal.

DOMINGO DE PÁSCOA

Considerada a data mais importante do calendário litúrgico católico, no Domingo de Páscoa se celebra a vitória da vida sobre a morte e o testemunho dos apóstolos de que o túmulo está vazio, pois o “Senhor verdadeiramente ressuscitou”.

Como ressalta o Catecismo da Igreja Católica, “a Páscoa não é simplesmente uma festa entre outras: é a ‘festa das festas’, a ‘solenidade das solenidades’, tal como a Eucaristia é o sacramento dos sacramentos” (CIC, 1169).

“Partindo do Tríduo Pascal, como da sua fonte de luz, o tempo novo da ressurreição enche todo o ano litúrgico da sua claridade. Progressivamente, de um lado e de outro desta fonte, o ano é transfigurado pela liturgia”, acrescenta o Catecismo (1168).

CELEBRAÇÕES DO TRÍDUO PASCAL E DA PÁSCOA

Na ‘Semana Maior’, celebra-se o mistério central da fé cristã, Jornal O São Paulo

Cardeal Odilo Pedro Scherer

  • Todas as celebrações na Catedral da Sé
    10/04 – Domingo de Ramos – 11h
    14/04 – Quinta-feira Santa – Missa Crismal 10h
    Celebração solene da Ceia do Senhor – 18h
    15/04 – Sexta-feira Santa –
    Celebração da Paixão do Senhor – 15h
    16/04 – Sábado Santo, Solene Vigília Pascal – 19h
    17/04 – Missa do Domingo de Páscoa – 11h

Dom Carlos Lema Garcia

  • Domingo de Ramos, 9h30 – Paróquia São Gonçalo (Praça Doutor João Mendes, 108, Centro)
  • Quinta-feira Santa, 20h – Paróquia Nossa Senhora Aparecida dos Ferroviários (Rua Almirante Brasil, 125, Mooca)
  • Sexta-feira Santa, 15h – Igreja da Ordem Terceira do Carmo (Avenida Rangel Pestana, 230, Brás)
  • Sábado Santo: Vigília Pascal, 19h – Paróquia Nossa Senhora do Brasil (Praça Nossa Senhora do Brasil, s/nº, Jardim Paulista)
  • Domingo de Páscoa, 10h – Paróquia Divino Salvador (Rua Casa do Ator, 450, Vila Olímpia)

Dom José Benedito Cardoso

  • Domingo de Ramos, 9h – Paróquia Nossa Senhora de Fátima (Rua Barão da Passagem, 971, Vila Leopoldina)
  • De segunda a quarta-feira, sempre às 9h, missa no Centro
  • de Detenção Provisória de Pinheiros
  • Quinta-feira Santa, 20h – Paróquia Nossa Senhora de Fátima
  • Sexta-feira Santa, 15h – Paróquia Santa Mônica (Rua Felício
  • Bottino, 95, Jardim Santa Mônica)
  • Sábado Santo, Vigília Pascal, 19h – Paróquia Nossa Senhora de Lourdes (Rua Brentano, 437, Vila Hamburguesa)
  • Domingo de Páscoa: 8h, Comunidade Voz dos Pobres (Rua Monte Caseros, 337, Vila Gomes) *10h, Paróquia São José Operário (Rua Dr. Coriolano Pompeu Eliezer, 05, Jardim Sarah)

Dom Carlos Silva, OFMCap

  • Domingo de Ramos, 10h – Missa na EMEF Ernesto de Moraes (Rua Vale das Flores,120, Jardim Santa Lucrécia)
    *  Antes, às 8h, haverá a concentração de fiéis nas Comunidades Mãe da Igreja e Nossa Senhora da Aurora; e às 9h, bênção e procissão com os ramos até a matriz da Paróquia Nossa Senhora da Paz (Rua Vale das Flores, 32, Jardim Santa Lucrécia).
    *  As celebrações do Tríduo Pascal e do Domingo de Páscoa serão presidida pelo Bispo na Comunidade Nossa Senhora da Aurora (Rua Giácomo Saratelli, 184, Vila Aurora):
  • Quinta-feira santa, 19h30
  • Sexta-feira Santa, 15h
  • Sábado Santo, Vigília Pascal, 19h
  • Domingo de Páscoa, 9h

Dom Ângelo Ademir Mezzari, RCJ

  • Celebrações na Área Pastoral São Domingos de Gusmão (Rua Carapiranga, 278, Vila Caraguatá), pertencente à Paróquia Santa Cristina:
  • Domingo de Ramos, 9h
  • Quinta-feira Santa, 19h30
  • Sexta-feira Santa, 15h
  • Sábado Santo, Vigília Pascal, 17h
  • Domingo de Páscoa, 9h
  • O Bispo também presidirá a Vigília Pascal, às 19h, na Paróquia Sagrada Família (Avenida do Cursino, 1.915, Jardim da Saúde), como rito de batizado de adultos.


Dom Jorge Pierozan

  • Celebrações do Tríduo Pascal na Comunidade Nossa Senhora das Graças (Rua Diego de Losada, 117, no Jardim Ataliba Leonel), pertencente à Paróquia Nossa Senhora do Carmo.
  • Quinta-feira Santa, 19h30
  • Sexta-feira Santa, 15h
  • Sábado Santo, Vigília Pascal, 19h
  • Domingo de Páscoa, 18h – Basílica Menor de Sant’Ana (Rua Voluntários da Pátria, 2.060, Santana)

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