Padre Cido Pereira: 50 anos de sacerdócio, dedicado especialmente à comunicação

“Dou graças a Deus por este jubileu de ouro sacerdotal. Agradeço a Deus o bem que eu pude fazer nestes 50 anos. Peço perdão por todas as vezes que não acertei e até pequei. E espero continuar a viver com alegria o meu ‘sim’ pelo tempo que Deus decidir.”

Fotos: Luciney Martins /O SÃO PAULO

As palavras são do Cônego Antônio Aparecido Pereira, o Padre Cido, da rádio 9 de Julho e que por três décadas foi editor do O SÃO PAULO. Ele completou 50 anos de sacerdócio no sábado, 18. A Missa de Ação de Graças foi presidida por Dom Jorge Pierozan, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Santana.

Vários padres e diáconos participaram da solenidade na Paróquia Nossa Senhora das Dores, na Casa Verde. Entre eles estava o Cônego Sérgio Conrado, colega de seminário do Padre Cido, e que contou alguns “causos” do período de formação deles. Muitos amigos da rádio, do jornal e das paróquias por onde ele passou também foram agradecê-lo pelo dom de sua vocação e do seu ministério.

No início da missa, Dom Jorge destacou o imenso trabalho prestado pelo Padre Cido à Arquidiocese de São Paulo, principalmente na área da comunicação. “Na coluna ‘Você Pergunta’, ele esclarece os mais diferentes assuntos”. O bispo assinalou que o jubileu de 50 anos de ministério sacerdotal deve servir de exemplo para muitos padres jovens “que desanimam no primeiro sofrimento por causa do Reino de Deus”.

Gratidão a Dom Paulo

Na homilia, Padre Cido Pereira falou da alegria de celebrar 50 anos de sacerdócio; agradeceu a presença de Dom Jorge e dos sacerdotes com quem conviveu, além do Cardeal Arns, Arcebispo de São Paulo entre 1970 e 1998: “Dom Paulo é o capítulo mais importante da minha vida de padre. Porque ele confiou em mim. Ele me confiou a missão de estudar comunicação. Ele me confiou o jornal O SÃO PAULO. Ganhei um pai, um conselheiro, um irmão, um amigo.”

Em entrevista à reportagem, o jubilando destacou um das lições que aprendeu com o ‘Cardeal da Esperança’ e que sempre passa aos padres mais novos: “Ele me ensinou que não dá para ser padre sem um profundo amor por Cristo e pela Igreja. E que o padre tem que ser amigo do povo, amigo dos pobres.”

História

Luciney Martins /O SÃO PAULO

O Cônego Cido Pereira nasceu no dia 30 de setembro de 1943, em Carmo do Rio Claro (MG). É o primeiro dos quatro filhos de Amaro Alves Pereira e Conceição Ribeiro Pereira. Morou com os avós maternos dos 11 meses de idade aos 12 anos. Já vivendo em Santos (SP), onde os pais eram caseiros, ingressou no Seminário Menor Metropolitano, em Aparecida (SP), em 1956. Foi ordenado padre em 1971, por Dom Paulo Evaristo Arns, no Santuário de São Judas Tadeu, em Santos.

No jornal e rádio

Ao falar à reportagem sobre o jubileu de ouro, Padre Cido falou sobre o trabalho nessas cinco décadas. “Meu trabalho de conclusão do Curso de comunicação em Roma foi sobre a Censura Política à Igreja, com particular acento sobre o jornal O SÃO PAULO.”

De volta a São Paulo, reassumiu uma paróquia no Parque Peruche e começou a trabalhar no Semanário Arquidiocesano. “Neste serviço de comunicação, atuei por 32 anos, acumulando os trabalhos paroquiais. Quando a rádio 9 de Julho foi devolvida à Arquidiocese, passei a ancorar o programa ‘Construindo Cidadania’ que existe até hoje, e o programa ‘Bom Dia, povo de Deus!’”.  

Desafios e superações

“Um dos maiores desafios em minha vida de padre foi entender, aprofundar e levar avante as conclusões do Concílio Vaticano II. Foi sofrido ver padres pelos quais eu tinha grande respeito, deixar o ministério. Diante disso, fui aconselhado a não me ordenar padre. Resisti, porém, com a graça de Deus e com a frase que tomei como lema para minha vida: “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias”.

Padre Cido também contou que tentou ser muito amigo do povo, fazendo das paróquias verdadeiras famílias de famílias.

Apesar dos desafios e das adversidades, Padre Cido assinala que vale a pena ser sacerdote. “Se fosse para começar tudo de novo, garanto que eu seria mais trabalhador e até mais santo.”

Luciney Martins /O SÃO PAULO

(Texto: Edemilson Fernandes)

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