Prefeito destaca atenção aos vulneráveis e a reformulação logística da capital

COM A PALAVRA – RICARDO NUNESCleide Barbosa e Daniel Gomes

Ricardo Nunes /Reprodução do Facebook

Iniciativas para a geração de emprego e fomento ao empreendedorismo, maior atenção à população em situação de rua e investimentos nas estruturas de saúde, educação, transporte e habitação são algumas das atenções centrais do prefeito Ricardo Nunes (MDB), 54, para a gestão da cidade.

Nunes está a frente da Prefeitura desde maio do ano passado, após a morte do então prefeito Bruno Covas. Nesta entrevista ao O SÃO PAULO e à rádio 9 de Julho, o atual chefe do Executivo paulistano também fala sobre a revisão do Plano Diretor Estratégico e ressalta a atuação da Igreja na metrópole: “quero fazer o devido reconhecimento do trabalho da Igreja Católica, principalmente no apoio e atendimento às pessoas que mais precisam, os mais vulneráveis”.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista. Ouça também a íntegra.

A pandemia, de algum modo, intensificou a crise social na cidade? Quais foram os principais impactos trazidos à gestão do município?

Ricardo Nunes – A pandemia nos demonstrou que há uma desigualdade social muito grande, ampliou muito o número de pessoas pobres na cidade e aquelas em situação de rua, especialmente pelo aumento do desemprego. A Prefeitura tem dado bastante atenção a isso, principalmente na segurança alimentar. Nós distribuímos, desde o início da pandemia, 6,5 milhões de cestas básicas e 7,2 milhões de marmitas. Além disso, nos últimos quatro meses, ampliamos em 1.550 o número de vagas em hotéis diante do aumento de pessoas em situação de rua, em muitos casos famílias inteiras nessa condição. Estamos muito atentos em poder dar a mão para as pessoas que mais necessitam neste momento tão difícil.

Há algum planejamento específico de políticas públicas para a população em situação de rua nos próximos meses?

Sim. Além das vagas em hotéis, ampliamos as vagas em nossos centros de acolhida e abrigos, mas há a situação de famílias inteiras nas ruas e dos idosos. Vamos lançar nas próximas semanas o programa Reencontro, para ampliar ainda mais o atendimento às pessoas em vulnerabilidade. Ele consistirá em unidades habitacionais de pequeno porte. Faremos também uma série de reformas em nossos abrigos e ampliaremos as vagas no Programa Operação Trabalho (POT) para essas pessoas. Há ainda as ações da assistência social, com orientações e ofertas de cursos. Temos visto muitos fazendo ações políticas para que essas pessoas se mantenham nas ruas, mas não achamos que seja digno que elas estejam em um local sem um colchão, uma cama e um banheiro para poder utilizar. Vamos investir muitos recursos para mudar essa situação, além de fazer todo um trabalho de fomentar a economia da cidade, a fim de que haja a retomada econômica, a geração de emprego, para que assim as pessoas tenham o seu sustento e possam viver com dignidade.

Como a Prefeitura tem buscado apoiar novos modelos de negócios e as novas realidades do mundo do trabalho, visto que a pandemia trouxe mudanças profundas, como a adoção do home office pelas empresas?

Nós fizemos uma alteração na legislação tributária da cidade: reduzimos para vários setores o Imposto Sobre Serviços (ISS). Por exemplo: nos de intermediação de serviços por aplicativos, reduzimos o ISS de 5% para 2%. Isso faz com que as empresas que estão aqui permaneçam e que a atraiamos outras para a cidade. Além disso, reduzimos o ISS de toda área de audiovisual. Também para contribuir com a economia, estamos fazendo um esforço muito grande para não ter a correção da tarifa de ônibus, mas lembro que o diesel no ano passado aumentou quase 50%, impactando bastante no custo do transporte. Outro fato é que reduzimos de forma substancial todo o imbróglio para se abrir uma empresa e mantê-la. Antigamente, eram necessários 6 meses para isso. Hoje, para as aquelas pequenas, que chamamos de baixo risco, é possível obter a licença de funcionamento no mesmo dia por meio do site da Prefeitura. Além disso, nos últimos seis meses, abrimos sete unidades do TEIA – ambientes de coworking gratuitos – em vários bairros da cidade, principalmente da periferia. Nelas, há uma estrutura de computadores e orientação para que a pessoa possa desenvolver a condição de ser autônomo e exercer as suas atividades.

Está em revisão o Plano Diretor Estratégico (PDE) da cidade. A partir desse processo, o que esperar da São Paulo do futuro?

A revisão do plano diretor e toda a questão da legislação urbanística também está no contexto da retomada econômica da cidade, da geração de emprego. O artigo 4º do Plano Diretor Estratégico diz que nós deveríamos ter feito a revisão no ano de 2021. Tendo em vista a pandemia, eu enviei o projeto para a Câmara e houve a autorização para que essa revisão ocorre até julho deste ano. A revisão do plano diretor tem muitos aspectos de cunho ambiental, urbanístico e de mobilidade. Precisamos fazer uma reformulação do sistema logístico da cidade. Esse debate está sendo colocado para a sociedade para que nós possamos colher todas as sugestões. São feitas audiências públicas, nas quais a população nos subsidia com sugestões com base no que vivencia no seu dia a dia.

Antes de ser eleito como vice-prefeito, em 2020, o senhor foi vereador. Estando à frente da Prefeitura desde maio de 2021, o que descobriu sobre as potencialidades e desafios da cidade?

Esta é uma cidade de 12,5 milhões de habitantes, com R$ 80 bilhões de orçamento e com um número enorme de dificuldades. Nós faremos muitas obras de mobilidade, requalificação de cinco corredores, o VRT Radial Leste, o VRT Aricanduva e aumentaremos em 300km o nosso sistema cicloviário. Além disso, vamos entregar 49 mil unidades habitacionais, construir 12 Centros Educacionais Unificados (CEUs) e 15 novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAS). Não se faz todo esse conjunto de obras se não houver o recurso, de modo que é muito importante a gestão financeira da cidade. O fato de eu ter sido relator de orçamento na Câmara Municipal durante muitos anos e também ser da comissão de finanças, me trouxe uma bagagem grande e isso se soma à minha experiência de vereador. Conhecedor dos problemas dos bairros, tenho uma condição de muita tranquilidade para dar andamento nas ações da Prefeitura, isso considerando que teremos recursos para poder manter os serviço de qualidade.

Para finalizarmos, como o senhor avalia o papel da Igreja Católica na cidade, especialmente neste momento tão desafiador de pandemia?

É impressionante o que a Igreja Católica realiza de serviços na nossa cidade. No caso da população em situação de rua, por exemplo, eu já recebi aqui na Prefeitura os membros da Aliança de Misericórdia, da Missão Belém e de outras frentes da Arquidiocese que desenvolvem esses atendimentos. Eles não recebem nada da Prefeitura.É um serviço fundamental! Também há ações em outras áreas. Na Saúde, por exemplo, temos um convênio com a organização Santa Marcelina, que cuida de quase todos os equipamentos de saúde da Zona Leste. Na distribuição de cestas básicas, Dom Odilo Scherer indicou que eu dialogasse com o Padre Tarcísio Mesquita, do Secretariado Arquidiocesano de Pastoral, a fim de nos ajudar a distribui-las nas regiões que mais precisam. Como prefeito de São Paulo, não somente por ser católico praticante, mas por estar vivenciando todos os dias as necessidades da cidade, quero fazer o devido reconhecimento do trabalho da Igreja Católica, principalmente no apoio e atendimento às pessoas que mais precisam, os mais vulneráveis, que são tratados pela Igreja com tanto carinho.

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