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Bispos venezuelanos: ‘É inadmissível que continue a situação em que vivemos’

Os bispos da Venezuela publicaram, em 28 de maio, uma exortação em que comentam a situação difícil do país causada pela pandemia de COVID-19 e pelos “graves problemas econômicos, políticos e sociais que se intensificam cada dia mais”.

Bispos venezuelanos: ‘É inadmissível que continue a situação em que vivemos’ - Jornal O São Paulo
(Crédito: Conferência Episcopal Venezuelana)

Com o título “Ouve-se uma voz de alguém que chora amargamente” (Jr 31,15), os bispos pedem um acordo nacional para aliviar a crise econômica e social pela qual passa a Venezuela.

Segundo os bispos, a pandemia apenas agravou e trouxe em evidência as “múltiplas carências que sofre o povo e a incapacidade de dar respostas adequadas a elas”.  As medidas de quarentena “ajudaram a frear por um tempo a cadeia de contágio da enfermidade”. Entretanto, “na última semana, aumentou alarmantemente o número de contágio”, devido à volta de imigrantes venezuelanos ao país ocasionada pela crise econômica global.  Os prelados pedem, assim, programas de ajuda para a população que se encontra nas fronteiras, para que seja dignamente reintroduzida na sociedade.

Os bispos também destacaram o comprometimento cívico da população, que, em sua maioria, respeitou as medidas de quarentena. “Em meio às carências, multiplicaram-se gestos de solidariedade entre os vizinhos e de atenção aos mais pobres e desvalidos”. A Igreja Católica no país, principalmente por meio da Cáritas, comprometeu-se a prestar ajuda espiritual e material à população, com a oração e a distribuição de medicamentos e alimentos na medida do possível.

Entretanto, a caridade não é suficiente para combater a crise no país: “Faz-se necessário elaborar, o mais rapidamente possível, com ampla participação de todos os setores sociais, um roteiro de fim da quarentena que inclua a facilitação da mobilização dos trabalhadores, a reativação da economia e do comércio, a abertura progressiva dos templos para as celebrações litúrgicas, em respeito às normas sanitárias”.

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Milhões de pessoas estão desamparadas, segundo os pelados, pois estão “sem comida, sem medicamentos, sem trabalho, sem serviços adequados de eletricidade, água, transporte, gás doméstico e combustível”. Muitas empresas que já estavam em crise antes da pandemia não conseguem pagar seus funcionários. “Economicamente, vemos o país à deriva, sem planos econômicos diante da possibilidade de fechamentos das empresas e de muitos trabalhadores perderem seus empregos”.

Os bispos também mencionam a reação violenta do governo contra os protestos da população e pedem uma “sacudida ética” na política do país, para que o povo “violentado em sua dignidade” assuma “no exercício de sua soberania o protagonismo de seu próprio destino de justiça, liberdade e paz”.

A união de pessoas que pensam diferente é essencial para a busca de soluções a todos os problemas econômicos e institucionais do país. Nesse sentido, os bispos defendem “um acordo nacional inclusivo”, com “militares, acadêmicos, universitários, empresários, profissionais, estudantes e trabalhadores, organizações não governamentais, confissões religiosas e todos em geral”, pois “a desunião agrava a situação e nos machuca como povo”. Os prelados pedem que o radicalismo seja abandonado, para que os pobres sejam lembrados.

Por fim, os bispos lembraram o exemplo do Venerável José Gregorio Hernández, médico venezuelano em processo de canonização, que faleceu em 1919 e é conhecido pela forma com que cuidou dos indigentes e pobres: “José Gregorio é um símbolo de união do país e caminho de esperança”.

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(Com informações da Conferência Episcopal da Venezuela)

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