
Em 1975, a Dinamarca introduziu em seu sistema público de ensino uma diretriz que permanece vigente até hoje: exige-se que toda criança ou adolescente entre 6 e 16 anos participe semanalmente de uma aula sobre empatia.
Não se trata de uma atividade extra, tampouco opcional: faz parte do currículo, assim como matemática e ciências. No país nórdico, gentileza não é considerada uma característica, mas tratada como habilidade, ou seja, a educação emocional é igualmente considerada.
Neurocientistas sabem como a empatia modifica o cérebro. Segundo eles, praticá-la fortalece o córtex pré-frontal medial, a região responsável pela tomada de decisão, regulação emocional e raciocínio moral. As crianças e adolescentes são ensinados, literalmente, a programar seus cérebros para entender e responder aos demais.
Os professores dinamarqueses têm liberdade para escolher, a cada semana, a atividade que desenvolverão com seus alunos, sempre com o viés de trazer à reflexão sentimentos, amizade e compreensão: às vezes, eles se sentam para preparar e comer bolo juntos e falar sobre si mesmos. No entanto, grande parte do tempo é gasto na abordagem de problemas e conflitos, tanto entre as crianças quanto entre elas e suas famílias. Todos ouvem sem julgar, oferecem apoio e aprendem não somente a como lidar com tais situações, mas, também, a relevância da prática dos comportamentos gentis. O intuito é gerar uma conexão intencional e o foco, portanto, é muito mais voltado ao estudante e sua saúde mental do que às habilidades acadêmicas.
Os pais e demais familiares também são estimulados e ensinados a se tornarem modelo de empatia em seus próprios relacionamentos, sobretudo dentro de casa. Afinal, as crianças e adolescentes aderem muito mais àquilo que veem do que àquilo que ouvem.

Aproximadamente 60% das atividades nas escolas dinamarquesas são feitas em grupos. A experiência tem mostrado que, com o passar dos anos, a colaboração deixa de ser uma atividade e se torna instinto. E quando a competição não é o padrão, as crianças veem os colegas como aliados, não como ameaças.
A recompensa é mensurável: apenas 6,3% dos estudantes dinamarqueses experimentam situações de bullying, uma das menores taxas em toda a Europa.
Estudos de longo prazo confirmam que crianças e adolescentes que aprendem empatia têm maior probabilidade de se graduar em um curso superior, conseguir emprego em tempo integral, manter relacionamentos mais estáveis e duradouros quando atingem a idade adulta e tornar-se cidadãos mais conscientes e comprometidos.
Fonte: Ready Set Parent