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Dinamarca se torna o primeiro país a encerrar envio de cartas pelos correios

Dinamarca se torna o primeiro país a encerrar envio de cartas pelos correios - Jornal O São Paulo

O PostNord, serviço postal estatal da Dinamarca, entregou a última carta no dia 30 de dezembro, marcando o fim de uma era após 400 anos de existência. Com isso, a Dinamarca se torna o primeiro país do mundo a decidir que o correio físico não é mais essencial, nem economicamente viável.

O declínio abrupto de um serviço postal nacional é uma história familiar, que se repete em outras partes do mundo ocidental à medida que os meios digitais de comunicação são cada vez mais utilizados.

O serviço postal da Dinamarca teve uma baixa de 90% na entrega de cartas em 2024, se comparado aos anos 2000. Já os Estados Unidos entregaram 50% menos correspondências em 2024 do que em 2006. No Brasil, entre 2004 e 2024, houve um decréscimo de 70% no volume de cartas enviadas.

E como a correspondência passou a ser predominantemente on-line — transformando-se em mensagens de WhatsApp, videochamadas ou simplesmente uma troca de memes — a comunicação e a linguagem também mudaram.

As próprias cartas também “mudarão de status”, passando a representar mensagens mais íntimas do que os meios equivalentes digitais, afirmou Dirk Van Miert, professor do Instituto Huygens, nos Países Baixos, especializado em redes de conhecimento do início da era moderna.

As redes de conhecimento que as cartas facilitaram durante séculos estão “apenas se expandindo” em sua forma on-line, acelerando tanto o acesso a esse conhecimento quanto o aumento da desinformação, disse o professor.

Em vez de enviar cartas pelo correio, os dinamarqueses agora terão que deixá-las em quiosques ou lojas, de onde serão entregues pela empresa privada DAO para endereços nacionais e internacionais. A PostNord continuará entregando encomendas, uma vez que as compras on-line permanecem populares.

A Dinamarca é uma das nações mais digitais do mundo; até mesmo o setor público utiliza diversos portais on-line, minimizando a correspondência física do governo e se tornando muito menos dependente dos serviços postais do que muitos outros países.

Segundo a União Postal Universal, organização ligada à ONU, quase 2,6 bilhões de pessoas permanecem sem acesso à internet. Muitas outras “carecem de conectividade significativa”, devido a dispositivos inadequados, cobertura deficiente e habilidades digitais limitadas. Comunidades rurais, mulheres e pessoas que vivem em situação de pobreza estão entre as mais afetadas, acrescentou a organização.

Mesmo em países como a Dinamarca, alguns grupos que dependem mais dos serviços postais, como os idosos, podem ser afetados negativamente pelas mudanças, afirmam organizações de defesa dos direitos dos idosos.

“É muito fácil para nós acessarmos nossas correspondências pelo celular ou pela internet, mas nos esquecemos de oferecer as mesmas possibilidades para quem não é (da era) digital”, disse Marlene Rishoej Cordes, porta-voz da Associação DaneAge, que defende os direitos dos idosos no país nórdico.

Ela disse que a DAO, a nova empresa de entregas postais, oferece um serviço de coleta de correspondências em domicílio, mas “ainda exige que o cliente seja digital, pois é preciso pagar por esse serviço e o pagamento só pode ser feito de forma on-line”.

Fontes: CNN Brasil / G1

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