
Dom Charles Jason Gordon, Arcebispo de Port-of-Spain, em Trinidad e Tobago, pediu a proibição das redes sociais para crianças – um apelo reconhecido por Kamla Persad-Bissessar, primeira-ministra do país – e alertou também para as sérias consequências às crianças expostas à Inteligência Artificial (IA) na educação.
Desde que a Austrália proibiu o uso de redes sociais para cidadãos menores de 16 anos em dezembro passado, diversos outros países começaram a considerar legislações semelhantes, entre eles Dinamarca, Noruega, Reino Unido, Espanha e França – neste último, um projeto de lei para proibir o uso de redes sociais por jovens menores de 15 anos está atualmente em tramitação no Senado. A pequena nação insular de Trinidad e Tobago, no Caribe, enfrenta o mesmo dilema.
Tendo alertado anteriormente que certas plataformas on-line “eram mais viciantes do que o álcool”, o Arcebispo escreveu em seu semanário diocesano, The Catholic News, que “estamos vivendo um dos momentos educacionais mais decisivos da história”.
Dom Charles, que preside a Conferência Episcopal das Antilhas, alertou que uma criança não é um adulto em miniatura e, embora este último lide com a IA de forma diferente, os impactos no desenvolvimento infantil podem ser de longo alcance se a IA não for controlada.
“O cérebro em desenvolvimento ainda está estruturando as funções executivas, a atenção sustentada, a abstração, o raciocínio moral, o julgamento e a metacognição”, disse ele.

“Se essas faculdades forem terceirizadas para máquinas antes de se formarem, elas não se desenvolvem adequadamente. O cérebro torna-se dependente de uma prótese cognitiva externa. O resultado não é uma criança mais inteligente, mas sim uma criança cognitivamente subdesenvolvida. Isso não é ideologia. É uma realidade do neurodesenvolvimento.”, disse o Arcebispo.
Dom Charles afirmou que a IA afeta justamente as faculdades que nos tornam pessoas reflexivas, morais e responsáveis. Por causa disso, “corremos o risco de criar uma geração que soa eloquente, produz trabalhos impecáveis e responde a perguntas com fluência, mas que carece de profundidade, resiliência, originalidade e discernimento moral.”
Ele prosseguiu: “A IA pode melhorar o desempenho. Ela não pode formar caráter. Ela pode gerar respostas, mas não pode cultivar sabedoria. Ela pode otimizar a eficiência, mas não pode formar consciência.”
Dom Charles alertou que, se a humanidade permitir que a IA substitua a luta, o esforço, a perseverança e o debate intelectual, “poderemos produzir crianças eficientes, mas não produziremos adultos livres e responsáveis”. Ele defendeu leis que protejam as crianças dos perigos das redes sociais.
Em resposta, a primeira-ministra afirmou que seu governo estaria disposto a considerar a proibição do uso de redes sociais a crianças menores de 12 anos.
Fonte: The Tablet





