
Pela primeira vez na história, os Estados Unidos se tornaram menos democráticos do que o Brasil. É o que avaliou o Instituto V-Dem, ligado à Universidade de Gotemburgo, na Suécia, cujo mais recente relatório informa que “a liberdade de expressão nos Estados Unidos está agora em seu nível mais baixo desde a Segunda Guerra Mundial”.
Entre 2024 e 2025, o governo de Donald Trump promoveu o maior declínio no índice de democracias liberais da história recente, segundo os pesquisadores. Os Estados Unidos despencaram 24%, caindo 27 posições entre os 179 países avaliados, ocupando atualmente a 51ª posição do ranking. O nível de democracia no país é hoje equivalente a 1965. Até aquele ano, pessoas negras poderiam ser impedidas de votar. O último relatório da democracia do Instituto revela que, enquanto o Brasil vem se tornando modelo de democratização (ocupando a 28ª posição na lista), os Estados Unidos ficaram mais autocráticos nos últimos dois anos.
O Instituto combina mais de 600 indicadores, fornecidos por uma rede de 4 mil pesquisadores, em 202 países e territórios. Com isso, eles elaboram um índice de democracia, com seis grandes escalas: autocracia fechada, autocracia eleitoral, autocracia na zona cinza, democracia na zona cinza, democracia eleitoral e democracia liberal.
Brasil e Estados Unidos se encaixam hoje em democracias eleitorais, ou seja, baseadas em eleições livres, porém sem tanta proteção a direitos civis e controle do poder quanto às democracias liberais. Por outro lado, 44 países (cerca de um quarto das nações de todo o globo) se encaixam na definição de uma autocracia.
Os dez países mais bem avaliados pelo Instituto no que diz respeito à democracia liberal são: Dinamarca, Suécia, Noruega, Suíça, Estônia, Irlanda, Costa Rica, Finlândia, França e Bélgica.
Outros países que também deixaram a lista das democracias liberais recentemente foram Portugal e Reino Unido. Nos Estados Unidos, a queda se deve principalmente à concentração de poder do Executivo, ataques a direitos humanos, como as ações na Venezuela e anti-imigração, e a redução da liberdade de expressão e imprensa (os índices mais baixos dos últimos 60 anos), com o silenciamento de veículos e escritórios de advocacia críticos a Donald Trump.
Na América do Sul, somente Uruguai (13º) e Chile (16º) são considerados democracias liberais, uma exceção à regra, uma vez que três entre quatro pessoas no mundo vivem hoje em autocracias (74% da população mundial, cerca de 6 bilhões de pessoas) e somente 7% em democracias plenas (em torno de 600 milhões de pessoas).
A tendência é um aumento da regra, com cada vez mais países se tornando autocráticos e menos se democratizando.
Fontes: Deutsche Welle e Instituto V-Dem





