Logo do Jornal O São Paulo Logo do Jornal O São Paulo

Gaza está afundando cada vez mais em um desastre, diz representante da ONU

Em sessão do Conselho de Segurança, Ramiz Alakbarov afirmou que ataques militares israelenses se intensificaram, atingindo tendas de deslocados, escolas, hospitais e prédios residenciais; ele visitou sobreviventes das ofensivas do Hamas contra Israel e disse que eles “carregam perdas e traumas insuportáveis”. 

A expansão das operações militares israelenses na Cidade de Gaza pode ter “consequências catastróficas”, incluindo o deslocamento de milhares de palestinos.

O alerta foi feito pelo coordenador especial adjunto da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, Ramiz Alakbarov, em reunião do Conselho de Segurança, nesta quarta-feira.

“Piores medos se tornando realidade”

Falando de Jerusalém, ele afirmou que a situação no Território Palestino continua se deteriorando a “níveis nunca vistos na história recente”.

Após uma visita recente a Gaza, o representante da ONU disse que o local está “afundando cada vez mais em um desastre”. Segundo ele, a crise é marcada pelo rápido aumento de vítimas civis, deslocamentos em massa e fome, “sem que o conflito tenha um fim à vista”.

Para Alakbarov, os palestinos “estão vendo seus piores medos se tornarem realidade”, após o anúncio da decisão de Israel de tomar a Cidade de Gaza, em uma operação militar ainda em andamento.

Ele relatou que os ataques militares israelenses se intensificaram em toda a Faixa de Gaza, atingindo tendas que abrigam pessoas deslocadas, escolas, hospitais e prédios residenciais. 

Riscos à segurança são extremamente altos

O coordenador especial afirmou que embora a ONU e seus parceiros trabalhem incansavelmente, “os riscos à segurança são extremamente altos, e as atuais medidas de mitigação são lamentavelmente insuficientes”.

Desde 23 de julho, pelo menos 2.553 palestinos foram mortos, segundo as autoridades de saúde locais. Desse número, 271 teriam perdido a vida tentando coletar ajuda, inclusive nas proximidades de locais de distribuição militarizados. 

Além disso, mais de 240 jornalistas foram mortos desde o início da guerra em 7 de outubro de 2023, após o movimento Hamas atacar Israel matando mais de 1,2 mil pessoas e sequestrando centenas.

O alto funcionário da ONU também visitou comunidades israelenses afetadas e se encontrou com sobreviventes e familiares de alguns dos reféns.

Encontro com sobreviventes e familiares de reféns

Alakbarov visitou as casas destruídas de Nir Oz, onde um em cada quatro moradores foi assassinado ou sequestrado e conheceu sobreviventes que “carregam perdas e traumas insuportáveis”.

Cerca de 50 pessoas, incluindo uma mulher, ainda estão detidas pelo Hamas e outros grupos armados palestinos em Gaza, e acredita-se que 28 já morreram.

O coordenador especial disse que vídeos divulgados pelo Hamas e pela Jihad Palestina mostrando reféns israelenses foram “profundamente perturbadores”. Nas imagens, os reféns aparecem sendo maltratados e abusados. Para ele, isto é uma violação flagrante do direito internacional.

A sessão no Conselho de Segurança contou ainda com a participação da secretária-geral assistente da ONU para Assuntos Humanitários, Joyce Msuya, da diretora executiva da Save the Children International, Inger Ashing, e de Ilana Gritzewsky, uma israelense ex-refém do Hamas, em Gaza.

Fonte: ONU News

Deixe um comentário