
As comunidades cristãs do Iraque estão soando o alarme em meio à crescente instabilidade ao longo da fronteira com a Síria e à crescente preocupação com o ressurgimento do extremismo religioso. A transferência de milhares de detidos do Estado Islâmico do nordeste da Síria para novas instalações no Iraque, consideradas um “local seguro” por Bagdá, reacendeu os temores de uma nova onda de violência em um país ainda assolado por décadas de conflito sectário.
Dom Bashar Matti Warda, Arcebispo caldeu de Erbil, afirmou que as famílias anseiam desesperadamente por uma paz duradoura, mas cada surto de violência traz à tona memórias de deslocamento e perseguição. Ele observou que 2/3 dos cristãos iraquianos já haviam fugido nas últimas duas décadas — não como emigrantes, mas como exilados forçados pelo medo de que sua pátria não pudesse mais protegê-los.
No entanto, essa esperança persiste apesar do declínio demográfico alarmante. O Cardeal Louis Rapahel Sako, Patriarca da Igreja Católica Caldeia, alertou que a outrora próspera população cristã do Iraque — que chegou a 1,5 milhão no início dos anos 2000 — caiu para menos de 500 mil, e talvez para 250 mil, segundo pesquisadores da Organização de Direitos Humanos de Hamurabi.

Quando o Estado Islâmico tomou Mossul em junho de 2014, seus combatentes demoliram igrejas, casas e artefatos sagrados, forçando os cristãos a se converterem, fugirem ou morrerem. A destruição de cidades cristãs como Qaraqosh e Bartella foi total: espiritual, cultural e comunitária. No entanto, observadores locais alertam que o fim do domínio territorial do Estado Islâmico trouxe pouca paz real.
Hoje, a discriminação e a insegurança continuam sendo realidades diárias. A Lei do Cartão de Identidade Nacional do Iraque, de 2016, impõe a conversão automática ao Islã para menores quando um dos pais se converte, uma regra com base em uma legislação de 1972. Essa assimetria legal — não muçulmanos podem se converter ao Islamismo, mas muçulmanos não podem abandonar sua religião — cria o que se chama de mecanismo de erosão demográfica sancionado pelo Estado. Os tribunais tratam a conversão de pessoas que abandonam o Islamismo como apostasia, enquanto as conversões forçadas reduzem progressivamente as comunidades minoritárias.
Para os cristãos do Iraque, a sobrevivência agora depende menos da ajuda externa do que da coragem interna: reforma política, proteção legal e responsabilização do Estado.
Fonte: Catholic News Agency – CNA





