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Na Áustria, Igreja abre novo caminho ao sacerdócio para homens de meia-idade

Na Áustria, Igreja abre novo caminho ao sacerdócio para homens de meia-idade - Jornal O São Paulo
kathbild.at / Franz Josef Rupprecht, Franz Josef Rupprecht

A Conferência Austríaca de Reitores de Seminários apresentou uma importante reformulação da formação sacerdotal voltada para homens que descobrem sua vocação mais tarde na vida, introduzindo um modelo que se distancia significativamente da trajetória tradicional de seminário em tempo integral. Anunciada no dia 5, a iniciativa reflete tanto as realidades demográficas quanto uma tentativa estratégica de responder à atual escassez de padres, explorando um segmento pouco estudado da população católica.

O programa, formalmente intitulado Zweiten Weg für Spätberufene — o Segundo Caminho para Vocações Tardias — é voltado para homens que já estabeleceram suas vidas profissionais e pessoais. Em vez de exigir que os candidatos abandonem suas carreiras imediatamente, a nova estrutura permite que os estudos teológicos sejam realizados de forma flexível, inclusive por meio de ensino a distância, enquanto os participantes continuam em seus empregos regulares. A ênfase, segundo os reitores, está em adaptar a formação a cada candidato individualmente, em vez de aplicar um modelo uniforme.

A formação espiritual e pastoral, contudo, permanecerá ancorada no contexto do seminário. Notícias da imprensa austríaca indicam que esse componente será estruturado em torno das obrigações profissionais de cada candidato, embora ainda não esteja claro se a residência em tempo integral no seminário será obrigatória. A intenção é preservar a formação comunitária e espiritual sem impor interrupções desnecessárias aos candidatos que já estão inseridos na vida profissional.

Apesar da flexibilidade estrutural, o programa austríaco mantém os requisitos canônicos padrão para a formação sacerdotal no rito latino. Os candidatos devem ser solteiros — viúvos são elegíveis — e devem se comprometer livremente com o celibato perpétuo.

O contexto demográfico é fundamental para a iniciativa: a Áustria, um país com cerca de 9 milhões de habitantes, tem quase metade da sua população católica. De acordo com o instituto nacional de estatística austríaco, existem aproximadamente 850 mil homens entre 45 e 60 anos no país, alvo explícito dos idealizadores do programa Segundo Caminho. Entre aqueles, cerca de 400 mil são católicos batizados e aproximadamente 50 mil frequentam a missa regularmente. Embora a maioria dos fiéis que participa da missa com regularidade nesta faixa etária seja casada, as autoridades da Igreja estimam que o número de potenciais candidatos para o novo programa possa chegar aos milhares.

A Conferência de Reitores de Seminários enfatizou que a iniciativa está totalmente alinhada com as normas do Vaticano, particularmente com as delineadas na Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis, o documento fundamental que rege a formação sacerdotal em todo o mundo. A Ratio reconhece explicitamente a “personalidade mais desenvolvida” frequentemente encontrada em candidatos mais velhos e atribui às conferências episcopais nacionais a responsabilidade de estabelecer normas adequadas às suas circunstâncias locais. Essas normas podem incluir limites de idade para vocações tardias e decisões sobre a criação ou não de seminários separados para candidatos mais velhos.

Fonte: Zenit News

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