
O regime do presidente Daniel Ortega e de sua esposa e vice-presidente Rosario Murillo implementou a proibição de ordenações de sacerdotes e diáconos no início de março, o que afetou as Dioceses de Jinotega, Siuna, Matagalpa e Estelí, cujos bispos estão exilados.
A medida foi imposta semanas depois da ordenação secreta de dois seminaristas nicaraguenses na Costa Rica. Em 7 de fevereiro, Dom Javier Gerardo Román Ariaso, Bispo de Limón, na Costa Rica, ordenou os seminaristas em uma liturgia à qual suas famílias não compareceram por medo de represálias políticas.
O diário nicaraguense Mosaico CSI publicou trechos da homilia pregada durante a liturgia de ordenação pelo Bispo de Limón.
“Vocês chegam a este ponto com uma história marcada pela cruz. Não deixaram seu país por escolha própria, mas por fidelidade. E hoje serão ordenados longe de suas famílias, sem o abraço de seu povo, em uma cerimônia discreta, quase secreta. Mas nada disso é estéril. Pelo contrário: esta ordenação vivida em silêncio já é um poderoso testemunho de fé, porque proclama que a vocação não depende das circunstâncias, mas da fidelidade de Deus”, disse Dom Javier aos ordenandos.
O Bispo costa-riquenho acrescentou: “Não estamos aqui para celebrar um evento humano, mas para testemunhar uma obra de Deus que não é detida por fronteiras, nem extinta pela perseguição, nem interrompida pelo exílio. Hoje, a Igreja reza em silêncio, porque sabe que, quando Deus chama, até o silêncio se torna frutífero.”
Martha Patricia Molina, autora do relatório “Nicarágua: uma Igreja perseguida”, afirmou: “O drama humano se concentra nos seminários. Dezenas de jovens que concluíram com sucesso seus estudos em Filosofia, Teologia e formação pastoral se encontram em um limbo jurídico e espiritual. Eles possuem aptidão e vocação, mas não podem receber o sacramento [da Ordem]”.
Ela afirmou que o impacto da proibição de Ortega às ordenações sacerdotais e diaconais em quatro dioceses foi “alarmante”.
A Diocese de Matagalpa está “atualmente operando com apenas cerca de 30% de seu clero ativo. Sete em cada dez padres foram forçados ao exílio ou ao banimento”, explicou Martha.
Ela acrescentou que as Dioceses de Estelí e Jinotega “sofreram reduções de até 50% na sua capacidade pastoral, deixando comunidades inteiras sem a celebração regular da Eucaristia”.
Em novembro de 2024, Dom Carlos Herrera, Bispo de Jinotega e Presidente da Conferência Episcopal da Nicarágua, foi expulso do país após criticar um prefeito pró-Ortega que havia tocado música alta em frente a uma igreja em que ele presidia a missa.
Meses antes, Dom Carlos havia ordenado um sacerdote e sete diáconos na vizinha Diocese de Matagalpa, cujo Bispo, Dom Rolando Álvarez, fora deportado para Roma em janeiro de 2024, após 18 meses de detenção. Dom Rolando também foi administrador apostólico da Diocese de Estelí.
Fonte: The Tablet





