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Países secularizados apresentam crescimento consistente nas conversões ao catolicismo

Países secularizados apresentam crescimento consistente nas conversões ao catolicismo - Jornal O São Paulo
Vatican Media/JMJ 2023

Em um país há muito conside­rado um laboratório de seculariza­ção avançada, algo inesperado vem acontecendo fora do radar estatísti­co. Os Países Baixos, frequentemen­te citados pelo rápido declínio da religião institucional e pela trans­formação de igrejas em academias, supermercados ou espaços culturais, registraram um aumento impressio­nante nas conversões de adultos ao catolicismo.

De acordo com as estatísticas oficiais da Igreja neerlandesa, o nú­mero de adultos que ingressaram na Igreja Católica aumentou 40% em apenas um ano, incluindo tanto adultos batizados quanto cristãos de outras denominações que foram for­malmente recebidos na Igreja. Em termos absolutos, os totais perma­necem modestos. Em termos simbó­licos, no entanto, eles têm um peso muito maior do que seu tamanho.

O caso neerlandês não é uma anomalia isolada. Ele se encaixa em um padrão mais amplo que emerge na Europa Ocidental, uma região frequentemente descrita como pós­-cristã e religiosamente exausta. A França, frequentemente rotulada como o país mais agressivamente secular do continente, viu um au­mento ainda mais acentuado: um crescimento de 45% nos batismos de adultos em comparação com o ano anterior.

A Bélgica, outra sociedade pro­fundamente moldada pela cultura secular, oferece um sinal mais conti­do, porém ainda assim revelador. Os bispos belgas relatam um aumento de 4% na frequência à missa, um nú­mero que interpretam com cautela, mas sem descartar sua importância. Mais reveladora é a trajetória de lon­go prazo: o número de batismos de adultos quase dobrou na última dé­cada. Trata-se de um processo lento e gradual, mas que sugere uma mu­dança de direção, e não uma mera flutuação estatística.

Na Suécia, uma das regiões mais secularizadas do mundo, Dom Erik Varden, presidente da Conferência Episcopal Nórdica, sugeriu que a secularização pode ter atingido seus limites. Em sua visão, o ímpeto cul­tural que outrora relegou a crença religiosa à marginalidade pratica­mente se dissipou, criando espaço para que a fé ressurja não como uma herança social, mas como uma esco­lha pessoal.

Países secularizados apresentam crescimento consistente nas conversões ao catolicismo - Jornal O São Paulo
Arquidiocese de Suva/Fiji

Outras regiões estão testemu­nhando desenvolvimentos seme­lhantes, muitas vezes com maior in­tensidade. A Austrália registrou um aumento de 30% nas conversões de adultos, um crescimento que, segun­do relatos, surpreendeu até mesmo os responsáveis pelos programas de catequese. Nos Estados Unidos, o crescimento é particularmente visí­vel nos centros urbanos e entre os jovens adultos. Somente Los Angeles registrou um aumento de 45% nos batismos, o crescimento mais signi­ficativo em uma década.

Na Ásia, o Vietnã desponta como um fenômeno extraordinário: o país conta hoje com cerca de 7 milhões de católicos, o que representa apro­ximadamente 7,4% da população total (estimada em torno de 100 mi­lhões de habitantes), colocando-o como a quinta maior comunidade católica da Ásia, atrás apenas de Fili­pinas, Índia, China e Indonésia.

O crescimento impressiona ain­da mais quando se considera que, há cerca de oito décadas (por vol­ta de 1945), a comunidade católica vietnamita não chegava a 2 milhões de fiéis. Especialistas atribuem essa expansão notável a uma combina­ção de fatores: raízes históricas pro­fundas, o testemunho de inúmeros mártires, a coerência do testemunho cristão no dia a dia, esforços diplo­máticos e, especialmente, o papel de­cisivo dos leigos na preservação e na difusão da fé.

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Reprodução A12

Esses sinais dispersos apontam para algo que merece atenção mais aprofundada. O crescimento é im­pulsionado quase inteiramente por adultos — homens e mulheres que não foram criados católicos, ou às vezes nem mesmo em um ambien­te religioso, e que chegam à Igreja por meio de jornadas deliberadas e, muitas vezes, intelectualmente exi­gentes. Não se trata, no entanto, de decisões casuais ou impulsivas: elas sugerem uma busca de significado, estrutura e transcendência que per­siste, mesmo em sociedades satura­das de conforto material e autono­mia pessoal.

Fontes: Zenit News e Razón más Fe

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