
Em um país há muito considerado um laboratório de secularização avançada, algo inesperado vem acontecendo fora do radar estatístico. Os Países Baixos, frequentemente citados pelo rápido declínio da religião institucional e pela transformação de igrejas em academias, supermercados ou espaços culturais, registraram um aumento impressionante nas conversões de adultos ao catolicismo.
De acordo com as estatísticas oficiais da Igreja neerlandesa, o número de adultos que ingressaram na Igreja Católica aumentou 40% em apenas um ano, incluindo tanto adultos batizados quanto cristãos de outras denominações que foram formalmente recebidos na Igreja. Em termos absolutos, os totais permanecem modestos. Em termos simbólicos, no entanto, eles têm um peso muito maior do que seu tamanho.
O caso neerlandês não é uma anomalia isolada. Ele se encaixa em um padrão mais amplo que emerge na Europa Ocidental, uma região frequentemente descrita como pós-cristã e religiosamente exausta. A França, frequentemente rotulada como o país mais agressivamente secular do continente, viu um aumento ainda mais acentuado: um crescimento de 45% nos batismos de adultos em comparação com o ano anterior.
A Bélgica, outra sociedade profundamente moldada pela cultura secular, oferece um sinal mais contido, porém ainda assim revelador. Os bispos belgas relatam um aumento de 4% na frequência à missa, um número que interpretam com cautela, mas sem descartar sua importância. Mais reveladora é a trajetória de longo prazo: o número de batismos de adultos quase dobrou na última década. Trata-se de um processo lento e gradual, mas que sugere uma mudança de direção, e não uma mera flutuação estatística.
Na Suécia, uma das regiões mais secularizadas do mundo, Dom Erik Varden, presidente da Conferência Episcopal Nórdica, sugeriu que a secularização pode ter atingido seus limites. Em sua visão, o ímpeto cultural que outrora relegou a crença religiosa à marginalidade praticamente se dissipou, criando espaço para que a fé ressurja não como uma herança social, mas como uma escolha pessoal.

Outras regiões estão testemunhando desenvolvimentos semelhantes, muitas vezes com maior intensidade. A Austrália registrou um aumento de 30% nas conversões de adultos, um crescimento que, segundo relatos, surpreendeu até mesmo os responsáveis pelos programas de catequese. Nos Estados Unidos, o crescimento é particularmente visível nos centros urbanos e entre os jovens adultos. Somente Los Angeles registrou um aumento de 45% nos batismos, o crescimento mais significativo em uma década.
Na Ásia, o Vietnã desponta como um fenômeno extraordinário: o país conta hoje com cerca de 7 milhões de católicos, o que representa aproximadamente 7,4% da população total (estimada em torno de 100 milhões de habitantes), colocando-o como a quinta maior comunidade católica da Ásia, atrás apenas de Filipinas, Índia, China e Indonésia.
O crescimento impressiona ainda mais quando se considera que, há cerca de oito décadas (por volta de 1945), a comunidade católica vietnamita não chegava a 2 milhões de fiéis. Especialistas atribuem essa expansão notável a uma combinação de fatores: raízes históricas profundas, o testemunho de inúmeros mártires, a coerência do testemunho cristão no dia a dia, esforços diplomáticos e, especialmente, o papel decisivo dos leigos na preservação e na difusão da fé.

Esses sinais dispersos apontam para algo que merece atenção mais aprofundada. O crescimento é impulsionado quase inteiramente por adultos — homens e mulheres que não foram criados católicos, ou às vezes nem mesmo em um ambiente religioso, e que chegam à Igreja por meio de jornadas deliberadas e, muitas vezes, intelectualmente exigentes. Não se trata, no entanto, de decisões casuais ou impulsivas: elas sugerem uma busca de significado, estrutura e transcendência que persiste, mesmo em sociedades saturadas de conforto material e autonomia pessoal.
Fontes: Zenit News e Razón más Fe





